Contos indígenas para encantar crianças de todas as idades!

Aproxime os pequenos da cultura indígena ao mostrar contos, lendas e histórias que falam sobre amor, criação do mundo e elementos naturais.

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A cultura indígena brasileira é uma das mais encantadoras, não é verdade? O respeito à natureza, o reconhecimento da sabedoria dos mais velhos e o próprio entendimento de mundo nos mostra a riqueza dos primeiros moradores do país.

Por isso, é importante aproximar as crianças dessas nações, evitando o preconceito e enriquecendo sua bagagem de conhecimento. Muito mais do que saber onde moram as tribos e o que usam, a melhor forma de se aproximar dos índios é por meio de suas histórias.

Veja também: Atividades educativas para o dia do Índio na educação infantil 

Quem nunca ouviu alguém contar sobre a origem da mandioca? Ou da vitória régia? Ou, ainda, a lenda do arco-íris? Os contos, lendas e histórias indígenas estão muito mais presentes em nossas vidas do que imaginamos. Por isso, nada mais justo do que transmitir esse legado a nossos filhos e alunos.

Confira um compilado que o Escola Educação trouxe de lendas e contos indígenas que podem ser trabalhados, não só em sala de aula, mas, em casa.

O paraíso terrestre

Há muito e muito tempo, a tribo da grande nação indígena Kaiapós habitava um mundo sem céu. Por isso, não existia também sol, nem lua, nem estrelas, cometas, arco-íris, pássaros. Aqueles habitantes se alimentavam apenas de mandioca e pequenos animais, mas nunca tinham visto, por exemplo, um peixe, pois não havia rios por ali. Tampouco, comiam frutas, pois não havia florestas, sequer arbustos e pequenas moitas. Era um mundo vazio.

O paraíso terrestre

Um dia, um jovem índio estava caçando quando avistou sua presa: um tatuzinho amedrontado. Percebendo a presença do caçador, o animal fugiu, e quanto mais corria, mais o jovem corria atrás. Sem entender, ele viu que o pequeno tatu crescia a cada passo, se tornando um grande animal que, embora grande, continuava amedrontado.

Cansado de correr e já percebendo a proximidade do caçador, o grande tatu cavou rapidamente a terra seca e escura abaixo deles, abrindo um grande buraco, no qual desapareceu.

À beira da cova, o índio ficou observando para se certificar que o animal fugiu mesmo. Não aguentando sua curiosidade, decidiu descer pelo buraco e, com surpresa, percebeu que ao final do caminho, havia um ponto luminoso. Sem sinal do tatu, resolveu seguir aquele ponto de luz.

Por muitos anos, aquele jovem índio se lembraria do que viu quando chegou ao final do túnel. Viu aos poucos o ponto de luz se transformar em uma grande abertura e um novo mundo se revelou: um mundo com um céu tão azul que os olhos acostumados com a escuridão ardiam. Um Sol tão luminoso que o índio temeu se queimar por um instante.

E, um lindo arco-íris, cujas cores estavam nas penas de algumas aves e nas asas de borboletas que enfeitavam o céu. Uma grande mata crescia nas margens de um grande rio, de onde pulavam peixes de vários tamanhos e cores. Perto dele, alguns animais caminhavam sem medo, como tartarugas, macacos, capivaras e preás.

O jovem índio ficou admirando aquele novo mundo e notou que o Sol se movia, fugia dele, até desaparecer. A tristeza tomou conta do jovem, que pensou que tudo aquilo havia acabado com o Sol. Mas, seu deslumbramento voltou assim que viu surgir no céu uma grande pedra branca, bem redonda e brilhante. Era a Lua que surgia com mais um milhão de estrelas que piscavam, e brilhavam, e iluminavam o céu e a terra. Algumas chegavam bem perto dele, como se fossem pequenos insetos luminosos.

