Contos de amizade para a Educação Infantil

A leitura de fábulas e pequenas histórias podem incutir a ideia de amizade por meio da reflexão, promovendo a integração entre as crianças.

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Quem é que não gosta de uma boa história? Daquelas cheias de personagens interessantes, situações inusitadas e, por que não, uma dose de moral e ensinamento? O gosto pela contação de narrativas é, ainda maior, entre as crianças, cuja prática deve ser iniciada em casa e estimulada na escola.

Falando em ambiente escolar, a grande mudança, especialmente nos anos iniciais da Educação Infantil, é o contato com colegas da mesma idade, mesmo para quem já está acostumado com crianças da vizinhança. É aí que pais e educadores podem introduzir o termo amizade, tão importante nesta e em todas as fases da vida.

Como qualquer um, os pequenos amam ouvir histórias então, por que não fortalecer os laços entre eles por meio de uma fábula ou contos que tratam sobre amigos? Por isso, trouxemos uma seleção de contos sobre amizade que podem, também, ter sua experiência marcada pelo uso de elementos lúdicos, como fantoches e figuras de EVA. Vamos lá?

1. O PEIXINHO ARCO-ÍRIS (Marcus Pfister)

Lá bem distante, no fundo do mar, vivia um peixinho todo colorido. Suas escamas eram todas coloridas, verdes, vermelhas, azuis e prateadas. Os outros peixes ficavam encantados com sua beleza e o chamavam de ARCO ÍRIS .

– Venha peixinho lindo venha brincar conosco!

Mas ele apenas passava, orgulhoso e calado, com suas escamas cintilantes, sem dar atenção aos outros peixes. Um dia, o peixinho azul começou a acompanhá-lo.

– Arco-íris, espere por mim! Por favor, dá-me uma das tuas escamas brilhantes! Elas são tão lindas e tu tens tantas que nem vai fazer falta!

– Você está pedindo uma das minhas escamas especiais? Quem você pensa que é? – gritou o Arco Íris.

Magoado, o peixinho azul se afastou e, muito triste, foi se juntar com seus amigos. Desse dia em diante, todos os peixes se afastaram, deixando o Arco-Íris sozinho.

Passou muito tempo e o peixinho colorido começou a sentir-se triste e sozinho. Uma estrela do mar disse-lhe, então, que fosse à gruta falar com o polvo sábio. O polvo contou-lhe que ele tinha de partilhar para ter amigos.

Até que, um belo dia, o peixinho azul voltou novamente a pedir uma escama colorida. Finalmente, o peixinho Arco-Íris pegou uma das suas e deu-lhe. O peixinho azul ficou tão contente que foi contar aos seus amigos o que tinha acontecido.

Aos poucos, foram chegando todos os peixes, cada um de uma cor, e o peixe Arco Íris foi dando uma das suas escamas. Contentes, convidaram-no para brincar e nadar no mar. Após esse momento, todos ficaram amigos para sempre e felizes.

2. DONA COTINHA, TOM E O GATO JOCA (Cléo Busatto)

Em frente à minha casa, tem outra, pequena, de madeira, azul com janelas brancas. Está no fim de um terreno enorme com muitas árvores. Para mim, aquilo é o que chamam de floresta. Tom diz que é um quintal. Ali, mora dona Cotinha, uma velhinha que tem cabelos lilás e dirige um Fusquinha vermelho. Esse passou a ser meu esconderijo. Dona Cotinha sempre aparece com um prato de comida. Diz:

– Vem, gatinho. Olha só o que eu trouxe para você.

Sou premiado com sardinha fresca, atum E macarrão. Tenho engordado além da conta! Dia desses, estava tomando sol e ouvi o Tom me chamar. O danado sentiu meu cheiro e descobriu meu segredo. Ele estava no portão quando chegou dona Cotinha, no seu Fusquinha.

– Bom dia, menino – disse ela. Já que está em frente à minha casa, faça uma gentileza e abra o portão.

Tom obedeceu. Dona Cotinha afagou minha cabeça e perguntou:

– Este gatinho é seu?

– Sim, senhora.

– Ele é muito educado.

– Obrigado – disse eu, na minha voz de gato.

– No primeiro dia que o vi por aqui, ele entrou na casa e cheirou tudo. Agora, sempre deixo uma comidinha para ele!

– Ah! Mas o Joca não come comida de gente, não, senhora. Só come ração – disse o Tom.

– Come, sim, meu filho. E come de tudo.

Dona Cotinha acabava de denunciar minha gula e o aumento de peso. Continuou:

– Passe aqui no fim da tarde. Faço um bolo de fubá com cobertura de chocolate que é de dar água na boca.

Com água na boca fiquei eu. Naquela tarde voltamos à casa de dona Cotinha. Ela foi logo mostrando pro Tom uma coleção de carrinhos antigos. Era do filho dela, que morreu bem pequeno. Depois, nos levou para uma sala repleta de livros. Tom ficou de boca aberta e perguntou:

– A senhora já leu todos esses livros?

– Praticamente todos. Ler foi minha diversão, meu bom vício. Infelizmente, meus olhos não ajudam mais. Essa pilha que você está vendo aqui ainda nem foi tocada.

Tom começou a ler em voz alta e sua voz encheu a sala de seres fantásticos. O tempo parou.

Desse dia em diante, à tardinha, eu e Tom tínhamos uma missão. Abrir os livros de dona Cotinha e deixar os personagens passearem pela casa mágica, no meio da floresta da cidade de pedra.

