Infartos precoces atingem jovens no Brasil e especialistas apontam causas

Cresce o número de infartos em jovens no Brasil. Fatores evitáveis são principais causas, alertam especialistas.


Nos últimos três anos, o Brasil tem vivenciado um aumento preocupante nos casos de infarto entre jovens com menos de 40 anos. Dados do Ministério da Saúde revelam que, de 2022 a 2024, mais de 234 mil atendimentos foram registrados nessa faixa etária.

Esse fenômeno, antes associado a pessoas idosas, agora desafia a saúde pública e levanta questões importantes sobre os hábitos de vida dos jovens brasileiros.

A mortalidade por infartos em jovens é igualmente alarmante. De acordo com os dados, foram registradas mais de 7,8 mil mortes nos últimos três anos, em decorrência de infartos nessa população.

São Paulo destacou-se com 2.490 óbitos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 622. A situação exige atenção e ações efetivas para reverter esse cenário.

Principais gatilhos e o impacto da pandemia

Especialistas identificam fatores evitáveis como os principais gatilhos para infartos precoces. O cigarro, elevado colesterol, hipertensão e uso de drogas e anabolizantes são destacados.

Em entrevista ao Metrópoles, o cardiologista Rafael Côrtes ressalta que o tabagismo ainda é o maior vilão, enquanto o uso crescente de esteroides anabolizantes preocupa.

Estilo de vida e sua influência

O cardiologista Arthur Felipe Giambona Rente alerta para a influência do estilo de vida no risco de infartos. Comportamentos adotados durante a pandemia, como sedentarismo e má alimentação, agravaram o quadro.

Segundo Rente, até o coronavírus pode ter contribuído, causando inflamações cardiovasculares.

Desigualdade e acesso à saúde

A desigualdade social também é um fator relevante. Regiões como o Norte e o Nordeste enfrentam mais barreiras de acesso à saúde, resultando em taxas de mortalidade mais altas.

Jovens de baixa renda chegam aos hospitais muitas vezes em condições críticas, como alerta Côrtes.

Políticas públicas e campanhas educativas

Para combater o problema, Rente destaca a necessidade de políticas públicas abrangentes. Investir em campanhas educativas nas escolas e incentivar hábitos saudáveis desde cedo são medidas fundamentais. O combate ao uso de cigarros e anabolizantes é crucial.

Os especialistas defendem a identificação precoce dos fatores de risco, principalmente em jovens com histórico familiar de doenças cardíacas. O foco deve estar na prevenção, com atenção especial àqueles com hipertensão ou colesterol elevado.

Ações em múltiplas frentes são necessárias para reverter a tendência de infartos precoces no Brasil.

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Escrito por

Lorena de Sousa

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), integra o time VS3 Digital desde 2016. Apaixonada por redação jornalística, também atuou em projetos audiovisuais durante seu intercâmbio no Instituto Politécnico do Porto (IPP).

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