Função Poética

A função poética da linguagem é um elemento de comunicação utilizado para chamar a atenção do destinatário da mensagem para o texto.

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Dentre as seis funções da linguagem, elementos da comunicação definidos pelo linguista russo Roman Jackobson, está a função poética. Nela, a principal característica é a emissão de uma mensagem elaborada de maneira diferente, recurso muito empregado, principalmente, na linguagem literária, sobretudo no gênero poema.

Na função poética alguns recursos são utilizados para chamar a atenção do destinatário para a mensagem, isso porque o centro de interesse da comunicação nesse tipo de função é o próprio texto. Nos textos em que ela predomina, são muito comuns os efeitos sonoros, rítmicos, figuras de linguagem entre outros, que propiciam um novo arranjo capaz de provocar o prazer estético em quem lê. A mensagem despe-se das estruturas convencionais e entra em jogo a criatividade artística. Observe alguns exemplos:

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

Manoel de Barros

Nascemorre Haroldo de Campos

Haroldo de Campos: nascemorre, 1965
Com intenção de incorporar à arte as estruturas matemáticas geométricas, os poetas concretistas subverteram a forma do poema.

Convite

Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar de poesia?

José Paulo Paes

Vale lembrar que, embora seja bastante encontrada na poesia, a função poética, capaz de conferir enorme expressividade aos textos, também pode ser encontrada em outros gêneros, tais quais a publicidade, a música etc. Por isso, podemos afirmar que nem sempre a linguagem literária detém o predomínio dessa função.

Metáfora

Gilberto Gil
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: “Lata”
Pode estar querendo dizer o incontível

Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: “Meta”
Pode estar querendo dizer o inatingível

Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível

Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora.

Luana Alves
Graduada em Letras

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