Brincadeiras tradicionais da Região Centro-Oeste do Brasil

Cada região brasileira tem seu próprio conjunto de tradições e, nele, brincadeiras que foram transmitidas por gerações e são praticadas, ainda hoje.

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Jogos, séries, desenhos, canais do YouTube, Netflix, Galinha Pintadinha… ufa! É tanta informação bombardeando as nossas cabeças (e as das crianças) que ficamos perdidos e, de fato, nem conseguimos acompanhar tanta novidade!

Obviamente, as novas tecnologias trouxeram benefícios inestimáveis para a ampliação da informação. Graças à internet, o mundo ficou pequeno e conseguimos conhecer hábitos e costumes de regiões que, talvez, nem cheguemos a conhecer pessoalmente.

A questão é que, diante de tamanhas possibilidades, corremos o risco de nos esquecer de nossas próprias raízes. Perdidas em frente a um computador por horas, crianças têm deixado de aproveitar o mundo lá fora, enterrando brincadeiras tradicionais.

O Brasil, indubitavelmente, é um país rico em termos de herança cultural. Devido à miscigenação, nosso vasto território concentra, em uma mesma região, traços europeus em meio às tradições indígenas e africanas. Quer riqueza maior que essa?

E, o mais interessante, é que cada região tem sua própria história, sua própria identidade no quesito tradição. Em meio a tantos itens, as brincadeiras regionais aparecem como a forma mais pura de entretenimento. Daí, a necessidade de resgatá-las!

Educadores têm papel fundamental nesse resgate. Por meio de atividades desenvolvidas na escola, é possível trazer de volta aquelas brincadeiras que praticávamos lá atrás, quando éramos crianças.

Além disso, é uma forma de trabalhar as características próprias das cinco regiões do Brasil, ao separar as brincadeiras tradicionais de cada uma. O Escola Educação começa, hoje, com as brincadeiras típicas da Região Centro-Oeste. Vamos conhecê-las?

BALANÇA CAIXÃO

Muito conhecida, a brincadeira tem sua origem na Cidade de Goiás (GO) e é feita da seguinte forma:

– uma criança se senta em um banco e será considerada como rei/rainha. Outra fica de servo/serva e apoia o rosto no colo do rei/rainha. As demais formam uma fila atrás da criança que está servindo, apoiando-se nas costas umas das outras. Daí, a fila balança para os lados enquanto as crianças cantam em coro: “Balança caixão, Balança você, Dá um tapa nas costas e vai se esconder”. Nesse ponto, o último da fila dá um tapinha nas costas do colega da frente e se esconde. Isso deve ser feito até chegar ao servo/serva, que deve procurar as outras crianças.

FRUTA, FRUTA, FORA

Originada em Alto Paraíso (GO), começa com os participante desenhando um retângulo no chão, dividindo-o em seis partes quadradas. Em uma das pontas, desenham uma meia-lua com a palavra TODOS. Em cada quadrado, as crianças escrevem uma palavra, seguindo a ordem fruta-comida-objeto-eles-elas-cores. O primeiro jogador dá dois pulinhos dentro da primeira casa e um para fora, dizendo “fruta, fruta, fora”. Depois, recomeça, pulando para as outras casas sem, no entanto, passar pela meia-lua. Nesse trajeto diz, duas vezes, o nome de uma fruta diferente em cada casa. Quando volta para a primeira, repete “fruta, fruta, fora”, pulando para fora. Por exemplo: fruta, fruta na primeira casa, maçã, maçã na segunda, e assim vai, até chegar na sexta casa. Fruta, fruta fora na primeira casa para, depois, pular para fora do desenho. Quem completar o primeiro trajeto sem errar, recomeça da segunda casa, trocando a frase para “comida, comida fora”. E assim, vai até chegar na meia-lua TODOS. Se chegar até aí sem errar, segue repetindo os nomes das casas, assim: Todos, todos (meia-lua); Fruta, fruta (primeira casa); Comida, comida (segunda casa); Objeto, objeto (terceira casa); Eles, eles (quarta casa); Elas, elas (quinta casa); Cores, cores (sexta casa); Todos, todos, fora”. Quem conseguir fazer o primeiro percurso, o refaz de um pé só na segunda fase, de costas na terceira, de costas e um pé só na quarta e, nas últimas duas, percorrem o desenho pulando como sapos.

