Enem: Saiba como alcançar nota mil na prova de redação

Veja dicas importantes de professores para alcançar nota mil na redação do Enem. Confira regras da prova, competências avaliadas e os hábitos de estudo mais indicados. 

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Em 2018, apenas 55 redações dentre mais de 4,1 milhões de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) obtiveram a nota máxima de mil pontos. O tema proposto pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão responsável pelo exame, foi o controle de dados pessoais na internet.

Estar entre os poucos candidatos que atingem a nota máxima na redação pode parecer tarefa impossível, mas especialistas ressaltam que, se o estudante tiver um repertório sólido, se preparar bem e cumprir as exigências da prova, aumenta suas chances de alcançar essa pontuação mais alta.

A nota da redação é composta por cinco blocos de 200 pontos. Cada um deles corresponde a uma competência esperada dos candidatos (veja a lista ao final deste texto).

Fugir ao tema, entregar redação com até sete linhas e copiar integralmente textos da prova são algumas das situações que zeram a nota do candidato. Em busca de dicas, o UOL conversou com Isabela Pires Ferreira, professora da Escola da Vila, Maria Aparecida Custódio, professora do Colégio e Curso Objetivo, e Sérgio Paganim, coordenador do Anglo Vestibulares.

Conheça o formato da prova

O Enem exige que o candidato escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre um tema cultural, econômico, político ou social proposto a partir de textos motivadores presentes na prova.

Neste tipo de texto, o candidato deve apresentar um posicionamento claro em relação à situação apresentada e construir uma argumentação sólida que justifique o ponto de vista adotado, usando ideias presentes nos textos motivadores e outras referências pessoais. “É um formato de prova muito tradicional e consolidado, em que a banca apresenta uma coleção de textos escolhidos, que desembocam em uma frase-tema”, afirma Sérgio Paganim.

O assunto, para o professor, não se limita à frase destacada que todo aluno procura antes de começar a escrever. É preciso, afirma ele, levar em conta os recortes temáticos dos textos.

A principal especificidade do exame é a exigência que os candidatos apresentem uma proposta de intervenção, isto é, uma solução concreta e detalhada para a situação tratada.

A proposta deve, obrigatoriamente, respeitar os direitos humanos. Textos que contenham, por exemplo, incitação à violência ou discurso de ódio voltado a minorias não pontuam.

Leia uma redação nota mil por semana

Para Maria Aparecida Custódio, do Objetivo, o Enem adota parâmetros extremamente objetivos na correção: “São milhões de provas que precisam ser corrigidas em pouco tempo, o que faz com que o Enem privilegie critérios técnicos para conseguir corrigir todos os textos”. Em outros vestibulares, como a Fuvest, há uma avaliação mais aprofundada do conteúdo das redações. Para ela, a dimensão do Enem inviabiliza esse tipo de correção.

A orientação, portanto, é que os candidatos aprendam a estruturar o texto de acordo com as exigências. É essencial ler as redações nota mil de anos anteriores, disponibilizadas pelo Inep, e entender como os autores estruturam os textos.

“Leia uma redação nota mil por semana, olhando como o autor encaixou sua opinião, quais argumentos apresentou, como os argumentos foram articulados e como a proposta de intervenção apareceu”, recomenda Sérgio Paganim.

Para ele, “redações nota mil têm maneiras de articulação de ideias e mecanismos de coesão muito claros”. Entender a forma desses textos ajuda os candidatos a internalizarem o tipo de redação demandado pelo Enem. A tese, que expressa o posicionamento do candidato, deve estar bem clara no primeiro parágrafo. Em seguida, vêm os parágrafos de desenvolvimento –geralmente dois ou três. Cada um deve apresentar um argumento específico, como aspectos históricos ou interpretações acadêmicas do fenômeno. Por fim, a proposta de intervenção fecha a redação.

Maria Aparecida Custódio ressalta a importância da progressão discursiva. Equívocos comuns –como apontar causas e consequências no primeiro parágrafo, mencionar problemas e soluções em cada parágrafo de argumentação ou propor intervenções pouco detalhadas no fim do texto– podem ser superados se a estrutura da prova for mais bem compreendida.

O candidato tem que criar um fio condutor. O leitor vai acompanhar passo a passo seu pensamento e vai desenvolver a expectativa de encontrar possíveis soluções depois do detalhamento do problema Maria Aparecida Custódio, professora do Colégio e Curso Objetivo.

A coesão do texto, uma das competências avaliadas, deve ser uma preocupação constante dos candidatos. A recomendação de Isabela Pires Ferreira é fazer bom uso dos conectivos –palavras que articulam as frases de um texto, como “que”– e variá-los ao longo da redação.

Invista no repertório sociocultural

O candidato deve apresentar uma referência do seu repertório sociocultural na argumentação desenvolvida no texto. Para isso, é fundamental se concentrar na leitura de textos mais aprofundados e autores que possam inspirar a escrita dos candidatos.

