Nada chamou mais atenção no novo THE Latin America University Ranking do que a força avassaladora do Brasil. Divulgado pela consultoria britânica THE (Times Higher Education) nesta quarta-feira (3/12), o levantamento reafirmou o país no centro do mapa acadêmico latino-americano.
O estudo examinou 223 instituições distribuídas por 16 países, mas foi o bloco brasileiro que se impôs de maneira quase incontestável. A USP (Universidade de São Paulo) liderou a lista das melhores universidades da América Latina, repetindo um protagonismo que se consolida ano após ano.
Ao todo, 81 universidades nacionais entraram na análise, deixando Colômbia (39) e Chile (31) bem atrás em volume e diversidade. Esse peso numérico amplia o alcance das comparações e reforça a amplitude do sistema brasileiro.
Entre as dez primeiras colocadas, sete são brasileiras, desenhando um recorte de excelência que inclui USP, Unicamp, Unesp, UFRJ, PUC-Rio, UFRGS e UFMG. O conjunto forma um núcleo de referência que combina pesquisa forte, impacto acadêmico e projeção internacional.
Como o ranking foi construído
A metodologia replica os pilares do ranking mundial da THE e, ao mesmo tempo, ajusta pesos para refletir características da América Latina. Desse modo, ensino, pesquisa, citações e transferência de conhecimento orientam a comparação.
O recorte inclui apenas universidades que atendem a critérios mínimos de produção científica.
Segundo o professor Dawisson Belém Lopes, diretor do escritório de governança de dados institucionais da UFMG, o levantamento existe desde 2004 e impõe uma regra restritiva. Para entrar na lista, a instituição precisa registrar pelo menos 1 mil artigos na base Scopus nos últimos cinco anos.
Reações e estratégias das universidades
Para justificar a liderança, o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, atribui ganhos a reformas recentes. Além disso, ele cita a modernização dos currículos de graduação e um novo modelo de pós-graduação, com foco em formar profissionais qualificados e comprometidos com as necessidades da sociedade.
Ele aponta ainda parcerias que criam centros internacionais nos campi, o que projeta a universidade como polo global de ciência e inovação. Portanto, a expectativa é de avanços futuros nos indicadores considerados pelos rankings, em linha com a estratégia de internacionalização.
Unicamp em alta e o peso da tradição
Na avaliação de Fernando Sarti, pró-reitor de desenvolvimento universitário, a permanência da Unicamp entre as primeiras confirma consistência institucional, compromisso com qualidade acadêmica, pesquisa de ponta e impacto social.
Mesmo com a mudança metodológica introduzida pela THE em 2026, a universidade preserva posição de destaque na região.
Top 10 da América Latina
O Brasil lidera em representatividade com 81 universidades avaliadas, enquanto a Colômbia reúne 39 e o Chile soma 31. Entre as sete brasileiras no top 10, seis são públicas e apenas uma é privada, o que reforça o papel histórico do sistema estatal.
A seguir, o recorte das dez primeiras colocadas:
- USP (Universidade de São Paulo) – Brasil
- Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) – Brasil
- Pontifícia Universidade Católica do Chile – Chile
- Unesp (Universidade Estadual Paulista) – Brasil
- UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) – Brasil
- PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) – Brasil
- Instituto de Tecnologia de Monterrey – México
- UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – Brasil
- Universidade Nacional Autônoma do México – México
- UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) – Brasil
No curto prazo, o resultado consolida o Brasil como referência acadêmica latino-americana. A disputa por posições, porém, deve ganhar novos contornos conforme ajustes de método avancem e investimentos se consolidem.
Assim, universidades que combinam impacto social e produção científica tendem a sustentar protagonismo, enquanto outras buscam reduzir distâncias com políticas acadêmicas consistentes.