3. OS DOIS AMIGOS (LA FONTAINE)

No mundo em que vivemos, a verdadeira amizade é rara. Muitas pessoas egoístas se esquecem que a felicidade é o amor altruísta que damos aos outros.

Esta história diz respeito a dois amigos verdadeiros. Tudo o que era de um era, também, um do outro. Eles eram apreciados, respeitados e viviam em perfeita harmonia.

Uma noite, um dos amigos acordou. Ele pulou da cama, vestiu-se às pressas e foi para a casa de outro. Na chegada, ele bateu e todos acordaram. O servo abriu a porta, assustado, e ele entrou na residência. O proprietário, que estava esperando com um saco de dinheiro em uma mão e sua espada na outra, disse:

– Meu amigo, eu sei que você não é um homem para andar durante a noite sem motivo. Se você veio para minha casa é porque algo de ruim acontece com você. Se você perdeu dinheiro no jogo, aqui, leve. E se você teve uma briga e precisa de ajuda para confrontar aqueles que vos perseguem, lutamos juntos. Você sabe que pode contar comigo para tudo.

O visitante respondeu:

– Muito aprecio suas generosas ofertas, mas eu não estou aqui para qualquer uma dessas razões. Estava dormindo, pacificamente, quando sonhei que você estava inquieto e triste, que o afligiam e você precisava de mim. O pesadelo me incomodou e, por isso, vim à sua casa a esta hora. Eu não tinha certeza se ue você estava bem e precisava ver por mim mesmo.

Assim age um verdadeiro amigo. Não espera que seu parceiro vá ter com ele, mas quando algo acontece, corre para oferecer ajuda.

NINO QUER UM AMIGO (Katia Canton)

“Nino, por que você está sempre tão sério e cabisbaixo”? Nino vivia triste. Ele se sentia sozinho. Ninguém queria ser amigo dele.

Pobre Nino. Um dia, na praia, ele ficou esperançoso de encontrar um amigo.

– Ah, um menino. Quem sabe…, e tentou chegar perto dele.

Mas o menino virou para o lado, cavou um buraco. E ainda jogou areia no Nino! Coitado dele.

Outro dia, na escola, ele tentou puxar conversa com uma colega de turma. Olhou para a menina, que era toda sardenta, uma graça. Esboçou um sorriso e tentou puxar assunto.

Mas estava tão acostumado a ficar calado e sério que as palavras demoraram a sair de sua boca. A menina bonitinha desistiu de esperar que ele dissesse alguma coisa. Virou-se de costas e foi brincar com uma amiga.

Tadinho do Nino. Nem os animais pareciam querer ser seus amigos. Uma tarde, Nino viu um menino com um cão passeando na praça.

Ficou com vontade de agradar o cachorro, mas ficou com medo de que ele mordesse. Fez um agrado bem tímido. O cão nem aí para ele.

Que pena, Nino! Até que um dia, ele tinha desistido de procurar. Pensando em por que, quanto mais tentava encontrar um amigo, mais sozinho se sentia…

Ficou distraído, pensando, e adormeceu. Quando acordou, olhou-se no espelho. Enquanto escovava os dentes, percebeu que fazia muitas caretas.

Achou engraçado. Enxaguou a boca e continuou brincando com o espelho. Era riso daqui, riso de lá. Era língua do Nino e língua do espelho. Piscadela aqui, piscadela ali.

Começou ali uma verdadeira folia. Era um jogo de reconhecimento entre Nino e sua imagem no espelho. E não é que Nino era bem engraçadinho? Ele mesmo nunca tinha reparado nisso antes.

Que cara legal era o Nino! Que garoto charmoso, bem-humorado! Nino ficou encantado com seu espelho.

Fez-se ali uma grande amizade! E depois dessa amizade, surgiram muitas outras. Nino hoje é um cara cheio de grandes amigos. Incluindo ele mesmo.

Valeu, Nino!

4. A MENINA DO VESTIDO AZUL

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma garotinha muito bonita. Acontece que essa menina freqüentava as aulas da escolinha local no mais lamentável estado. Suas roupas eram tão velhas que seu professor resolveu dar-lhe um vestido novo. Assim raciocinou o mestre:

– É uma pena que uma aluna tão encantadora venha às aulas desarrumada desse jeito. Talvez, com algum sacrifício, eu pudesse comprar para ela um vestido azul.”

Quando a garota ganhou a roupa nova, sua mãe não achou razoável que, com aquele traje tão bonito, a filha continuasse a ir ao colégio suja como sempre, e começou a dar-lhe banho todos os dias, antes das aulas. Ao fim de uma semana, disse o pai:

– Mulher, você não acha uma vergonha que nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, caindo aos pedaços? Que tal você ajeitar um pouco a casa, enquanto eu, nas horas vagas, vou dando uma pintura nas paredes, consertando a cerca, plantando um jardim?

E assim fez o humilde casal. Até que sua casa ficou muito mais bonita que todas as casas da rua e os vizinhos se envergonharam e se puseram, também, a reformar suas residências. Desse modo, todo o bairro melhorava a olhos vistos, quando por isso passou um político que, bem impressionado, disse:

– É lamentável que gente tão esforçada não receba nenhuma ajuda do governo.

E dali saiu para ir falar com o prefeito, que o autorizou a organizar uma comissão para estudar que melhoramentos eram necessários ao bairro. Dessa primeira comissão surgiram muitas outras e hoje, por todo o país, elas ajudaram os bairros pobres a se reconstruírem.

E pensar que tudo começou com um vestido azul!

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