Uma única cidade brasileira soma 3,3 mil afastamentos de professores por transtornos mentais em 2025
Crescem afastamentos por saúde mental entre professores, revelando crise na educação.
O crescimento abrupto de afastamentos por saúde mental entre professores voltou a iluminar um problema silencioso na educação paulista. Na região de Campinas, a pressão cotidiana dentro das salas de aula resultou em 3.356 licenças médicas por transtornos mentais e comportamentais apenas entre janeiro e setembro de 2025.
As informações surgiram após um pedido via Lei de Acesso à Informação, mostrando ainda que, no conjunto do estado, 25.699 afastamentos foram registrados no mesmo período. O número revela a intensidade do desgaste emocional vivido pelos docentes.
Pelos cálculos, a rotina escolar perde, em média, doze profissionais por dia apenas na região de Campinas, impactando diretamente o calendário, a carga de trabalho das equipes e a continuidade pedagógica dos estudantes.
Todos os casos estão enquadrados na CID-10, sistema da Organização Mundial da Saúde que padroniza diagnósticos e permite leitura uniforme sobre transtornos mentais e comportamentais.
Com isso, especialistas alertam para a urgência de estratégias de prevenção, apoio psicológico consistente e revisão das dinâmicas de trabalho, antes que o quadro avance para patamares ainda mais críticos.
Pressões no cotidiano escolar
Entre os relatos da rede estadual, docentes apontam sobrecarga, infraestrutura insuficiente e estresse acumulado. Além disso, citam baixa remuneração e pressão de gestores como fatores que corroem o bem-estar. Como resultado, o ambiente escolar se torna um terreno fértil para adoecimentos.
Uma professora da rede estadual de Campinas, que preferiu não se identificar, contou ao G1 que sofreu desmaios na escola. Em setembro, ela recebeu diagnóstico de burnout e se afastou.
Porém, no retorno, encarou um pedido inesperado: assinar uma carta solicitando o próprio desligamento. Decidiu priorizar a saúde mental e buscou trabalho em outra escola, embora relate sequelas emocionais e falta de estabilidade.
Outra docente da rede estadual de Campinas, também anônima, teve a primeira crise de ansiedade quando ocupava um cargo de coordenação. Depois de 22 anos de carreira efetiva, ela identificou assédio moral por parte de um diretor recém-chegado contra ela e parte da equipe.
Nesse ambiente, questionamentos incessantes e ordens sob pressão agravaram as crises. Ela quer seguir na carreira, mas rejeita continuar sofrendo.
Suporte psicossocial
Em resposta, a Secretaria Estadual da Educação afirma manter ações permanentes de cuidado aos servidores, com mais de 650 mil atendimentos psicológicos e psiquiátricos. Além disso, sustenta que os pedidos de afastamento passam por perícia individual e não se relacionam a desligamentos.
Por fim, a pasta afirma repudiar o assédio e orienta as denúncias pelos canais oficiais.
Contrariando as informações da secretaria, Márcio Calheiras do Nascimento, representante do Centro do Professorado Paulista, afirma que a falta de suporte psicossocial e os episódios de violência nas escolas agravam o cenário.
Assim, o desgaste funcional se soma ao medo, ampliando os riscos à saúde mental dos profissionais. Nesse contexto, a rede requer respostas integradas e suporte contínuo.
Caminhos e vigilância
Os indicadores até setembro de 2025 expõem um desafio que combina números elevados e histórias pessoais marcantes. Portanto, reforçar a prevenção, garantir condições de trabalho e qualificar a gestão tornam-se passos decisivos na busca por estabilidade e segurança na educação.
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