A Sabinada

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A ausência de um imperador durante o Período Regencial (1831-1840) provocou grande instabilidade política no país. O centralismo do governo federal no sudeste do país influenciou a eclosão de movimentos sociais em vários pontos do Brasil, as razões eram tanto de ordem econômica como políticas e sociais.

A heterogeneidade dos participantes refletia a insatisfação da população com os regentes. Se de um lado se sofria com o autoritarismo do governo e com o descaso em relação aos problemas sociais, do outro havia as disputas entre as elites locais pelo controle do poder.

A Sabinada caracterizou se mais pelo seu caráter político, o desejo de emancipação uniu as camadas médias da população em torno de um ideal de autonomia: cultos, intelectuais e militares da província contaram com o apoio de escravos e populares para a deflagração do movimento.

O que foi a Sabinada?

A Sabinada foi um movimento ocorrido na Bahia, entre os anos de 1837 e 1838, se diferenciou das outras rebeliões regências por ter sido liderada por um membro da classe média, a liderança mais abastada não significou a ausência da participação de pobres e escravos.

O nome da rebelião se originou no nome do médico e professor da Escola de Medicina de Salvador, Francisco Sabino, que se destacou como coordenador da revolta. Funcionários públicos, militares, intelectuais, comerciantes se uniram na tentativa de alcançar maior autonomia provincial.

Motivos e Objetivos da Sabinada

Uma das determinações da Constituição promulgada em 1824 dizia respeito à autonomia do governo em escolher os presidentes da província, o que era visto com desconfiança e indignação pelas elites provinciais.

A medida demonstrava a falta de prestígio político das autoridades locais que enxergavam no federalismo a solução para os problemas regionais. Os revoltosos se embasavam no Ato Adicional de 1834 que prometia conceder mais liberdade econômica e política as províncias, o que não foi concretizado.

O objetivo dos participantes da Sabinada era proclamar a emancipação política da província da Bahia e fundar uma república independente enquanto o imperador D. Pedro II estivesse impossibilitado de assumir o trono.

A menoridade do monarca o impedia de ser empossado, o que deveria acontecer no ano de 1843. O estopim da revolta ocorreu quando o governo central decretou o recrutamento militar obrigatório para combater outra rebelião regencial, a Revolução Farroupilha.

Revolta

No dia sete de novembro de 1837, os revoltosos invadiram Salvador, a ação resultou na proclamação da República Bahiense. Uma das estratégias para conquistar mais adeptos, foi à promessa de libertação para os escravos que lutassem em prol dos ideais da Sabinada.

A esperança de um governo republicano sem escravidão atraiu o apoio da população de negros cativos. A participação de militares acabou promovendo a invasão de diversos quartéis. O governo provincial tentou reagir enviando para a região soldados representantes dos interesses do governo, mas estes acabaram aderindo à causa dos rebeldes.

Os ideais republicanos conquistavam cada vez mais simpatizantes, as reivindicações do movimento agradavam mais a classe média, a ausência de objetivos que atendessem as camadas mais pobres da população levaram essa parcela da sociedade a desacreditarem na importância da Sabinada.

Uma vez proclamada à república era necessário escolher o presidente, e o eleito pelos líderes da revolta foi o advogado Rocha Galvão, seu vice seria João Carneiro Rego. Apesar de toda a estrutura governamental organizada, a independência da província baiana durou apenas quatro meses.

O governo central exercido pelo comando do regente Araújo Lima enviou tropas militares que cercaram a região da rebelião, o que ocasionou o isolamento da cidade de Salvador, capital da província rebelada. A autoridade governamental reprimiu o movimento contando com o auxílio dos senhores de engenho, acuados os revoltosos foram derrotados.

Consequências

Em 1838 a revolta conhecida como Sabinada chegou ao fim, o saldo contabilizava cerca de duas mil mortes, incluindo as dos principais líderes, além de milhares de prisioneiros. Apesar da derrota, o movimento representou mais uma vez um descontentamento generalizado, a insatisfação com a centralização e o caráter autoritário do governo.

As rebeliões sociais dariam uma trégua a partir de 1840 com a ascensão de D. Pedro II ao poder, o Segundo Reinado desfrutaria de relativa tranquilidade. Seguindo o exemplo de outras rebeliões, os líderes da Sabinada foram punidos com a morte ou degredo em solo brasileiro. Alguns conseguiram fugir e aderiram ao movimento da Revolução Farroupilha no sul do país.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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