Você dorme de coberta mesmo no calor? A ciência tem uma explicação

O hábito de se cobrir para dormir possui vários benefícios, mesmo em noites quentes.


Mesmo com o termômetro nas alturas, o corpo pede cobertura na hora de dormir. Pesquisas mostram que cerca de 65% das pessoas só conseguem pegar no sono sob um lençol, cobertor ou edredom, independentemente da estação.

O comportamento não é capricho: ele dialoga com processos neurológicos, sensação de segurança e hábitos formados na infância.

Estudos mais recentes reforçam essa lógica. Pesquisadores de diversas universidades associaram o uso de cobertas à diminuição da ansiedade noturna, o que faz delas aliadas do relaxamento. O peso suave ajuda o corpo a desligar-se mesmo em noites quentes.

Como o corpo responde à coberta

O apego à coberta não surge como uma mania isolada. Pesquisas estimam que 65% das pessoas só relaxam debaixo de algum tecido, seja lençol, cobertor ou edredom. O fenômeno parece amplo e resistente até em noites quentes.

Quando a pele encontra uma cobertura, o sistema nervoso parassimpático entra em cena. Ele reduz os batimentos cardíacos e alivia a tensão muscular, o que acalma o corpo para adormecer. A rotina repetida reforça essa ligação entre o toque e o descanso.

O padrão se repete em diferentes culturas e climas, o que levou a ciência a investigar o fenômeno. Em 2011, o Departamento de Anestesiologia da Universidade da Califórnia, nos EUA, observou que a pressão leve exercida por cobertas favorece o relaxamento, melhora o sono e até reduz a percepção de dor crônica.

Por isso, a compressão leve desponta como uma aliada fisiológica.

Peso que acalma e química do sono

Nos últimos anos, cobertores com peso (weighted blankets) viralizaram entre os consumidores. A lógica coincide com os achados: mais pressão, maior sinal de descanso. Além disso, muitos relatam conforto imediato, embora a experiência individual varie e dependa da preferência pessoal.

Na Austrália, equipes da Universidade de Flinders e da Universidade de Adelaide observaram um ganho emocional. Dormir coberto reduziu sinais de ansiedade e ajudou o cérebro a desacelerar antes do sono. Portanto, o efeito não se limita ao corpo, alcança também o humor.

Serotonina na fase REM

Durante a fase REM, quando os sonhos ganham palco, os níveis de serotonina caem de forma acentuada. Diversos estudos sugerem que cobertas, sobretudo as mais pesadas, estimulam a produção desse neurotransmissor. Assim, a sensação de estabilidade emocional aumenta e compensa a queda temporária.

A raiz do hábito

O costume também nasce do cotidiano. Bebês têm dificuldade para regular a própria temperatura, e os cuidadores os cobrem para protegê-los. Com o tempo, o cérebro associa a cobertura ao início do descanso e, portanto, a preferência se consolida na vida adulta.

A ideia de que a coberta reproduz uma memória do útero aparece com frequência. No entanto, pesquisadores consideram essa hipótese improvável.

Por outro lado, a explicação sensorial ganha espaço: materiais macios agradam ao toque. Ainda faltam estudos conclusivos, mas o conforto pode falar mais alto.

No conjunto, o gesto de puxar o lençol no calor deixa de parecer uma contradição quando fisiologia, emoção e memória aprendida se combinam para favorecer o adormecer. Portanto, entender esses mecanismos ajuda a explicar por que o corpo insiste na cobertura noturna.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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