A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) anunciou o fim da parceria com a Universidade de Haifa, em Israel. O rompimento, aprovado por 46 dos 54 votos da congregação, foi motivado pelas recentes ações militares do governo israelense na Faixa de Gaza.
O acordo entre as instituições estava previsto para vigorar até maio de 2026, mas denúncias de violações de direitos humanos contra palestinos influenciaram o desfecho.
A medida da FFLCH-USP se insere em uma tendência observada em outras universidades brasileiras, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), que também decidiram encerrar laços com instituições israelenses.
Segundo a Faculdade, a decisão reforça seu posicionamento em questões de ética e direitos humanos, indicando que colaborações acadêmicas não se mantêm indiferentes a contextos políticos e sociais controversos.
Mobilização interna para o fim da parceria
O conflito entre Israel e Hamas, iniciado em 7 de outubro de 2023, reacendeu debates globais sobre ética, direitos humanos e o papel das universidades em crises internacionais. Após ataques do Hamas contra Israel, a resposta israelense desencadeou uma ofensiva militar que provocou repercussão mundial.
Dentro da USP, estudantes e professores se mobilizaram, refletindo sobre as implicações éticas de manter ou interromper colaborações acadêmicas com instituições israelenses.
A FFLCH tomou uma posição que dividiu opiniões: recomendou o rompimento de parcerias acadêmicas com Israel. A medida visa protestar contra o uso de pesquisas em contextos militares e defender uma postura ética diante do conflito.
Entre os estudantes, alguns celebram a decisão como um gesto de consciência social e engajamento ético, enquanto outros questionam a eficácia e os efeitos práticos de tal boicote.
O debate na universidade reflete um dilema complexo: como conciliar liberdade acadêmica, cooperação internacional e responsabilidade ética em situações de conflito.
Impacto e opiniões sobre ética
Especialistas em diplomacia e estudantes têm visões opostas sobre a medida. Daphne Klajman, mestre em diplomacia, argumenta que o boicote acadêmico pode prejudicar mais os árabes e palestinos em Israel do que os militares ou autoridades responsáveis pelo conflito.
Para ela, interromper colaborações acadêmicas não promove a paz, mas intensifica exclusões e limita oportunidades de aprendizado e desenvolvimento científico.
Por outro lado, João Conceição, membro da Comissão de Cooperação Internacional da FFLCH, enxerga o boicote como uma vitória ética. Ele defende que a universidade deve impedir que o conhecimento seja utilizado como ferramenta de guerra e incentivar outras instituições a adotarem medidas semelhantes.
A divergência entre Klajman e Conceição evidencia a dificuldade de encontrar soluções que conciliem princípios éticos e impactos práticos.
