Conheça Cartago, uma das mais importantes cidades da Civilização Antiga

Situada no norte do continente africano, a cidade de Cartago tinha o comércio como sua principal atividade e chegou próximo de desbancar o Império Romano.

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Quando se fala em Civilizações Antigas, sempre nos vêm à mente a prosperidade do Império Romano, o expansionismo da Macedônia e a cultura da Grécia Antiga. No entanto, há um nome frequentemente mencionado nos registros históricos, especialmente ligado às atividades econômicas e conquistas – a cidade de Cartago.

Localizada no atual território da Tunísia, no norte da África, Cartago desempenhou papel importante na Antiguidade. Privilegiada por sua posição às margens do Mar Mediterrâneo, a cidade ganhou prosperidade nas atividades comerciais além de possuir uma respeitável formação militar.

A seguir, saiba mais sobre Cartago, suas principais características, líderes de destaque e como chegou ao fim.

Onde ficava Cartago

Cartago estava localizada ao norte da África, na região onde hoje se situa Túnis, capital da Tunísia. Uma forte potência da Antiguidade, chegou a disputar com Roma o controle do Mar Mediterrâneo, especialmente da ilha de Sicília.

A história de Cartago

Reza a lenda que Cartago foi fundada pela rainha Dido, também conhecida por Elisa. No entanto, historiadores dão conta de que a cidade teve sua criação estabelecida por fenícios oriundos da cidade de Tiro, nos idos do século IX a.C. Porém, a figura de Dido ainda surge como a princesa que fugiu de seu irmão, Pigmalión.

Segundo consta, Dido teria comprado um pedaço de terra na região onde, mais tarde, seria construída Cartago. Entre os séculos V e III a.C., os cartagineses se envolveram em disputas contra a Grécia e Sicília. O controle da ilha siciliana, inclusive, foi um dos principais fatores que levaram às famosas Guerras Púnicas.

Principais características de Cartago

Cartago era dotada de uma força militar considerável, o que contribuiu para suas conquistas territoriais em regiões da África, Sardenha, Sicília e partes da Espanha. Com isso, os cartagineses conseguiram constituir um pequeno império no Mar Mediterrâneo. A ilha siciliana, inclusive, foi um ponto marítimo estratégico da Antiguidade.

A ilha foi angariada pelos cartagineses após guerras empreendidas contra os gregos entre V e III a.C. No entanto, foram expulsos pelos romanos após sua derrota na Primeira Guerra Púnica, conjunto de conflitos que ocorreram entre 264 e 241 a.C. O governo era exercido por um senado governado pela assembleia de mercadores.

Apesar da destruição pelos romanos, historiadores formularam uma ideia de como a cidade era formada. Sabe-se que Cartago era envolta por três grandes muralhas que lhe conferiam proteção guardando exércitos, cavalaria, tropas e pontos de observação. Além delas, outras duas circundavam a cidade cobrindo toda a península.

O território era dividido em três regiões principais, sendo elas:

  • brysa: acrópole que guardava o arquivo público, tesouro e estátua do deus Ba’al Hammon
  • área urbana onde ficavam as residências, templos e a praça de julgamentos
  • megara: distrito agrícola separado por uma muralha

Havia também um cemitério que separava a brysa das demais regiões, além de outros menores entre as muralhas. Supõe-se que as construções cartaginesas tenham sido feitas por materiais de forte influências egípcias e gregas. Uma característica interessante é a ausência de janelas, com exceção para aquelas que davam para pátios externos.

Atividades comerciais de Cartago

O comércio era a principal atividade econômica desenvolvida pelos cartagineses e, por ele, a cidade enviou navegadores ao Atlântico Norte. Os cartagineses herdaram dos fenícios a arte do tingimento fazendo com seus tecidos fossem apreciados e transformados em sinais de riqueza e requinte.

