Geopolítica da Nova Ordem Mundial

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No âmbito da Geopolítica, uma ordem mundial reflete as questões referentes ao poder em um determinado período histórico. Nesse caso, a Nova Ordem Mundial reflete essas configurações globais na atualidade, sendo, por isso, chamada de Ordem Geopolítica Atual. Em termos mais precisos, a Nova Ordem Mundial se refere ao cenário político internacional no período que se sucede à Guerra Fria, que se encerrou com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética.

O período anterior, marcado pela dualidade entre Estados Unidos e União Soviética na chamada bipolaridade, foi substituído por um novo cenário geopolítico mundial. Se, por um lado, os soviéticos declinaram, por outro surgiram várias outras potências internacionais capazes de fazer frente ao poderio estadunidense no mundo. Dentre esses atores, destacam-se a União Europeia – notadamente, a Alemanha –, o Japão e o seu forte crescimento econômico até o final do século XX, além da China, que surge como o principal país dentre as nações subdesenvolvidas e emergentes do planeta.

É claro que, aqui, a rivalidade e a disputa política não se estabelecem da mesma forma que na Guerra Fria, onde havia uma oposição direta entre dois países e o risco iminente de uma terceira guerra mundial. Agora, a disputa ocorre no âmbito econômico, diferentemente de outrora onde a competição acontecia no âmbito militar. Além disso, esses países não são declaradamente inimigos, mas diferentes atores de um mesmo cenário internacional, marcado pela consolidação do processo de Globalização e do Capitalismo Financeiro/Informacional.

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Por isso, o termo “mundo bipolar” foi substituído por “mundo multipolar”, haja vista a multiplicação das frentes internacionais de poder. Alguns autores, no entanto, insistem no conceito de “mundo unimultipolar” em razão de que, de um lado, temos a liderança dos Estados Unidos tanto na economia quando no poderio bélico e, de outro, a proliferação do protagonismo de algumas potências financeiras.

Uma característica importante da Nova Ordem Mundial é a expansão do mercado financeiro que, se antes já se fazia muito atuante, agora consegue rapidamente se reproduzir nos antigos países de orientação socialista ou de “economia planificada”, como a China, o Vietnã e, mais recentemente, Cuba. Em termos de destaque internacional, somente a Coreia do Norte guarda resquícios da ordem mundial anterior, permanecendo sob um regime fechado e ditatorial, alimentando uma grande rivalidade com a Coreia do Sul e os principais países capitalistas da atualidade.

Um outro aspecto do período geopolítico atual é o papel crescente exercido pelo países subdesenvolvidos emergentes, com destaque para o México, os Tigres Asiáticos e, principalmente, o chamado BRICS, um acrônimo formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul. Além do crescimento econômico, os membros do BRICS vêm adotando uma postura de desalinhamento político com os países desenvolvidos e buscam consolidar uma espécie de liderança entre os países periféricos.

Em tempos recentes, a Rússia vem adotando uma postura que intensifica esse desalinhamento. O país, que possui uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, vem enfrentando e desafiando os Estados Unidos em várias questões estratégicas, como a disputa pela influência na Ucrânia e também ao vetar a intervenção militar norte-americana no conflito da Síria. Quando a Rússia anexou a província da Crimeia, localizada ao sul da Ucrânia, estabeleceu-se um panorama de profunda tensão diplomática contra os EUA e, principalmente, a União Europeia, levantando a hipótese, por parte de muitos analistas políticos, de que o mundo estaria entrando em uma nova Guerra Fria.

No contexto econômico, uma das mudanças mais substanciais da Nova Ordem Mundial frente ao panorama do mundo bipolar é a maneira de se regionalizar os países conforme o seu nível de desenvolvimento. Antes, era habitual a divisão do planeta em primeiro, segundo e terceiro-mundo, compostos, respectivamente, pelos países desenvolvidos capitalistas, os socialistas e os capitalistas subdesenvolvidos ou não-alinhados. Atualmente, é mais comum a regionalização mundial pautada na dicotomia norte/sul, com a maioria dos países do norte como pertencentes ao mundo desenvolvido e os países do sul no mundo dito “em desenvolvimento”.

Observe o mapa abaixo e perceba que essa divisão não necessariamente corresponde aos princípios cartográficos de norte e sul.

Regionalização Norte-Sul
Regionalização Norte-Sul

Um último aspecto da Nova Ordem Mundial a ser destacado é a maior atuação dos chamados grupos terroristas. Na verdade, a origem da maioria deles se deu durante a Guerra Fria, mas seu maior poderio vem se fazendo nos dias atuais, sobretudo com o avanço da tecnologia, da internet e da facilidade que esses grupos possuem em se comunicarem, expressarem as suas reinvindicações e espalhar o medo.

Quando, no início dos anos 2000, o então presidente estadunidense, George W. Bush, afirmou que os Estados Unidos estavam a empreender uma “guerra ao terror”, ele revelava a trama sob a qual a Nova Ordem Mundial se configurava, pois o “inimigo comunista” foi substituído por organizações diversas, com líderes difíceis de se capturar e com ações totalmente imprevisíveis. Uma dessas ações foram os atentados de 11 de setembro, principalmente o impacto dos aviões que atingiram e derrubaram o World Trade Center, realizado pela Al-Qaeda. Outro grupo terrorista de grande impacto é o Estado Islâmico, que vem tendo uma atuação e um controle militar de grandes proporções no Oriente Médio. Além disso, merece destaque o Boko-Haram, um grupo radical islâmico que provocou um número incontável de mortos no continente africano, principalmente na Nigéria.

O mundo contemporâneo, no entanto, é de difícil diagnóstico em termos políticos, pois ao mesmo tempo em que muitas análises socioespaciais são realizadas, outras tantas acontecem simultaneamente. Assim sendo, é importante que se acompanhe sempre as informações veiculadas em todo mundo, afinal, em tempos de globalização e fragmentação dos discursos, uma grande quantidade de mudanças pode ocorrer em um curto intervalo de tempo.

Por Rodolfo F. Alves Pena
Mestre em Geografia

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  1. Guilherme Faria Diz

    Excelente artigo. Só informação de qualidade as que vem desse site, por isso que quando se trata de um assunto como esse, corro logo pra cá!

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