Linhas Pedagógicas: Conheça os diferentes tipos de escola e de educação

Como alternativas às escolas tradicionais, outras linhas pedagógicas estão ganhando mais força a cada dia, no Brasil e no mundo.

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Nós, brasileiros, estamos acostumados ao modelo de educação tradicional. Isso porque crianças sentadas em filas, o professor como centro da educação e as provas e avaliações formais, durante muito tempo foram a única realidade do país.

Contudo, há muito tempo diversos pedagogos e teóricos empenham-se em encontrar novas formas de educação. Nas últimas décadas, principalmente a partir dos anos 70 e 80, essa tendência está ganhando um espaço notório entre as instituições brasileiras. Hoje, em praticamente todos os estados possuem alternativas às escolas tradicionais.

A educação infantil é uma etapa fundamental da formação de todos os indivíduos, por isso ela deve ser levada muito a sério. Na hora de efetivar a matrícula é preciso levar em consideração, além do desenvolvimento da criança, se a proposta da escola está alinhada aos valores e crenças familiares.

O que diferencia cada uma delas é basicamente a forma como vão abordar ensino, o papel do aluno e dos professores. Abaixo, listamos alguns dos modelos já adotados no Brasil e outros que estão começando a chegar por aqui.

Escola Tradicional

Muito questionadas nos últimos tempos, mas ainda predominantes no Brasil, as escolas tradicionais foram criadas no século XVIII na Europa. Nela, o modelo de ensino e avaliação são padronizados. O professor, como transmissor de conhecimento, é visto como a figura principal da sala de aula.

O aprendizado tem como o objetivo o maior acúmulo possível de informações para provas de vestibulares e ingresso em universidades. Dessa forma, para que o estudante seja capaz de ser uma pessoa crítica e questionadora, ele, necessariamente, deve ter uma base de conhecimentos concretos.

Para isso, desde a primeira infância, exige-se muito dos alunos, o que pode acarretar uma série de problemas, como a exaustão, estresse, depressão e outros problemas emocionais. Embora novas alternativas tenham surgido, ainda são as mais procuradas.

Escola Freiriana

Baseada nos conceitos do filósofo, educador e pedagogo brasileiro, Paulo Freire, essa pedagogia leva em consideração os aspectos humanos, sociais e culturais dos alunos. Alguns dos princípios defendidos são o respeito, a tolerância, curiosidade e humildade. A escola Freiriana não prevê a realização de provas, embora os alunos possam ser avaliados.

De acordo com Freire, o conhecimento precisa fazer sentido para o aluno, transformando-o, assim, em um sujeito capaz de entender e transformar o mundo. Justamente por isso ela tem como uma das principais características escutar o estudante, para que ele possa ser compreendido

Paulo Freire criticava duramente a ideia de que ensinar é transmitir o saber, uma vez que a missão do professor é possibilitar que a produção de conhecimentos seja feita pelo próprio aluno. Nesse sentido, o papel do educador é diretivo e informativo, sem que ele deixe de exercer sua autoridade.

Escola Construtivista

A escola Construtivista tem como base as teorias do psicólogo suíço Jean Piaget. Atualmente, é o método alternativo mais difundido no Brasil. Ele foca no aprendizado como construção, de forma que as crianças entendem o mundo por assimilação, tendo sempre a realidade como referência, ou seja, o conhecimento prévio é usado para entender novos conteúdos.

Nessas escolas, os estudantes são colocados em situações onde os estudantes são estimulados a pensar soluções para problemas propostos. O intuito é fazer com as que pessoas criem novas novas, no lugar de apenas reproduzirem o que já foi feito. Outro objetivo é proporcionar a formação crítica, por isso, os professores devem orientar os estudantes em relação a aprendizagem autônoma, ou seja, são considerados facilitadores.

As escolas Construtivistas não possuem uma grade curricular muito rígida, embora haja provas e reprovações. O tempo de aprendizagem dos alunos é tratado de forma individual e há valorização do trabalho em grupo.

Escola Waldorf

A pedagogia Waldorf foi idealizada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner e leva esse nome pois seus primeiros estudantes trabalhavam na fábrica alemã Waldorf Astoria. Seu principal objetivo é formar um adulto seguro e equilibrado.

