Unificação Italiana

Os reinos que formavam a península itálica buscavam a unificação e libertação do domínio austríaco.

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O que foi a Unificação Italiana? A chamada “Unificação Italiana” foi o processo de centralização e união dos vários reinos que formavam a Península Itálica, com início na segunda metade do século XIX (1815) e término no ano de 1871.

Assim, logo após a expulsão dos austríacos, sob o comando do rei Victor Emanuel II, do reino de Piemonte-Sardenha, surgia o Estado-nação da Itália

Por ter sido considerado um processo relativamente tardio e demorado, gerou um atraso no desenvolvimento industrial, além de influenciar a corrida para ocupação dos territórios da África

Antecedentes da Unificação Italiana

Na primeira metade do século XIX, a Itália que conhecemos hoje era constituída por diversos reinos que formavam a chamada “Península Itálica” e que viviam sob o domínio dos austríacos. 

Essa divisão era tão notória que cada reino tinha sua própria moeda, sistema de pesos e medidas, além de idiomas distintos.

A principal atividade desenvolvida no território era a agrária, com destaque para o reino de Piemonte-Sardenha, considerada a primeira região a iniciar o processo de industrialização.

Nesse período, os sentimentos nacionalistas ganharam força, principalmente influenciados pelas revoluções liberais (a exemplo da Revolução Francesa) a partir do ano de 1848 e que dominaram toda a Europa. 

Alguns desses movimentos de luta pela unificação italiana foram:

  • Neoguelfos: lutavam pela unificação italiana sob o ideal de transformar o Papa no rei do novo território. O movimento foi liderado por Vincenzo Gioberti.
  • Monarquistas: liderados pelo líderes Victor Emanuel II e Conde de Cavour, o movimento monarquista defendia a unificação da região, transformando-a num regime monárquico.
  • Republicanos: inspirados por ideais republicanos, o líder do movimento Giuseppe Mazzini, junto com seus seguidores, também lutavam pela unificação do território italiano.  

Apesar dos esforços, as revoltas perderam força e fracassaram na conquista de seus objetivos. 

Nessa época, em 1849, Victor Emanuel II assumiu o reino de Piemonte-Sardenha em detrimento da derrota do seu pai durante a tentativa de expulsão dos austríacos. Sua primeira medida como rei foi nomear o Conde de Cavour como primeiro-ministro e, assim, juntos darem início aos processos de unificação.

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Mapa que representa o a unificação da Itália e os territórios anexados ao longo do processo

Processo de Unificação Italiana

A partir do ano de 1850 começou então o Risorgimento (Ressurgimento em italiano), considerado o movimento de iniciou os processos de centralização de poder do território italiano.

Os primeiros passos tomados foram: modernização do reino de Piemonte-Sardenha e expulsão definitiva dos austríacos. 

Para a segunda tarefa, buscou-se o apoio dos franceses, que lutaram lado a lado com os sardo-piemonteses na chamada Segunda Guerra de Independência Italiana, no ano de 1859.

O resultado desse confronto foi a anexação do reino da Lombardia ao de Piemonte. Somado-se a isso, a população inflamada pela vitória, rebelou-se contra os governantes austríacos de outros reinos, expulsando-os também do poder. 

Deste modo, vendo a força que dos monarquistas, junta-se ao movimento de unificação os republicanos, liderados por Giuseppe Mazzini e Giuseppe Garibaldi, símbolos do processo de unificação.

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Giuseppe Garibalde (1808-1882) – Líder dos movimentos nacionalista de unificação italiana.

Com isso, cada vez mais territórios eram conquistados e anexados ao domínio italiano comandado pelo rei Victor Emanuel II, que se autodeclarou rei de toda a Itália no ano de 1861.

Seus próximos passos envolveram o controle do reino de Vêneto, aliado dos prussianos durante a Guerra Austro-prussiana de 1866, além da conquista da cidade de Roma e expulsão das tropas francesas dos Estados Pontifícios.

Essa invasão ao território dominado pela Igreja gerou insatisfação por parte do alto escalão da Igreja Católica, que não enxergava Victor Emanuel II como rei de toda Itália. 

Apenas no ano de 1929 é que esse desentendimento teve fim. Isso aconteceu graças à assinatura do Tratado de Latrão, que resultou no surgimento do Estado do Vaticano

O que a unificação trouxe como consequências?

O processo de Unificação Italiana fez a nação ressurgir sob o regime de Monarquia Constitucional, possibilitando o início da sua expansão territorial no continente africano. 

O ato levou ao enfrentamento de interesses das potências como Alemanha e França, que resultaria nos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial

Somado a isso, algumas das consequências resultantes da unificação italiana foram:

  • Desencadeamento da Guerra Franco-prussiana;
  • Com a unificação política tardia, houve um retardamento e atraso no desenvolvimento econômico-capitalista e industrial;
  • A divisão do país em dois: Norte (práticas mais industriais) e Sul ( atividades agrícolas).
  • Rompimento do equilíbrio europeu, fortalecido pelo crescimento da Alemanha como potência, além do revanchismo francês decorrente da derrota na Guerra Franco-prussiana.
  • Tratado de Latrão: Mussolini indenizou a Igreja Católica em razão dos prejuízos sofridos da perda de Roma pelos religiosos. No acordo, ficou estabelecido o domínio e soberania do Estado do Vaticano nas mãos da igreja. 
  • Expansão territorial dos italianos pelo território africano, o que geraria desentendimentos políticos com outras nações poderosas com Alemanha e a França. 

Veja também: Cultura Italiana – Costumes, culinária, danças, roupas, pontos turísticos

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