Convênio de Taubaté – Resumo, o que foi, objetivos e consequências

Todos os detalhes sobre o acordo e quais foram as partes beneficiadas e prejudicadas em função dele.

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A construção da história do Brasil, enquanto potência na produção de café, começou ainda no século XVIII, por volta de 1727. De plantações domésticas, rapidamente o café evoluiu para o status de um dos maiores exportadores mundiais.

Contudo, o ciclo do café enfrentou duas baixas, ambas no início do século XX, e motivadas por fatores internacionais. Como forma de minimizar uma delas, em 1906, foi assinado o Convênio de Taubaté.

Crise

No final do século XIX e início do século XX, no Brasil, o café ocupava o posto de produto mais importante da economia brasileira, principalmente no que diz respeito à exportação, uma vez que mais de 70% dos grãos consumidos no mundo eram provenientes das plantações brasileiras.

Assim, para a atender a esta ampla demanda, a produção brasileira crescia em níveis extraordinários, de modo que foi atingido um ponto quem que o mercado consumidor não conseguia acompanhar o crescimento da produção.

Levando em consideração a lei da oferta e demanda, por conta da grande disponibilidade do produto, os preços despencaram. Este fato, se não fosse rapidamente revertido, poderia causar inúmeros prejuízos aos cafeicultores.

A título de comparação, em 1893 a saca de café era vendida a 4,09 libras, em 1896 o valor caiu para 2,91, e em 1899, chegou ao patamar de 1,48.

O que foi o convênio de Taubaté

Para reverter o quadro de crise, e evitar que a economia do país, que estava toda pautada na produção de café, entrasse em colapso, o Convênio de Taubaté surgiu como uma forma de salvar o Brasil da recessão.

Assim, em 26 de fevereiro de 1906, Jorge Tibiriçá, Nilo Peçanha e Francisco Sales, os governadores de São Paulo, Rio de Janeiro, e Minas Gerais, respectivamente, reuniram-se para assinatura do convênio, cujo maior objetivo era estabelecer as bases da política de valorização do café.

Por meio Convênio de Taubaté, os três estados ficaram encarregados de comprar toda a produção, diretamente dos produtores, de modo a possibilitar o gerenciamento e regulação dos estoques, já que eles ficariam estocados nos portos brasileiros.

Em paralelo, para estabelecer uma solução a longo prazo, foi determinado, ainda, que o governo deveria desestimular a produção e dar alternativas para que novos produtos fossem inseridos na economia brasileira.

Para viabilizar as compras, os governos contraíram altas dívidas externas. Nesse sentido, os principais países acionados foram os Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, justamente porque naquele momento, os bancos dessas nacionalidades estavam entrando no mercado brasileiro.

Outro problema, é que o preço pago ao produtores era mais alto do que os preços pagos pelo mercado consumidor, o que acarretou em amplos prejuízos ao governos desses estados. Para manter os preços elevados, muitas sacas de café foram queimadas, o que colaborou para que os prejuízos do dos cofres públicos fossem ainda maiores.

Em 1906, ano de assinatura do convênio, o então presidente, Rodrigues Alves, negou apoio federal aos cafeicultores, alegando a necessidade de controlar gastos e frear a inflação. Somente no ano seguinte, quando Afonso Pena assumiu o poder, é que o apoio federal foi concedido.

Consequências

Com a assinatura do Convênio de Taubaté, os principais beneficiados foram os grandes produtores de café. Como eles conseguiram vender toda a produção, os lucros não se alteraram e seus negócios continuaram prósperos.

Vale ressaltar que a intervenção do governo foi muito importante quando se leva em consideração toda a estrutura que o ciclo do café movimentava. Com o mantimento dos negócios dos fazendeiros, evitou-se que um grande contingente de trabalhadores ficassem desempregados, o que poderia piorar ainda mais uma eventual crise econômica.

Por outro lado, para frear a crise, foi utilizado dinheiro público, que poderia ter sido destinado a outros setores da economia, inclusive, para as indústrias, que naquele momento estavam iniciando a expansão pelo país.

O objetivo foi alcançado, e o café, de fato, foi valorizado e teve a alta do preço garantida. Por outro lado, para evitar a crise, o valor da dívida de São Paulo, Rio de Janeiro, e Minas Gerais, com os bancos estrangeiros, aumentou consideravelmente.

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