Verão intenso no Brasil: ‘forno’ a céu aberto no Carnaval preocupa especialistas
Especialistas alertam para persistência de altas temperaturas no Brasil até o outono, prolongando a "fornalha" do verão.
O Brasil enfrenta um verão intenso, com temperaturas que devem continuar acima da média até o outono, segundo especialistas. As condições de alta pressão atmosférica têm mantido as regiões mais populosas do país em uma verdadeira “fornalha”.
Climatologistas destacam que a situação atual impressiona cientistas pela frequência e persistência das ondas de calor. Mesmo temporais isolados não têm sido suficientes para amenizar a situação.
O Rio de Janeiro, por exemplo, registrou apenas 11 mm de chuva até o dia 24 deste mês, correspondendo a apenas 7% do esperado para o período, conforme dados do Climatempo. Essa falta de precipitação é alarmante em um período tradicionalmente chuvoso.
Pressão atmosférica e suas consequências
Segundo especialistas, o sistema de alta pressão tem bloqueado a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), responsável por trazer umidade e chuvas ao Sudeste. Esse bloqueio intensifica o calor.
Com isso, ondas de calor têm sido prolongadas, com duração média de 15 a 20 dias, um aumento significativo comparado a períodos anteriores aos anos 2000. Essa situação vem gerando preocupação quanto à disponibilidade de água no futuro próximo.
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Impactos no Sudeste e influências oceânicas
Um estudo revela que o calor também afeta o Oceano Atlântico Sul, resultando em temperaturas elevadas que influenciam o continente. No Rio de Janeiro, por exemplo, as máximas diárias superaram os 35°C em fevereiro.
A ressurgência, que poderia trazer águas frias e aliviar o calor, está sendo impedida pela bolha de alta pressão. Além disso, a falta de chuva pode trazer consequências para o abastecimento hídrico na segunda metade do ano.
Ondas de Rossby e mudanças climáticas
Ondas gigantes conhecidas como Rossby, geradas naturalmente no Índico, têm contribuído para deslocar o anticiclone sobre a América do Sul. Esse fenômeno é intensificado pelas mudanças climáticas.
Por fim, cientistas enfatizam que a atmosfera mais aquecida pelas emissões de gases de efeito estufa está fortalecendo esses bloqueios, similarmente ao El Niño. A situação atual alerta para a necessidade de estratégias de adaptação às mudanças climáticas.
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