Pode ser citada, por exemplo, uma referência filosófica ou literária, afirma Isabela Pires Ferreira. Para ela, é imprescindível, porém, que a inserção dessa ideia do estudante esteja muito bem articulada aos argumentos presentes no texto.

Uma argumentação sólida na prova de redação demanda o acúmulo de conhecimentos de disciplinas como filosofia, geografia, história, literatura e sociologia e o acompanhamento das questões atuais mais prementes do Brasil e do mundo. “Referências de autores e ideias dessas disciplinas podem ser incorporadas ao conteúdo dos parágrafos de argumentação”, afirma Sérgio Paganim.

Vale lembrar que, embora o candidato deva apresentar uma referência do seu repertório, é fundamental aproveitar na redação pelo menos dois argumentos expostos nos textos motivadores para demonstrar a capacidade de selecionar aspectos importantes na coletânea apresentada.

Aponte uma solução viável e relevante

A proposta de intervenção é um dos aspectos que mais geram dúvidas dos candidatos do Enem. A recomendação é que o estudante demonstre que tem capacidade de apontar uma solução viável para algum problema complexo e socialmente relevante.

Dois desvios dos candidatos são muito comuns: propostas vagas –como “as pessoas devem se conscientizar”– e ideias que não se associam ao tema, ao posicionamento defendido pelo candidato ou aos argumentos que ele usou ao longo do texto.

“A proposta de intervenção pode ser incrível, mas, se ela não estiver articulada com a discussão desenvolvida no texto, não vai fazer sentido”, afirma Isabela Pires Ferreira.

Alguns elementos devem estar presentes na proposta de intervenção para que o candidato possa ter uma boa nota. O primeiro é o ator social responsável pela execução da solução que está sendo indicada. O Estado costuma ser onipresente nesse item.

O texto também deve indicar o que exatamente deve ser feito, os meios de execução da medida –como vai ser colocada em prática– e quais são os efeitos esperados. É necessário detalhar cada um desses elementos.

Uma dica importante é não fazer mais de uma proposta: “Não importa quantas propostas o candidato vai fazer, quantos agentes ele vai escolher; o que a correção vai fazer é selecionar aquela proposta que estiver mais completa”, diz Isabela Pires Ferreira.

Nem a primeira nem a última atividade do dia

O relógio costuma representar um dos maiores desafios para os candidatos. A fim de contornar o tempo restrito, é preciso chegar à redação com uma estratégia clara.

Começar por essa prova pode ajudar a aliviar a ansiedade de parte dos candidatos. Nesse caso, a recomendação é que o estudante abra a prova, leia os textos motivadores e a proposta e faça um esboço das principais ideias que abordará na redação.

Em seguida, pode resolver as questões da prova de linguagem e, se tiver alguma ideia durante essa tarefa, anotá-la na folha de rascunho para não esquecer. Depois de passar as respostas para o cartão, deve voltar à prova de redação para escrever o texto.  

Outra possibilidade é fazer a redação no meio do tempo da duração da prova. Para Sérgio Paganim, “o ideal é que a redação não seja nem a primeira nem a última atividade do dia”. No início da prova, o candidato pode ainda não estar completamente concentrado e no fim pode já estar muito cansado para escrever a redação, item mais complexo da prova.

Sua dica é começar a redação meia hora ou uma hora depois do início da prova e dedicar cerca de meia hora para a leitura do conteúdo e para o projeto do texto que escreverá, até meia hora para redigir o rascunho e cerca de 20 minutos adicionais para passar o rascunho a limpo.

Os candidatos devem simular a prova nas mesmas condições que encontrarão os dias de aplicação do Enem.

Escrever bons textos requer prática. Escrever bons textos em pouco tempo e sob pressão demanda treino ainda mais intenso nos meses que antecedem o exame.

Não tente adivinhar o tema

Ser levado pelas especulações sobre o tema da redação pode minar o tempo de preparação do candidato e criar mais um gatilho de estresse, além de ter poucos efeitos práticos no desempenho na prova.

É mais importante dominar a técnica de produção de um texto para o Enem que saber conteúdos detalhados dos temas propostos, afirma Maria Aparecida Custódio. “Ninguém esperava a prova sobre educação de surdos [tema de 2017], por exemplo, mas todas as informações necessárias para a redação estavam lá, como um trecho do Estatuto da Pessoa com Deficiência. É mais importante observar o encaminhamento dado pela banca sobre o assunto.”

Sérgio Paganim avalia que as apostas sobre os assuntos da prova fazem pouca diferença, já que o principal elemento da redação é o recorte temático, ou seja, a maneira como determinado assunto, como saúde ou educação, vão ser especificados.

Além disso, ter conhecimentos aprofundados em um assunto pode jogar contra o candidato, afirma o professor: “O estudante pode despejar o conhecimento que tem sem respeitar os limites do recorte temático e se dar mal por querer falar do que sabe e não do que foi pedido”.

O que vai ser cobrado?

1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;

2- Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;

3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;

4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;

5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado que respeite os direitos humanos.

(Fonte: Reportagem original do Educação Uol)

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