Função Metalinguística

A função metalinguística ocorre quando utilizamos o código para falar dele próprio. Nesse tipo de mensagem, o foco é a palavra.

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Dentre as seis funções da linguagem definidas pelo linguista russo Roman Jackobson está a função metalinguística, cuja principal característica é a emissão da mensagem centrada no próprio código. Nela, o código é utilizado para falar sobre o próprio código, explicando-o e analisando-o.

Diariamente, ainda que nem nos demos conta disso, recorremos à função metalinguística. Quando questionamos nosso interlocutor sobre algo que não entendemos daquilo que ele nos falou, a resposta provavelmente será construída através de um texto metalinguístico. Nosso interlocutor retoma aquilo que disse, explicando-nos minuciosamente o conteúdo de sua mensagem.

Para Roman Jackobson, “todo processo de aprendizado da linguagem, particularmente a aquisição, pela criança, da língua materna, faz largo uso das operações metalinguísticas”. Quando a criança está na fase de aprender sobre os conceitos linguísticos, o tempo todo ela faz perguntas sobre o próprio código, buscando assim o seu entendimento. Assim como as crianças, os estudantes também fazem uso frequente da metalinguagem, já que, ao estudarem, estão sempre em contato com a elaboração de conceitos e definições, parafraseando-os na tentativa de ressignificá-los com nossas suas próprias palavras.

A função metalinguística da linguagem está presente em diversos gêneros, inclusive nas artes plásticas:

Exemplo de metalinguagem nas artes visuais
La clairvoyance, ou A perspicácia, de René Magritte. Autorretrato do artista pintando um pássaro, 1936.
Exemplo da metalinguagem nos quadrinhos
A metalinguagem também pode estar presente nas tirinhas e nas histórias em quadrinhos.

E a metalinguagem na poesia?

A metalinguagem poética acontece quando a linguagem se debruça sobre si mesma: a poesia feita sobre a própria poesia. Observe o fragmento do poema Catar feijão, de João Cabral de Melo Neto. Nele, o poeta investiga o fazer poético, explicando para si mesmo e para os leitores o momento catártico que permeia a criação e dá vida a um poema:

Catar Feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto

A metalinguagem não tem o objetivo de significar por si, mas sim o objetivo de dizer o que o outro significa. A função metalinguística está presente também nos dicionários, cuja função é explicar, por meio dos verbetes, o significado das palavras. Conhecer as funções da linguagem contribui para o entendimento de cada mensagem enunciada, seja em um contexto linguístico ou não. Por isso, fique atento aos elementos da comunicação e bons estudos!

Luana Alves
Graduada em Letras

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