A Escravidão No Brasil

A escravidão no Brasil surgiu como uma forma de suprir a necessidade crescente de mão de obra nas lavouras de cana de açúcar em expansão na colônia.

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Introdução: História da escravidão no Brasil

A escravidão no Brasil surgiu como uma forma de suprir a necessidade crescente de mão de obra nas lavouras de cana de açúcar em expansão na colônia. Antes o trabalho era realizado pelos indígenas, mas com o aumento da agricultura agro exportadora eles se tornariam insuficientes

Os portugueses viram no negro africano o trabalhador ideal para a dura rotina das fazendas açucareiras. Em um primeiro momento a intenção do colonizador era apenas usá-los como uma mão-de-obra barata que favoreceria o aumento da produção e consequentemente a geração de lucros, no entanto à medida que o negócio se tornava rentável eles perceberam que a venda de negros poderia ser o caminho para um lucrativo comércio.

Desde a antiguidade, inúmeras civilizações adotaram a prática de escravizar outros povos, seja por pura demonstração de poder e força ou simplesmente para utilizá-los como força de trabalho, o que seria o caso dos colonizadores europeus a partir do século XV.

A história da escravidão negra na América se destacada pelo tratamento cruel destinado a esses povos. Esse sistema econômico vergonhoso baseado na dominação e exploração dos negros duraria por mais de três séculos e deixaria marcas profundas em nossa sociedade.

As grandes navegações iniciadas no século XV se tornariam uma grande corrida dos europeus em busca de riquezas e escravos. Essa expansão marítima seria responsável por unir três grandes continentes:

  • Europa
  • África
  • América

Nesse empreendimento os portugueses se destacaram pelo pioneirismo, graças aos estudos dedicados a técnicas de navegação. Portugal instalaria no continente africanos vários entrepostos comerciais conhecidos como feitorias, esses locais serviam como ponto de armazenamento e partida de riquezas acumuladas para a Europa que depois seriam revendidas na América.

Nesses locais também seriam capturados e comercializados os negros escravizados, sua mercadoria mais rentável. O escambo (troca) era o sistema econômico utilizados nas transações comerciais entre portugueses e africanos, o colonizador estabeleceu alianças com povos africanos, dessa forma estese forneciam escravos conquistados em guerras com povos inimigos em troca de mercadorias como tecidos, armas, vinho, ferro, etc..

A grande maioria dos escravos comercializados com os portugueses era originária de regiões como Cabo Verde, Congo, Quiloa e Zimbábue, estavam divididos em três grupos: os sudaneses, guinenos sudaneses muçulmanos e bantus. O colonizador apresentava uma preferência por escravos provenientes de localidades distintas, o que seria uma estratégia para dificultar a comunicação entre eles, sendo que algumas etnias não falavam a mesma língua e o que seria importante, na visão dos europeus, para evitar a eclosão de possíveis rebeliões.

Condições da Escravidão

Após a captura os escravos eram enviados para a América em navios negreiros, conhecidos também como tumbeiros, recebiam esse nome devido às péssimas condições dos porões onde eram transportados. Amontoados um nos outros em porões escuros, úmidos sujos e insalubres, os navios assemelhavam-se a uma tumba.

A viagem durava em média de trinta a quarenta e cinco dias, os escravos permaneciam acorrentados por todo o percurso, ali faziam as suas necessidades e se alimentavam o que facilitava a disseminação de doenças.

Muitos morriam no trajeto e seus corpos permaneciam por vários dias sem que ninguém percebesse, quando eram notados seriam lançados ao mar, a convivência com os cadáveres contribuía ainda mais para o aumento das terríveis condições de higiene dos navios.

Outra doença que acometia os prisioneiros dos tumbeiros era o Banzo, enfermidade da alma, provocada pela dor da saudade e angústia por estar partindo de sua terra natal e afastando-se de seus entes queridos. Os sintomas dessa doença assemelham-se ao da depressão.

Quando os navios negreiros aportavam no Brasil, logo os seus ocupantes eram negociados com os mercadores de escravos, o principal destino seria as lavouras de cana-de-açúcar na região Nordeste. Nos engenhos, a intensa rotina de trabalho estava acompanhada dos constantes castigos físicos, o açoite era o mais comum deles. Os maus tratos eram recorrentes e serviam de lição para aqueles que tentassem fugir ou apresentasse um comportamento insolente.

Escravo sendo açoitado

O corte de cana era realizado de sol a sol, findava com o cair da noite, momento em que os negros eram recolhidos as senzalas, grandes galpões escuros e sujos, ali dormiam acorrentados para que a fuga fosse evitada.

Os castigos físicos, a alimentação precária e a proibição de práticas religiosas de culturais africanas se tornaram características marcantes desse sistema socioeconômico implantado no país. Os escravos foram obrigados a aprender o idioma local e tiveram que adotar a religião imposta pelo dominador, o catolicismo. Mas sempre que possível, os negros conseguiam praticar os seus rituais, o que era uma forma de matar a saudade da terra mãe. A mistura da religião católica com os rituais africanos daria origem ao sincretismo religioso, presente até hoje em algumas religiões brasileiras.

Resistência

Ao contrário do que se imagina, nem todos os negros reagiram de forma passiva à escravidão, a maior demonstração de resistência negra foram às fugas para os quilombos, comunidades organizadas em localidades afastadas que abrigavam os escravos fujões.

O quilombo mais famoso de nossa história foi o Quilombo dos Palmares, localizado na antiga capitania de Pernambuco na região da serra da barriga. Um dos seus líderes foi o lendário Zumbi dos Palmares. Alguns negros conseguiam comprar a tão sonhada carta de alforria após uma vida inteira juntando alguns trocados, mas infelizmente quando alcançava esse objetivo à sociedade não demonstrava receptividade com os recém-libertos, o que gerava grande dificuldade de integração do negro.

Abolição da Escravidão

No século XIX, mais precisamente no ano de 1850 a implantação da Lei Eusébio de Queirós proibiria o tráfico internacional de escravos. A lei só foi aprovada no Brasil após longa pressão exercida pelos ingleses, baseados na recente legislação conhecida como Bill Aberdeen à Inglaterra desejava por fim no comércio de negros entre a África e a América, caso a lei fosse descumprida eles se davam o direito de afundar os navios que estivessem fazendo esse tipo de transporte.

A Lei Eusébio de Queirós surtiu pouco efeito, o tráfico continuaria sendo praticado por vias ilegais. Outras leis como a Lei do Ventre Livre e a Lei do Sexagenário foram decretadas, mas tiveram pouca serventia ocasionando apenas um adiamento da abolição.

A escravidão no Brasil só chegaria ao fim em 1888, quando a princesa Isabel filha de Pedro II assinou a Lei Áurea. Os abolicionistas comemoraram com entusiasmo a liberdade dos cativos, porém a vida dos negros dali em diante não seria nada fácil.

Séculos de escravidão deixariam impregnado o preconceito em nossa sociedade, os negros eram vistos com maus olhos por aqueles que eram contrários à abolição, os ex-escravos encontravam dificuldade em arranjar trabalho, a situação os empurrava para a margem dos outros cidadãos. Até hoje o preconceito está presente na sociedade brasileira, às vezes de uma forma velada, mascarada, mas mesmo assim presente.

O governo para corrigir esse grave erro histórico recorre à adoção de políticas públicas a exemplo do sistema de cotas nas universidades, como forma de remediar os danos gerados por um dos capítulos mais vergonhosos de nossa história: o comércio de seres humanos.

Lorena Castro Alves
Graduada em História e Pedagogia

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