Saiba como funciona a reciclagem de computadores!

Como é feita a reciclagem de computadores, quais são os processos da reciclagem e o que fazer com aquele computador que você não usa mais.

Você adquire um super computador ideal para seus afazeres profissionais e acadêmicos. Até que, de repente, surge um modelo mais moderno a um preço bem acessível e você decide comprar. E daí, o que faz com seu modelo antigo? Joga fora? Ou encaminha para a doação? Manda para a reciclagem?

O descarte de computadores e demais equipamentos eletrônicos é um problema sério. O encaminhamento incorreto acarreta sérios problemas para a saúde e o meio ambiente devido aos componentes dessas máquinas. No entanto, a reciclagem é obrigação das empresas fabricantes, além de companhias especializadas.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), geração mundial de lixo eletrônico pode alcançar dezenas de milhões de toneladas anuais. O problema pode ser evitado por meio da reciclagem de computadores, um processo que, como já mencionado, é obrigação dos fabricantes garantido por lei.

Confira mais detalhes sobre como funciona a reciclagem de computadores e o que fazer com seu computador velho.

O que é lixo eletrônico?

Lixo eletrônico, resíduo eletrônico ou computacional. Vários nomes para um só problema. Trata-se do termo utilizado para qualificar equipamentos eletroeletrônicos descartados ou obsoletos. Isso computadores, televisores, telemóveis/celulares, entre outros dispositivos. No geral, os equipamentos são descartados mediante obsolência ou algum defeito.

Os riscos do lixo eletrônico?

O grande problema do lixo eletrônico não é o espaço que ele ocupa, mas os danos sérios que podem ser causados ao meio ambiente. Na fabricação da maior parte dos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos, são usados metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio.

Imagine tudo isso jogado em um aterro sanitário como lixo comum, reagindo com a água da chuva ou do próprio lençol freático? Acontece a contaminação do solo e afluentes causando graves problemas para a saúde. O mercúrio, por exemplo, deteriora o sistema nervoso causando tremores, demência, perturbações motoras e sensitivas.

O chumbo ataca o sistema nervoso, rins e medula óssea, além de provocar alterações genéticas e câncer. O cádmio, por sua vez, provoca anemia, osteoporose e câncer de próstata e pulmão. O pior é que estes materiais são acumulativos, ou seja, quanto mais contato, maiores os danos à saúde.

Pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2010 denuncia que a geração de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas por ano. A maior parte dos resíduos pode ser reciclada, mas acaba tendo lixões e aterros sanitários como destinos finais.

No Brasil, o problema do lixo eletrônico é sério! Dados do Ministério do Meio Ambiente indicam que estamos entre os maiores produtores do mundo. De acordo com as informações, mais de 1,4 milhão de tonelada são produzidas por ano e, desse total, só 13% é tratado de forma correta.

Reciclagem pela lei

Um projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo prevê que o lixo eletrônico seja de responsabilidade de comerciantes, importadores e fabricantes. Entretanto, a iniciativa, apesar de válida, contempla apenas monitores, computadores e produtos magnetizados.

Na Europa, por outro lado, leis obrigam, desde 2002, que os fabricantes sejam responsabilizados pelo lixo eletrônicos, além de apenas produzir os chamados “micro verdes”. Isso significa que o equipamento precisa portar um sistema de economia energética, ser produzido nos padrões de gestão ambiental e não conter chumbo.

Por aqui, alguns produtos até trazem essa configuração, mas o caminho a ser percorrido ainda é longo. A Lei Federal n. 12.305, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi promulgada em 2010 incentivando o investimento em novas tecnologias para processamento dos resíduos eletrônicos.

Como é feita a reciclagem de computadores?

Certo, mas como resolver a questão do lixo eletrônico? Através da reciclagem de computadores! Trata-se do processo de reciclar partes ou a íntegra do equipamento para sua reutilização como matéria prima de novos produtos do ramo. Sim, a boa notícia é que a maior parte dos componentes de um computador são passíveis de reciclagem.

Até o chumbo, o “vilãozinho” do meio ambiente, pode ser usado na fabricação de pisos cerâmicos e pigmentos. Além de evitar que material volte para a natureza, evite que mais minério saia dela. O problema é que a maioria das empresas reutiliza apenas uma parte do material que pode ser reciclado, especialmente aquilo que lhe interessa.

O resto… bom, ninguém sabe para onde vai! A sorte é que instituições educacionais, como a Universidade de São Paulo (USP) desenvolvem projetos de reciclagem completa de materiais eletrônicos. O programa é o primeiro centro público de reciclagem de lixo eletrônico e está na ativa desde 2009.

Nele, equipes separam os materiais e os destinam às empresas especializadas. Assim, nada é descartado e tudo se aproveita! A carcaça, por exemplo, é feita de polímeros, material que pode ser derretido e transformado em outro tipo de plástico. Isso possibilita sua reutilização como matéria prima em outras indústrias.

E, afinal, o que pode ser reutilizado? Empresas especializadas na reciclagem de materiais oriundos de computadores recebem monitores, desktops, mouses, teclados, servidores, além de máquinas já obsoletas. Cada peça é avaliada por profissionais para que tenha o destino correto ecologicamente.

Aqueles que servirem para reutilização são recolocados no mercado enquanto o que não puder mais ser usado é reciclado. É importante que cada peça passe por avaliação devido à composição diferenciada. O que é feito de ferro é enviado para a reciclagem desse material. A mesma coisa para objetos de plástico e assim por diante.

Quais são os processos de reciclagem de computadores?

Veja o passo a passo de como é feita a reciclagem de computadores.

  • os Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE) são encaminhados aos postos coletores, mercados e revendedores de produtos eletrônicos
    depois, passam por uma triagem manual ou computadorizada, na qual há a separação dos equipamentos que podem ser usados dos que não são mais passíveis de uso
  • os aparelhos são desmontados, separando carcaça, vidro, placas e baterias com um destino para cada componente
  • a carcaça é triturada e separada conforme a densidade. Depois, os resíduos podem ser vendidos para empresas que utilizam polímeros presentes
  • também há a possibilidade de incineração para geração de energia, além do derretimento e transformação em outro tipo de plástico
  • o que for tóxico é colocado em tanques para armazenar esse tipo de resíduo e são destinados a empresas especializadas
  • o vidro é separado e passa por um processo de moagem e tratamento para posterior revenda
  • as baterias, por sua vez, são separadas e destinadas ao descarte ou reciclagem

O que fazer com meu computador antigo?

O ideal é tentar usar o computador até o fim da vida útil da máquina. Caso precise trocá-lo antes disso, tente doá-lo ou vendê-lo. Se não puder ser utilizado, é importante assegurar-se do descarte consciente por empresas especializadas no processo e o próprio fabricante. A companhia é responsável pela destinação correta graças à Lei de Resíduos Sólidos.

Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs)

Os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs) são um programa integrante da política de inclusão digital impulsionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em parceria com instituições responsáveis por ações de formação e recondicionamento de equipamentos.

Os centros atuam na recuperação de equipamentos de informática, formação de jovens em situação de vulnerabilidade social e descarte adequado de resíduos eletrônicos. Inicialmente, foram criados para recondicionar máquinas e formar jovens em regiões com alto grau de vulnerabilidade social.

Porém, passaram a incluir reciclagem de resíduos eletroeletrônicos prestando um serviço para a sociedade e ajudando na solução do problema da destinação correta dos materiais e componentes eletrônicos que não têm mais utilidade. Ademais, capacitam jovens por meio de oficinas, cursos e atividades práticas, estabelecendo formação cidadã e ambiental.

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