Correndo mais rápido do que nunca, o índio voltou à aldeia para contar sobre aquele novo mundo. O pajé, homem mais respeitado na tribo, autorizou que todos seguissem aquele caminho aberto pelo tatu. Os índios foram, um a um, descendo por uma longa corda até pisar no chão daquele que seria seu novo lar, o Mundo Novo.

Extraído de Daniel Munduruku

Kuát e Iaê – A Conquista do Dia

No princípio, só havia a noite. Os irmãos Kuát e Iaê – o Sol e a Lua – já haviam sido criados, mas não sabiam como conquistar o dia. Este pertencia a Urubutsim (Urubu-rei), o chefe dos pássaros.

Certo dia, os irmãos elaboraram um plano para capturá-lo. Construíram um boneco de palha em forma de uma anta onde depositaram detritos para a criação de algumas larvas. Conforme seu pedido, as moscas voaram até as aves, anunciando o grande banquete que havia por lá, levando também a elas um pouco daquelas larvas, seu alimento preferido, para convencê-las. E tudo ocorreu conforme Kuát e Iaê haviam previsto.

Ao notarem a chegada de Urubutsim, os irmãos agarraram-no pelos pés e o prenderam, exigindo que este lhes entregasse o dia em troca de sua liberdade. O prisioneiro resistiu por muito tempo, mas acabou cedendo. Solicitou, então, ao amigo Jacu que este se enfeitasse com penas de araras vermelhas, canitar e brincos, voasse à aldeia dos pássaros e trouxesse o que os irmãos queriam.

Pouco tempo depois, descia o Jacu com o dia, deixando atrás de si um magnífico rastro de luz, que aos poucos tudo iluminou.O chefe dos pássaros foi libertado e, desde então, pela manhã, surge radiante o dia e à tarde vai se esvaindo, até o anoitecer.

Extraído de Contos do Covil

A Lenda do Guaraná

Um casal de índios Mawés desejava muito ter um filho. Certo dia, resolveram pedir um filho para Tupã. Bondoso, Tupã ouviu os pedidos daquele casal e resolveu dar-lhes um menino. Ao crescer, o filho desejado do casal tornou-se um lindo jovem bom e generoso.

A Lenda do Guaraná

Com inveja da bondade, paz e generosidade do jovem índio, Jurupari, divindade do mau e das trevas, resolveu eliminá-lo. Transformou-se numa cobra venenosa e picou o jovem índio, quando este estava nas matas, levando-o a morte.

Então, Tupã enviou fortes trovões e relâmpagos para as proximidades da aldeia. Triste e chorando muito, a mãe do índio morto acreditou que eram sinais para que ela enterrasse os olhos dele em solo próximo à aldeia.

Dali, nasceram plantas que deram lindos e saborosos frutos, cujas sementes pareciam com os olhos negros do jovem e bom índio morto. Surgiu assim, de acordo com esta linda lenda indígena da Amazônia, o guaraná.

Extraído de Sua Pesquisa

Mani, a lenda da mandioca

Diz a lenda Tupi que, certa vez, uma índia teve uma linda filhinha, a quem deu o nome de Mani. A menina era muito bonita, de pele bem clara, alegre e falante, e era amada por todos.

Mani parecia esconder um mistério. Era uma menina muito diferente do restante das crianças, vivia sorrindo e transmitindo alegria para as pessoas da tribo.

Certo dia, porém, a indiazinha não conseguiu se levantar da rede. Toda a tribo ficou alvoroçada. O pajé correu para acudir, levou ervas, bebidas e fez muitas rezas.

Mesmo assim, nem as rezas do pajé, nem os segredos da mata virgem, nem as águas profundas e muito menos a banha de animais raros puderam evitar a morte de Mani.

A menina morreu com um longo sorriso no rosto. Os pais resolveram enterrá-la na própria oca onde moravam, pois isso era costume dos índios tupi. Regaram a cova com água, mas também com muitas lágrimas, devido à saudade da menina.

