Calendário ‘diferentão’: cidade preserva tradição milenar e ainda está entre 2016 e 2017
Etiópia segue seu próprio calendário, fazendo com que seu ano novo aconteça em setembro e o país esteja "atrasado" no tempo.
Enquanto muitos países adotam o calendário gregoriano, a Etiópia, especialmente sua capital Adis Abeba, segue um caminho diferente. Lá, o tempo é medido de acordo com o calendário etíope, uma tradição com raízes na cristandade ortodoxa e influência do antigo calendário copta.
Essa particularidade faz com que o país esteja, oficialmente, entre sete e oito anos “atrasado” em relação ao restante do mundo. A diferença de anos resulta de um cálculo distinto em relação ao nascimento de Jesus Cristo.
Assim, quando o mundo celebra o ano de 2024, na Etiópia a população ainda vive entre 2016 e 2017. O ano novo, conhecido como Enkutatash, ocorre em 11 ou 12 de setembro, conforme o calendário gregoriano, marcando o início de um novo ciclo para os etíopes.
Como funciona o calendário etíope?
O calendário etíope é composto por 13 meses, dos quais 12 têm 30 dias. O mês adicional, chamado Pagumê, possui cinco ou seis dias, dependendo de se o ano é bissexto.
Este sistema ressalta a singularidade cultural da Etiópia, mantendo uma ligação contínua com suas tradições religiosas e históricas. Em Adis Abeba, o calendário etíope é amplamente utilizado em documentos oficiais, instituições de ensino, eventos religiosos e meios de comunicação locais.
Contudo, devido à sua importância internacional e turística, o calendário gregoriano é empregado em setores como aeroportos e negócios, garantindo uma comunicação eficaz com o resto do mundo.
Curiosidades sobre Adis Abeba e o calendário etíope
- O Natal é comemorado em 7 de janeiro, alinhando-se à Igreja Ortodoxa.
- Os relógios etíopes também seguem um sistema diferente, onde 7h locais são, na prática, 1h etíope.
- O nome “Adis Abeba” significa “nova flor” no idioma amárico.
- A Etiópia é um dos poucos países africanos que nunca foi colonizado, o que permitiu a preservação de seu calendário único.
Para turistas, essa diferença de sistemas de tempo gera confusão em reservas e planejamentos de viagem. No entanto, essa diversidade cultural reflete a riqueza da tradição etíope, evidenciando como o tempo pode ser medido de formas distintas, conectando o presente a um passado milenar.
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