O que deveria ser a realização de um sonho acadêmico virou frustração para estudantes de Campo Grande (MS). Em 2021, a Universidade Estácio de Sá surpreendeu os alunos ao encerrar o curso de Jornalismo de forma inesperada, deixando um rastro de dúvidas, prejuízos e indignação.
Muitos se viram sem alternativas e questionaram seus direitos diante da situação. A Justiça precisou entrar em cena para dar um desfecho definitivo para a disputa.
Quatorze ex-alunos receberão R$ 7 mil cada, totalizando R$ 175 mil em indenizações. A decisão da juíza Sueli Garcia, da 10ª Vara Cível da Capital, reconheceu o impacto causado pelo fechamento repentino do curso e marcou uma vitória importante para quem teve planos interrompidos abruptamente.
O pagamento foi liberado no início de outubro, encerrando uma batalha judicial que misturou frustração, resistência e expectativa. Mais do que o valor recebido, a decisão envia um recado claro para instituições de ensino: a falta de transparência e o descaso com alunos podem gerar consequências legais.
Fim inesperado e revolta estudantil
Em maio de 2021, durante uma videoconferência que deveria tratar de assuntos administrativos, os estudantes foram pegos de surpresa: o curso de Jornalismo seria encerrado imediatamente. A Estácio alegou falta de recursos financeiros para manter a graduação, justificando que o número de matriculados não cobria os custos.
A notícia caiu como uma bomba entre os alunos, que se viram sem rumo após anos de investimento de tempo e dinheiro.
A instituição tentou oferecer três alternativas para minimizar os danos, entre elas a migração para o curso de Publicidade e Propaganda, troca para outro curso na modalidade EaD e transferência para unidades de fora do estado que ofereçam o curso de Jornalismo.
No entanto, as soluções não compensaram a frustração de ver um sonho interrompido antes da formatura.
Justiça reconhece danos morais
A juíza Sueli Garcia considerou que o encerramento repentino violou o princípio da confiança e causou danos morais significativos. Para ela, a falta de planejamento e comunicação adequada por parte da universidade expôs os alunos a constrangimentos e prejuízos emocionais e acadêmicos.
Segundo a decisão, o caso ultrapassa o mero aborrecimento, configurando falha grave na prestação do serviço educacional.
Com a indenização liberada, os ex-alunos finalmente respiram aliviados. Ainda assim, o episódio serve como alerta sobre a instabilidade dos cursos privados no Brasil e a necessidade de maior transparência das instituições de ensino.
