A discussão sobre magnésio ganhou força com o “boom” dos suplementos, mas pouca gente percebe o perigo escondido no excesso. Quando o mineral ultrapassa os limites seguros no sangue, surge a hipermagnesemia, uma condição rara, porém séria.
Segundo a nutricionista Patrícia Leite, valores acima de 2,6 mg/dL já acendem um sinal de alerta e exigem uma avaliação rápida para evitar complicações maiores.
Mesmo com tantos receios, a comida dificilmente causa o problema. O corpo saudável elimina rapidamente aquilo que não precisa, e os rins fazem esse filtro com eficiência.
A questão muda quando entram em cena cápsulas, comprimidos efervescentes, laxantes e antiácidos ricos em magnésio, que podem elevar a dose diária sem que o usuário perceba.
O cenário se complica ainda mais entre pessoas com insuficiência renal, que não conseguem remover o excesso do mineral com a mesma facilidade. Nesses casos, a soma de suplementos e medicamentos cria uma carga elevada que sobrecarrega o organismo.
Quando o excesso acontece
Leite aponta dois caminhos frequentes para o desequilíbrio. Primeiro, o uso de suplementos em doses superiores às recomendadas ou sem acompanhamento profissional. Já o segundo, mais comum, envolve pacientes renais que consomem antiácidos e pastilhas ricas em magnésio ao longo do dia.
A maioria das pessoas excreta o excesso pela urina e, portanto, não desenvolve hipermagnesemia apenas com o consumo eventual de cápsulas. No entanto, quem apresenta redução do volume urinário, filtração comprometida ou doença renal precisa de avaliação médica antes de suplementar.
Limites e quem deve ter cautela
O Instituto de Medicina dos Estados Unidos estabelece limites máximos apenas para suplementos e medicamentos, não para o que vem dos alimentos. Portanto, a dieta é considerada segura, embora conhecer os limites ajude a evitar combinações perigosas com produtos diversos.
- 1 a 3 anos: 65 mg/dia de magnésio suplementar.
- 4 a 8 anos: 110 mg/dia de magnésio suplementar.
- 9 anos ou mais: 350 mg/dia de magnésio suplementar.
A recomendação é ainda mais rígida para quem tem insuficiência renal e para usuários frequentes de antiácidos com magnésio. Afinal, o consumo repetido, mesmo em pequenas doses, se acumula e, somado à filtração reduzida, eleva rapidamente o risco.
Sinais e sintomas
Quando as concentrações sobem, o corpo costuma avisar. Os sinais descritos pela especialista variam de leves a críticos e atingem diferentes sistemas. Assim, reconhecer cedo esses indícios permite suspender as fontes e procurar assistência.
- Diarreia e outros desconfortos intestinais.
- Letargia, lentidão, cansaço e raciocínio prejudicado.
- Rubor facial, com bochechas visivelmente vermelhas.
- Queda acentuada da pressão arterial e batimentos irregulares.
- Náuseas, dor de estômago, vômitos e perda de apetite.
- Fraqueza intensa, dificuldade respiratória e, em casos extremos, parada cardíaca.
- Episódios de depressão, retenção urinária e prostração.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico depende de um exame de sangue solicitado pelo médico, que verifica se os valores excedem 2,6 mg/dL. Uma vez confirmado o quadro, o primeiro passo é interromper o uso de suplementos, antiácidos, laxantes e qualquer medicamento que contenha magnésio.
Em situações leves, suspender as fontes costuma bastar. Se os níveis se mantêm altos, o profissional pode prescrever diuréticos para acelerar a eliminação urinária. Em casos graves, recorre-se à administração intravenosa de cálcio ou à diálise para filtrar o sangue.
Onde encontrar magnésio na dieta
A alimentação equilibrada segue como estratégia central para manter o nível adequado de minerais, ressalta o médico Jose Luiz Alvim Borges, do Hospital Sírio-Libanês. Além disso, a combinação de variedades de alimentos garante outras vitaminas, antioxidantes e energia, sem elevar perigosamente o magnésio sérico.
Conheça as principais fontes naturais de magnésio.
- Verduras de folhas verde-escuras, como espinafre, couve e alface, ricas em vitaminas e antioxidantes.
- Cereais integrais, como aveia, arroz integral e quinoa, que também oferecem fibras e outros nutrientes.
- Nozes e castanhas, a exemplo de amêndoas, pistaches e castanha-do-pará, com gorduras saudáveis e proteínas.
- Legumes e tubérculos, incluindo a batata, que completam as fontes naturais.
- Frutas como abacate, banana e figo, úteis para variar a ingestão diária.
Antes de iniciar qualquer suplementação de magnésio, busque orientação médica e avalie sua função renal. Assim, você reduz riscos desnecessários e aproveita os benefícios do mineral com segurança.
