Na contramão da inflação! Veja os 43 alimentos que ficaram mais baratos no último ano

Dezenas de alimentos experimentam redução de preço, contrariando a tendência percebida pelos consumidores.

Apesar do aumento nos índices gerais de inflação no Brasil, uma parcela significativa de alimentos se destacou pela redução de preços ao longo do último ano. Esse fenômeno, no entanto, não tem conseguido aliviar o bolso dos consumidores, que frequentemente percebem alta em seus gastos com alimentação.

Entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025, a categoria de alimentos e bebidas sofreu um aumento de 7,25%. O número é bem superior ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 4,5% no mesmo período.

Essa variação trouxe à tona a questão do impacto específico de cada item no orçamento familiar.

Preços dos alimentos: impacto econômico

De um total de 176 itens monitorados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 43 alimentos apresentaram redução nos preços, incluindo itens fundamentais da cesta básica, como feijão e algumas frutas. Já o arroz e as carnes, essenciais na dieta nacional, continuam a pressionar o orçamento familiar.

O feijão carioca, por exemplo, teve uma redução significativa de 17,77%. Já os ovos de galinha e algumas variedades de peixe registraram quedas menores, mas ainda assim notáveis.

Em reportagem ao portal O Tempo, Fernando Duarte, economista e supervisor técnico do Dieese-MG, explica que o peso individual dos produtos na inflação é crucial. Produtos como carne bovina, com alta de 21,17%, afetam mais o orçamento familiar do que frutas, cujas quedas são menos impactantes.

Alimentos que ficaram mais baratos

Alimento Variação de Preço (%)
Batata-inglesa −38,59
Cebola −26,02
Maracujá −24,22
Tubérculos, raízes e legumes −23,26
Cenoura −22,29
Repolho −19,92
Feijão – carioca (rajado) −17,77
Manga −17,09
Pepino −17,04
Pimentão −14,44
Melancia −13,77
Tomate −13,40
Feijão – preto −12,95
Pera −10,06
Morango −8,67
Peixe – pescada −7,52
Banana-da-terra −7,36
Milho-verde em conserva −6,53
Banana – prata −6,31
Peixe – palombeta −5,97
Feijão – mulatinho −5,96
Caldo de tucupi −5,70
Peixe – tainha −5,60
Fubá de milho −4,81
Margarina −4,24
Pepino em conserva −3,67
Farinha de mandioca −3,59
Peixe – anchova −3,45
Peixe – sardinha −2,76
Peixe – aruanã −2,51
Cereais, leguminosas e oleaginosas −2,33
Camarão −1,93
Caranguejo −1,93
Ovo de galinha −1,91
Batata-doce −1,73
Farinha de trigo −0,79
Melão −0,63
Alface −0,48
Maionese −0,45
Açúcar cristal −0,39
Peixe – tilápia −0,37
Salame −0,32
Hortaliças e verduras −0,17

Percepção e realidade

André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), destaca que itens como carne e café, que tiveram alta, são mais percebidos pelos consumidores. Segundo ele, os alimentos que caíram de preço não são suficientes para proporcionar um alívio financeiro significativo.

O consumidor médio, como aponta Duarte, tende a notar mais os aumentos recentes. Mesmo itens que registraram queda ao longo do ano passado, agora mostram novos aumentos em supermercados, o que gera uma percepção de inflação elevada.

Então, provavelmente, se você chegar e apontar que, nos últimos 12 meses, os ovos diminuíram de preço, a pessoa trará o preço da semana passada e dirá que você ou a inflação estão errados, porque ela foi ao supermercado na semana passada e o preço aumentou”, detalha o economista.

Apesar de algumas quedas nos preços, a realidade financeira das famílias, especialmente as de baixa renda, permanece desafiadora. A percepção de alta nos preços gerais, alimentada por aumentos recentes em itens cruciais, continua a gerar preocupação entre os consumidores brasileiros.

você pode gostar também

Comentários estão fechados.