O conceito de estabilidade no emprego, outrora associado à carteira assinada, está se tornando obsoleto para a Geração Z, composta por jovens entre 18 e 27 anos. Essa transformação desafia a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), um marco histórico no Brasil.
Pesquisas recentes indicam que, apesar de muitos ainda privilegiarem a formalidade, a demanda por novas abordagens cresce rapidamente.
De acordo com um estudo da consultoria Robert Half, 74% dos empregadores brasileiros percebem que a Geração Z está mais exigente em relação a salários do que as gerações anteriores, como os Millennials e Baby Boomers.
Isso reflete um desejo por condições de trabalho que vão além da simples remuneração, adicionando fatores como propósito e flexibilidade.
Em busca de maior autonomia, muitos jovens optam por modelos de trabalho alternativos, como freelancer ou pessoa jurídica (PJ). Esses formatos oferecem liberdade, mas também carecem de proteções garantidas pela CLT, como férias remuneradas e aposentadoria.
Assim, o dilema entre modernidade e precarização permanece no Brasil.
Direitos em questão
Especialistas alertam sobre a necessidade de modernizar as leis trabalhistas e destacam a importância de criar mecanismos que protejam os trabalhadores, mesmo fora do regime CLT. Sem adaptação, corre-se o risco de aumentar a informalidade e precarização.
A pesquisa da Robert Half revela que a Geração Z valoriza o desenvolvimento profissional e o impacto social. Muitos esperam aumento salarial, justificando com novas habilidades, alcance de metas ou aumento do custo de vida.
Os benefícios corporativos se tornaram essenciais, com 72% dos empregadores relatando maior exigência por parte dos jovens.
Empresas e adaptação
Para atrair a Geração Z, as empresas devem oferecer modelos de trabalho flexíveis, como regimes híbridos e remotos. Ambientes diversos, inclusão e liderança que fomente o aprendizado são essenciais.
Benefícios personalizados, como apoio à saúde mental e educação continuada, são cada vez mais demandados.
Muitos acreditam que CLT precisa se adaptar para continuar atraente para os jovens. Flexibilização de jornadas e contratos híbridos são algumas das sugestões propostas para tornar o modelo mais dinâmico e alinhado ao estilo de vida atual.
Transformação necessária
Economistas enxergam a resistência da Geração Z à CLT como um reflexo das mudanças estruturais no mercado de trabalho.
As empresas devem se adaptar a essa nova realidade, oferecendo soluções que conciliem liberdade e propósito. Aquelas que se ajustarem primeiro terão vantagem na atração de talentos.
Enquanto as organizações se adaptam para atrair esses talentos, o Estado enfrenta a pressão de revisar políticas regulatórias e previdenciárias para um mercado de trabalho cada vez mais digital e descentralizado.
A Geração Z envia uma mensagem clara: os moldes tradicionais não atendem mais suas expectativas.