Ela procura estabelecer o equilíbrio entre os aspectos cognitivos e o aprendizado de trabalhos manuais, artísticos e atividades corporais, o que possibilita, simultaneamente, o desenvolvimento físico, social e individual da criança

No lugar da divisão tradicional, em séries, os estudantes são separados por faixa etária. Não há reprovação, já que é defendida a tese de que o desenvolvimento biológico de cada indivíduo tem um tempo único. Eles estudam com a mesma turma e com o mesmo professor dos 7 aos 14 anos.

Apesar de existirem testes e provas, os alunos são avaliados por meio da execução de trabalhos, comportamento, empenho e dificuldade que o estudante tem com aquele conteúdo. Além das disciplinas obrigatórias, é comum a presença de aulas de jardinagem, crochê e tricô, trabalhos manuais, meteorologia, marcenaria, ginástica, teatro e astronomia.

Escola Montessoriana

A escola Montessoriana foi criada pela médica e pedagoga italiana Maria Montessori. De acordo com essa metodologia, as crianças devem fazer as descobertas por meio das experiências, da prática e da observação, ou seja, elas devem buscar sua autoformação.

O foco está nos aluno, sempre levando em consideração que cada pessoa tem um ritmo de aprendizagem próprio. Cabe ao educador propor atividades motoras e sensoriais e remover os obstáculos do aprendizado, sempre guiando e orientando os estudantes. Esse processo proporciona o desenvolvimento de indivíduos independentes, confiantes, criativos e com iniciativa.

As turmas são pequenas, e geralmente nas classes há crianças de todas as idades. Durante o período que se dedicou à educação, Maria Montessori desenvolveu uma série de materiais, até hoje usado nas escolas Montessorianas. Podem, ou não, ter a aplicação de provas, dependendo da própria escola.

Escola Comportamentalista

Aqui, o objetivo é moldar o estudante para as necessidades sociais, fazendo com que eles tenham comportamentos desejados, a partir de estímulos que são recompensados quando o objetivo é atingido. Os professores controlam o tempo e as respostas dos alunos, dando feedbacks constantes.

Isso possibilita que o desempenho dos estudantes seja completamente mensurado. Outro ponto a ser ressaltado, é que o ensino e os materiais didáticos são rigorosamente planejados e controlados. As avaliações são feitas por meio de provas e resultados satisfatórios são recompensados.

Outros modelos de escolas alternativas

Além das metodologias apresentadas acima, há inúmeros modelos ao redor do mundo. Conheça mais alguns diferentes tipos de escola e educação:

  • Escola Sócio-construtivista – uma vertente da construtivista, é baseada nas ideias do bielo-russo Lev Vygotsky. De acordo com ele, o conhecimento é adquirido a partir de relações interpessoais, ou seja, que os alunos aprendem a partir de relações com grupos sociais, outros alunos, professores e experiências.
  • Escola Progressista-humanista – outra vertente do construtivismo, o foco é trabalhar a criança como foco na progressão de seus conhecimentos, valorizando as diferenças e individualidades de cada um.
  • Escola Pikler – também é construtivista e surgiu como uma resposta ao ensino tradicional. É especialmente voltada para a autonomia dos bebês e crianças de 0 a 3 anos.
  • Escola How-to-live – foi criada mestre iogue indiano Paramahansa Yogananda e tem como base os princípios dessa filosofia. A educação é voltada para a paz, com foco do desenvolvimento espiritual, mental, emocional e físico das crianças.
  • Escola Democrática – baseada na pedagogia libertária, onde os alunos são o centro do processo educacional, enquanto professores facilitadores do conhecimento. Sempre emprega conceitos de democracia e cidadania.

Como escolher o melhor tipo de escola?

Antes de tudo, é necessário levar em consideração que não há uma resposta correta para essa pergunta. Aqui, deve-se levar em consideração quais são as expectativas da família e quais os modelos melhor se encaixam naquilo que é esperado para a educação dos filhos.

Também é importante observar os sinais que os pequenos dão aos pais e familiares. Se eles sentem-se felizes e entusiasmados em ir para a escola, apresentam um desenvolvimento significativo, um bom ritmo de aprendizado e se contam coisas positivas, são alguns dos sinais para saber se a escola foi acertada.

Na hora de fazer a matrícula das crianças é importante alinhar as expectativas em relação à escola, observar e conhecer a fundo como esses conceitos são trabalhados na prática e como as atividades serão desenvolvidas no decorrer do ano letivo.

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