Você também? Mais da 60% da população se identifica como classe média no Brasil

Pesquisa da Quaest destaca percepção de pertencimento à classe média, refletindo aspectos econômicos e sociais.

O Brasil vivencia um momento de transformação em sua estrutura social, com a classe média emergindo como o grupo mais numeroso. Uma recente pesquisa realizada pela Quaest revela que 66% dos brasileiros se consideram parte dessa categoria, demonstrando um aumento na percepção de pertencimento.

A ascensão da classe média ocorre após um aumento nos rendimentos das famílias nos últimos anos. Esse crescimento reflete não apenas melhorias financeiras, mas também um forte senso de identidade social.

A pesquisa indica que muitos brasileiros, mesmo das classes baixa e alta, se identificam com a classe média como um referencial de status e estabilidade.

Classe média: percepção de status e estabilidade econômica

Entre as pessoas classificadas como pertencentes à classe baixa, 55% se enxergam como parte da classe média. Já na classe alta, o número chega a 81%.

O fenômeno da percepção equivocada ilustra um fator cultural e social segundo o qual a classe média é um referencial de status para os brasileiros, e não apenas um grupo econômico.

Realizado com 2.000 entrevistados ao longo de 2024, o estudo oferece uma visão abrangente das diferenças e similaridades entre as classes sociais no Brasil. Com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, os dados fornecem um panorama detalhado sobre percepções de posição econômica e social.

A importância da casa própria

Possuir um imóvel é um símbolo de êxito financeiro no Brasil. Na classe média, 59% dos entrevistados já quitaram suas residências, enquanto 25% ainda vivem de aluguel. Por sua vez, a classe baixa tem uma maior dependência do aluguel, com 29% nessa situação.

Famílias e relações conjugais

O tamanho das famílias e os arranjos familiares também variam entre as classes. Na classe média, 28% dos lares têm três pessoas, semelhante à classe alta.

No estado civil, a classe baixa tem mais solteiros (39%), enquanto o casamento é predominante na classe alta (40%).

Finanças, educação e papel do Estado

A classe média está mais integrada ao sistema financeiro, com 84% possuindo conta bancária e 79% utilizando o Pix. Entretanto, o uso do cartão de crédito ainda é menor em comparação à classe alta, onde 73% possuem cartão.

As prioridades financeiras também divergem. Na classe alta, 24% economizam para o futuro, enquanto a classe baixa destina 15% para ajudar parentes em emergências. A visão de que “dinheiro é para gastar” é mais prevalente na classe baixa, com 85% concordando.

O consenso sobre serviços essenciais, como saúde e educação, é quase total entre as classes, mas a tributação sobre os mais ricos gera divergências. Para 35% da classe alta, impostos mais altos não são bem-vindos.

Quanto à educação, a classe baixa valoriza mais a formação acadêmica, vendo-a como um caminho para a ascensão social. A crença na importância de um diploma é maior entre os menos favorecidos economicamente.

Preocupações sociais e interesse político

As preocupações com segurança e criminalidade são comuns às classes média e baixa, enquanto para a classe alta, a corrupção é o principal problema.

A alta nos preços dos alimentos afeta todas as classes, sendo a classe média a que mais sente esse impacto.

Outra revelação da pesquisa é que a classe baixa demonstra menos interesse por política. Já no consumo de notícias, as redes sociais são uma importante fonte de informação para todas as classes, com variações no uso de televisão e redes sociais como principais meios.

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