AMARELINHA

Uma das brincadeiras de rua mais tradicionais do Brasil, tem sua origem em Cuiabá, no Mato Grosso! Primeiro, o grupo desenha a amarelinha no chão, assim como na figura. Depois, um a um, precisam atravessar a amarelinha. O primeiro participante joga uma pedrinha no número 1 e, depois, vai pulando com um pé só os quadrados e, com os dois, os retângulos, um em cada número. Quando chegar ao “céu”, pula com os dois pés juntos e retorna, da mesma forma. Ao chegar ao quadrado 2, precisa pegar a pedrinha que ficou no quadrado 1 e, em seguida, saltar fora. Se a pedrinha estiver em um dos retângulos, o número do lado deve ser pulado com um pé só. O jogo segue com a pedrinha sendo lançada em cada número e, a cada vez que for apanhada, o jogador deve pular fora. Quando o jogo todo for completado e o participante chegar ao “céu”, ele deve fazer o caminho de volta.

CINCO MARIAS

Mais uma que vem de Cuiabá! As “marias” são pequenos saquinhos de pano recheados de areia ou pedrinhas colhidas. A brincadeira é feita em várias fases e o ganhador é o que vai mais longe. Primeiro, os cinco saquinhos são lançados no chão. O jogador escolhe um deles e joga para o alto mas, ao mesmo tempo, precisa pegar outra Maria que está no chão, com a mesma mão, e tentar recuperar a que jogou, sem deixá-la cair. Se conseguir pegar todas, vai para a próxima etapa. Na segunda, o desafio é pegar duas Marias que estão no chão antes de agarrar a que foi jogada. O jogo segue até a quarta etapa, quando a criança precisa recolher quatro peças. Na quinta etapa, as Marias são colocadas de volta ao chão. Em seguida, o jogador precisa fazer uma ponte com uma das mãos. A regra é que a mão esquerda fique apoiada no solo pelas pontas do polegar e do indicador. Depois, a criança joga uma peça para cima, enquanto passa uma Maria de cada vez por baixo da ponte. A que está no ar precisa ser recolhida antes de cair no chão. O jogador que errar passa a vez para o próximo, retomando de onde parou quando chegar a sua novamente.

CHOCOLATE INGLÊS

Essa brincadeira originada, também, na cidade de Cuiabá, tem variações conforme a região do país. Mas, no Centro-Oeste, habitualmente, ela funciona assim:

– as crianças se colocam de pé, em círculo, colocando uma mão sobre a outra com a palma virada para cima. Todas cantam “Chocolate inglês, tá na boca do freguês, de primeira qualidade” e batem na mão do colega sentado à esquerda, de forma sucessiva. Assim que a música termina, o que teve a mão tocada por último pisa no pé do que estava ao lado mas, se não conseguir, pode escolher outro que estava na roda. E assim, sucessivamente. Quem leva a pisada precisa sair da roda e a brincadeira segue até restar uma só criança.

PÃO NA CASA DO JOÃO

Com origens na Cidade de Goiás (GO), a brincadeira começa formando uma roda na qual todos sentam no chão. Em seguida, começam a cantar a música “O Fulano comeu pão na casa do João”, sempre repetindo por duas vezes, citando nome de alguém que está na roda. A criança diz: “Quem, eu?”. O grupo responde: “Você sim!”. A pessoa diz: “Eu não!”. O, então, grupo pergunta: “Então quem foi?”. E criança responde: “Foi Fulana!”, citando o nome de outro colega do grupo. Para que a brincadeira termine, o diálogo muda para “Quem, eu?”. O grupo, então, responde:”Você sim!”, ao que a criança responde: “Comi mesmo!”. O grupo grita: “Gulosa! Gulosa!”

PARARA PARATI

Brincadeira de palmas inventada na Cidade de Goiás. Dois participantes batem palmas, enquanto cantam a música:

“Parará
Parati, parará
Pereti, pararará
Pereré
Pereti, pereré
Pereti, perereré
Piriri
Piriti, piriri
Piriti, piririri
Pororó
Poroti, pororó
Poroto, porororó
Pururu
Puruti, pururu
Puruti, purururu
Pãorãorão
Pãorãoti, pãorãorão
Pãorãoti, pãorãorãorão”

ADEDONHA

Essa vem de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Primeiro, todos dizem “adedonha” e colocam o número de dedos que quiserem à mostra. Depois, contam como se cada um deles correspondesse a uma letra do alfabeto. Daí, precisam dizer palavras com a letra escolhida até que alguém erre. O que errar, toma um tapinha com dois dedos.

