Saiba mais sobre os efeitos da radioatividade no corpo humano

A radiação pode ajudar no tratamento de doenças mas, dependendo do grau de radiação, pode haver a falência do sistema imunológico e, em quantidades extremas, até a morte.

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No dia 26 de abril de 1986, operadores da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, erraram a fazer testes em um dos reatores, ocasionando uma explosão de Urânio-235, elemento de alto poder radioativo. O saldo foi de 30 mortos e 1.800 notificações de câncer na tireóide.

Goiânia, 1987. Cápsula com Cloreto de Césio 137 foi exposta após catadores de lixo desmontarem uma máquina de radiografia abandonada. O maior acidente radiológico do Brasil deixou quatro mortos imediatos e consequências graves nos sobreviventes.

A cidade de Fukushima, no Japão, foi a vítima mais recente de acidentes nucleares. Em 2011, um terremoto de 8,9 na escala Richter provocou danos severos na usina nuclear localizada a nordeste da ilha, causando três explosões.

Os três casos acima mostram a gravidade da exposição excessiva à radioatividade. Ainda que, em quantidades pequenas, elementos radioativos tenham utilidades importantes, grau elevado de radiação pode levar à morte.

A seguir, trataremos do assunto sobre os efeitos da radioatividade no corpo humano com maiores detalhes, desde seu uso na medicina até consequências graves por exposição.

O que é a radiação?

A radiação é a propagação de qualquer tipo de energia por meio de ondas. Isso vale, inclusive, para a luz e calor. Acontece que alguns elementos químicos têm propriedades instáveis, ou seja, não há equilíbrio entre as partículas que formam seu núcleo.

Consequentemente, raios do tipo gama são liberados com capacidade de penetrar na matéria de forma profunda. E quanto às radiações ionizantes? Tratam-se do tipo de radiação que faz mal aos organismos vivos e está além do espectro visível.

É o tipo de radiação que ocorre quando há uma fissão nuclear. Suas ondas eletromagnéticas têm frequência muito elevada capazes de alterar a disposição de cargas de um átomo, mudando sua forma de interação com os demais.

Assim, ocorre a ruptura de enlaces que mantêm as moléculas unidas dentro da célula. Como consequências, podem surgir queimaduras internas e externas, além de mutações genéticas e danos irreversíveis às células.

O que é gray? E Sievert?

Sievert (Sv) é a unidade pela qual se mede os efeitos biológicos da radiação. Já Gray (Gy) é a mensuração dos efeitos físicos. As duas unidades se articulam da seguinte forma: a dose de radiação no tecido humano (Sv) é encontrada pela multiplicação da dose em Gy.

Essa multiplicação se dá por fatores que dependem da parte do corpo atingida, do tipo de radiação, intensidade e tempo de exposição.

Como acontecem os danos causados pelo excesso de radiação?

Em seção anterior, comentamos que a radiação ionizante provoca queimaduras e mutações celulares. As primeiras acontecem porque o calor emitido é tão forte que causa danos maiores que os provocados por exposição prolongada ao sol.

As mutações, por sua vez, acontecem pelo seguinte. As partículas radioativas carregam alta carga cinética e, por isso, se movimentam rapidamente. Quando elas atingem as células corporais, provocam a ionização celular.

Ou seja, as células são transformadas em íons e, depois, removem os elétrons (partículas negativas), enfraquecendo as ligações. Aí, vêm as mutações genéticas que podem causar problemas na gestação do feto e, inclusive, em gerações posteriores.

As células mais afetadas são aquelas com alta taxa de proliferação, como as medulares e reprodutivas.

Quais os principais danos causados pela radiação?

Os efeitos da radiação podem ser divididos em dois tipos – agudos ou crônicos. Estes podem se manifestar anos após uma exposição indireta, porém, significativa. Os agudos, por sua vez, são imediatos e aparecem em casos de exposição direta ou em excesso.

As queimaduras, um dos efeitos que já mencionamos, são exemplos típicos de danos agudos que, também, incluem rompimento das plaquetas (ligadas à coagulação sanguínea) e queda na resistência imunológica.

Além dos efeitos agudos, como as queimaduras, preocupam os danos crônicos, como mutações genéticas. Uma das mais graves é o câncer. A radioatividade acelera o funcionamento celular, fazendo com que elas se multipliquem.

O crescimento desordenado causa os tumores. Porém, eles podem aparecer em até dez anos a partir da exposição. O tempo até que os primeiros sintomas apareçam é chamado de “período latente”. Casos de leucemia, entretanto, podem reduzir o tempo em dois anos.

Acidentes nucleares, como os que citamos no começo da matéria, podem provocar a contaminação do ambiente devido ao vazamento de componentes radioativos. Por isso, o risco que esse material entre na cadeia alimentar humana aumenta.

A contaminação, então, pode acontecer pela ingestão de água, carne ou vegetais expostos ao excesso de radiação. É aí que podem surgir os danos crônicos, ligados ao câncer, problemas na tireóide e esterilidade.

O triste é que os efeitos da radiação podem se estender por anos, ou seja, atingir gerações. É o caso das vítimas diretas do Césio 137, cujos filhos carregam problemas sérios em decorrência da exposição dos pais ao material radioativo.

Danos de acordo com os níveis de radiação

  • De 1 Sv a 2 Sv

Enfraquecimento, náuseas e vômitos.

  • De 2 Sv a 6 Sv

Depressão da função medular. Os glóbulos vermelhos e brancos são destruídos pelas partículas radioativas.

  • De 6 Sv a 7 Sv

A radiação atinge o sistema gastrointestinal, provocando diarreia, vômitos e hemorragias.

  • De 7 Sv a 10 Sv

A radiação causa insuficiência respiratória aguda.

  • Acima de 10 Sv

A radiação leva a pessoa ao coma e até à morte pela destruição das células do sistema nervoso central.

Por que a radiografia não causa câncer?

Os exames de radiografia não causam câncer devido à baixa dosagem de radiação. Por isso, seguem seguros procedimentos como raio-X, tomografia e mamografia. Porém, se a exposição se acumular em 10 milisieverts, os riscos da doença aumentam.

E quanto à radioterapia?

A radioterapia é a técnica utilizada no combate ao câncer. Nela, o paciente é submetido a doses controladas de radiação, erradicando as células malignas. Seus efeitos são benéficos porque uma alta carga é dividida em várias sessões aplicadas em partes específicas.

Um paciente com câncer de pulmão, por exemplo, é submetido a uma média de 50.000 milisieverts de dose. Caso recebesse de uma só vez, não resistiria mas, as aplicações são feitas em 18 a 20 sessões e apenas a área com tumor é atingida, poupando as vizinhas.

Ainda assim, alguns sintomas são sentidos, como a náusea. Ademais, se a dose for aumentada, outros tecidos começam a ser atingidos, especialmente, a medula, de forma que o paciente torna-se anêmico e incapaz de se defender de outras doenças.

A radiação só faz mal?

Não, como mencionado anteriormente, pequenas doses podem, inclusive, ser muito benéficas. Na Medicina, a radioatividade é aplicada no tratamento de tumores cancerígenos, através da radioterapia.

Na Indústria, a radioatividade é usada para obter energia nuclear. Outro uso aplicável é na Ciência. Com a radioatividade, é possível promover o estudo da organização molecular e atômica de outros elementos.

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