Passados alguns dias, no local em que ela foi enterrada, nasceu uma bonita planta. As folhas eram viçosas, e a raiz era escura por fora e branquinha por dentro, lembrando a cor da pele de Mani.

A mãe chamou o arbusto de maniva, em homenagem à filha. Os índios passaram a utilizar a tal planta para fabricar farinha e cauim, uma bebida de gosto forte. A planta ficou conhecida também como mandioca, mistura de Mani e oca (casa de índio). Por ser tão útil, tornou-se símbolo de alegria e abundância para os índios – das folhas às raízes.

Extraído de Xapuri

Naiá, a lenda da vitória régia

Diz a lenda que, no começo do mundo, a Lua era um deus que sempre se escondia por trás das serras para namorar as jovens mais lindas das aldeias indígenas. A lenda diz também que, quando a Lua se enamorava, transformava a jovem por quem estava apaixonada em estrela e a levava para junto dela, no céu.

Naiá, a lenda da vitória régia

Em uma aldeia havia uma jovem guerreira chamada Naiá, muita linda, que se apaixonou pela Lua e sonhava em ir com ela para o céu. Todas as noites, enquanto seu povo dormia, Naiá subia as colinas esperando por ela, na esperança de virar estrela e seguir com ela para o céu. Mas, a Lua parecia não notar a paixão de Naiá, que virou obsessão.

A obsessão era tanta que chegou ao ponto em que a jovem não queria nem comer nem beber mais nada, só admirar a Lua. À noite, Naiá saía pela floresta soluçando e clamando pelo amor do deus. Em uma dessas noites, Naiá viu a Lua refletida nas águas de um lago e pensou que era o próprio deus que se banhava ali, bem perto dos seus olhos.

Emocionada, Naiá jogou-se no lago, na direção em que via sua paixão, e não mais voltou. Comovido por tanto amor, o deus Lua recompensou Naiá, transformando-a em uma estrela diferente: Naiá virou uma linda vitória-régia, a “estrela das águas”, cujas lindas flores são brancas durante a noite e tornam-se rosadas com o nascer do dia.

Extraído de Xapuri

Tucumã, a lenda do surgimento da noite

No início não existia a noite. Quer dizer, existia a noite, mas ela pertencia a uma enorme serpente, que a mantinha no fundo das águas.

Um dia, a filha da serpente se casou, mas sem a noite, não conseguia consumar o casamento. Então, exigiu que viesse a noite, sem a qual não poderia se deitar.

O esposo, então, enviou três mensageiros para que a trouxessem. A serpente, senhora da noite, recebeu-os com indiferença. Mesmo assim, entregou-lhes um coco de Tucumã, lacrado com cera de abelha, dizendo-lhe que ali estava o que vieram buscar.

Não deveriam, entretanto, abri-lo, pois a noite poderia escapar. Na volta, os índios perceberam que do côco saiam ruídos de sapos e grilos.

Um deles, o mais curioso, convenceu os companheiros a abrir o fruto. E assim o fizeram. Logo que derreteram a cera, a noite saiu através do coco, escurecendo o dia.

A filha da serpente aborreceu-se, pois agora ela deveria descobrir como separar o dia da noite. Desta forma, ao surgir a grande estrela da madrugada, criou o pássaro Cujubim, ordenando que este cantasse para que nascesse a manhã.

Em seguida, criou o pássaro Inhambu, que deveria cantar à tarde, até que viesse a noite. Criou, ainda, os outros pássaros para alegrar o dia, diferenciando-o da noite.

Aos mensageiros desobedientes, lançou toda a sua ira, transformando-os em macacos de boca preta -devido à fumaça – e risca amarela – pela cera derretida. Assim, a filha da serpente pôde finalmente se deitar e todos os seres puderam dormir.

Extraído de Ame Rio

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  1. hghiuhjimijil Diz

    top!

  2. Marina Ribeiro Diz

    Que demais esse site!!! Fácil leitura e gostoso de ler. Tirou todas as minhas dúvidas.

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