GALINHA, PINTINHO E RAPOSA

Primeiro, as crianças separam quem vai ser a galinha, a raposa e os pintinhos. Estes ficam a certa distância da galinha, enquanto a raposa fica entre eles. Os pintinhos cantam “piu, piu, piu”, ao que a galinha responde, chamando-os. Enquanto isso, a raposa vai demonstrando sua fome, com urros e rosnado. Quando os pintinhos correm em direção à galinha, a raposa deve tentar pegá-los. Continua na brincadeira quem conseguir tocar na mão da galinha. Os que são pegos devem ficar em fila, atrás da raposa, saindo da brincadeira. Ganha o que for o último devorado pela raposa.

BARRA MANTEIGA

A brincadeira foi criada em Alto Paraíso, Goiás. Nela, as crianças se dividem em dois grupos de quatro para, depois, desenhar uma linha no chão, dividindo os campos. Cada grupo fica em seu próprio campo, perto da linha, estendendo as mãos. Para começar, uma sai correndo de um grupo, bate na mão de um colega da equipe adversária e volta correndo. O que levou o tapa precisa correr atrás de quem bateu. Se o adversário tiver chegado ao seu próprio grupo e passado da linha, então, o participante precisa bater na mão de outro colega. Se quem levou o tapa entrar no campo do time adversário durante a corrida, tem que ir para esse time. Ganha o time que tiver mais pessoas no final.

MÃE DA RUA

Uma das crianças precisa ser escolhida como a mãe da rua. As demais, então, se dividem em dois grupos que devem ficar separados, um de cada lado. A mãe da rua fica entre eles. Os jogadores precisam atravessar o espaço, pulando de um pé só, enquanto a mãe da rua tenta pegá-los. O que for capturado pode ajudar a pegar os demais, correndo com os dois pés. O primeiro que for capturado será a próxima mãe da rua e brincadeira só termina quando todos forem apanhados.

TELEFONE SEM FIO

Telefone Sem Fio

Os cuiabanos sabem inventar uma boa brincadeira, não é? No Telefone sem Fio, as crianças foram uma roda bem grande. Uma delas cochicha uma frase no ouvido de quem está ao lado e essa frase precisa ser repassada até chegar ao final da roda. Quando a sentença chega na última criança, essa deve repetí-la bem alto.

RIO VERMELHO

As crianças se dispõem em um canto da quadra ou da rua, enquanto uma delas fica separada, escolhida como o “pegador”. O grupo pergunta “Queremos atravessar o rio vermelho”, ao que o pegador responde “Só se tiver a minha cor”. O grupo, depois, pergunta “Que cor?”. A criança, então, escolhe uma cor e, o colega que a tiver em algum detalhe da roupa ou sapato, pode atravessar. Os outros podem tentar passar para o outro lado mas, sem deixar que o pegador os apanhe. O primeiro a ser pego, é o próximo pegador.

A MENINA QUE ESTÁ NA RODA

Essa vem da terra de Cora Coralina, a Cidade de Goiás. As crianças se colocam em roda, cantando:

“A menina que está na roda
É uma gata espichada
Tem a boca de jacaré
E a saia remendada
Lá vem seu Juca-ca
Com a perna torta-ta
Dançando valsa-sa
Com a Maricota-ta
Papai me disse-se
Que é pecado-do
Subir no morro-ro
Com namorado-do”

No final da música, todos se abraçam. Quem ficar sozinho vai para o meio da roda.

PIQUE FRUTA

Mais uma da Cidade de Goiás! O grupo escolhe uma pessoa para ser o pegador e correr atrás dos demais. Para não ser pego, o jogador precisa dizer um nome de fruta que ainda não tenha sido citada. Se não disser ou repetir e ser tocado, será o próximo pegador.

CADA MACACO NO SEU GALHO

Brincadeira bem legal que vem de Campo Grande (MS)! As crianças precisam ficar penduradas em galhos. Uma delas fica embaixo da árvore e precisa escolher um colega para descer do seu galho e contar até dez com os braços abertos, como os ponteiros de um relógio que bate às 12. Se a pessoa descer, ele corre atrás dela para pegá-la. Se não, ela precisa subir na árvore e tentar pegá-la lá em cima. Se conseguir fica no galho, quem foi pego tem que descer e fazer as vezes do pegador.

FUI À FEIRA

A última sugestão vem de Campo Grande e se brinca assim. Um jogador diz em voz alta “Fui à feira e comprei…”, dizendo o nome de uma fruta ou qualquer coisa que seja comprada no mercado. O colega precisa repetir a frase do primeiro, acrescendo outra compra, e por aí vai. Ganha quem se lembrar de todas as mercadorias e disser a sua sem repetir alguma que já tenha sido falada.

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