O custo dos tecidos era elevado em razão de seu complicado processo da manufatura – a lã ou linho eram tingidos com o pigmento de um molusco chamado murex, encontrado nas águas rasas mediterrâneas. Além dos tecidos, também eram vendidos produtos alimentícios, metais (prata, estanho, ferro e ouro) e escravos. Ao lado do comércio, os cartagineses desenvolveram importante estrutura agricultora.

Religião cartaginesa

Os cartagineses adoravam a Ba’al Hammon, deus fenício identificado como Cronos pelos gregos e Saturno pelos romanos. Sua possível origem está em Amón, o símbolo da criação de acordo com os egípcios. Em nome de Hammon, eram feitos supostos sacrifícios humanos sob a forma de oferendas, as “Moloc”.

Entretanto, restos encontrados em sítios arqueológicos foram atribuídos a crianças mortas por causas naturais e abortos. Também foram identificados restos de animais que, acredita-se, substituíram as crianças nos sacrifícios feitos ao deus Hammon.

Quem foi Aníbal?

Aníbal foi um importante general cartaginês que viveu entre 248 e 183 a.C. Entre seus feitos de maior destaque foi o comando de um exército composto por 50 elefantes que, durante a Segunda Guerra Púnica (218 a 201 a.C.), atravessou a Espanha até chegar à Itália. O objetivo era conquistar Roma, mas não obteve êxito.

Como Cartago chegou ao fim?

A cidade de Cartago foi dominada e destruída pelos romanos na Terceira Guerra Púnica, conflitos que duraram de 149 a 146 a.C. Porém, no século I a.C., a cidade foi refundada por César e Augusto, mas como uma das colônias romanas. Novamente, ergueu-se a ponto de figurar como a quarta maior cidade do Império chegando a meio milhão de habitantes.

O que foram as Guerras Púnicas?

As Guerras Púnicas foram um conjunto de batalhas empreendidas contra Roma pelos cartagineses devido à disputa pelo Mar Mediterrâneo. O “gatilho” para a explosão dos conflitos foi o controle da Sicília, ilha considerada como principal ponto marítimo da Antiguidade. No total, foram três conflitos, conforme descrevemos a seguir:

  • Primeira Guerra Púnica (264 a 241 a.C)

Nesse período, Cartago havia dominado boa parte do Mar Mediterrâneo, incluindo a Sicília. A reação de Roma foi imediata e, nas primeiras batalhas, o Império Romano saiu perdendo. No entanto, ao desvendar as estratégias cartaginesas, remontou sua esquadra e retomou o controle da região.

  • Segunda Guerra Púnica (218 a 201 a.C)

A derrota na Primeira Guerra levou à imposição de pesados tributos e ao ódio nutrido pelos cartagineses contra os romanos. Nesse período, surge a figura de Aníbal, líder que acreditava em sua capacidade de derrotar os romanos com seu exército de elefantes. Mesmo tendo uma investida inicial bem sucedida, a estratégia do general fracassou.

Após causar estragos que quase derrubaram o Império Romano, Aníbal sofreu com o contra ataque italiano, tanto com cerco ao seu exército como uma investida direta em Cartago. O líder cartaginês foi obrigado a regressar ao seu país e pedir paz aos romanos, na época, comandados por Ciprião, o Africano.

  • Terceira Guerra Púnica (149 a 146 a.C)

Mais uma derrota, mais extorsão aplicada pelos romanos sobre Cartago sob a forma de uma dívida que, segundo os credores, levaria 50 anos para ser quitada. O montante, entretanto, foi pago em uma década graças à habilidade comercial dos cartagineses. A inveja dos senadores romanos foi primordial para o golpe final.

O Império Romano impôs condições altamente extorsivas aos cartagineses com o objetivo de deixá-los enfraquecidos para uma nova guerra. Deu certo. A Terceira Guerra Púnica chegou ao fim em três anos com a fácil derrota de Cartago para os romanos. Além disso, o solo foi literalmente salgado para se tornar infértil.

Curiosidades

o sítio arqueológico de Cartago foi tombado como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco por possuir ruínas da cidade
a antiga capital púnica é, atualmente, um dos bairros de Túnis, capital da Tunísia, além de importante ponto turístico

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