Quem foi Anísio Teixeira?

Tudo sobre a vida de Anísio Teixeira, educador que defendia a implantação de escolas públicas no Brasil.

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Anísio Spínola Teixeira é considerado um dos mais importantes profissionais que atuaram na educação do Brasil. Natural de Caetité (BA), Anísio nasceu em 1900 em uma importante família da região.

Biografia de Anísio Teixeira

Teixeira formou-se em ciências jurídicas e sociais na cidade do Rio de Janeiro em 1922. Após a graduação, voltou para seu estado de origem e ajudou na reforma educacional da Bahia entre os anos de 1924 e 1928. Logo após, decidiu aprofundar seus estudos nos Estados Unidos, onde matriculou-se na Universidade de Colúmbia.

Retrato de Anísio Teixeira
Retrato de Anísio Teixeira

Em solo norte-americano Anísio entrou em contato com os conceitos pedagógicos do filósofo e profissional da educação, John Dewey. As teorias de Dewey afetaram profundamente os pensamentos de Anísio sobre o sistema de ensino implantado no Brasil. Ele se tornou um grande defensor das idéias do filósofo e chegou a traduzir vários de seus livros.

Durante toda sua trajetória política, Anísio Teixeira tentou reorganizar a forma de ensino do nosso país. Começou na Bahia onde apresentou sugestões de reforma do sistema de educação do estado. Apesar dos esforços, seu trabalho foi rejeitado sob o pretexto de que não era viável.

No Rio de Janeiro, Anísio conseguiu implantar uma rede de ensino que ia do ensino fundamental até o superior, ampliando o acesso à educação para diversas camadas sociais. Ele era um grande defensor da implantação de escolas públicas, sem influência religiosa e que o ensino fosse obrigatório.

Anísio foi alvo de muitas críticas da Igreja Católica entre as décadas de 1930 e 1950. Ele acreditava que deveria haver respeito com relação a religião dos indivíduos, mas que princípios religiosos não deveriam se intrometer na forma de ensino das pessoas.

O educador buscava constantemente novos métodos de ensino e gestão que pudessem ser aplicados no Brasil. Sua principal inspiração era a Escola Nova, onde a escola seria um agente de transformação social dos indivíduos.

O apoio de Teixeira à secularização e ao controle estatal da educação pareceu à igreja uma traição ao caráter nacional, e o acusaram de ser um servo ingênuo das ideologias comunistas e ateístas. No entanto, em 1931, foi convidado pelo Prefeito Pedro Ernesto para assumir como Diretor Geral de Educação Pública do Distrito Federal. Posteriormente, o posto ficou conhecido como a Direção Geral do Departamento de Educação do Distrito Federal e, em 1935, a Secretaria Geral de Educação e Cultura.

Como Diretor Geral de Educação Pública do Distrito Federal, Teixeira adquiriu a reputação de reformador educacional. O clima político da época estava se tornando cada vez mais radical, levando à repressão violenta. Anísio também foi afetado pelas medidas repressivas vigentes no Brasil na época. Ele teve que abandonar seu cargo na Universidade do Distrito Federal, juntamente com todos os seus assistentes e retornar para a Bahia.

Em 1946, Anísio se juntou à UNESCO como conselheiro. Quando retornou ao Brasil, em 1947, se tornou Secretário de Educação e Saúde do Governo da Bahia. Neste período ele lutou para que a educação recebesse mais atenção dos estados e municípios. Ele acreditava que a esfera federal deveria fornecer suporte técnico e financeiro para a expansão da educação nas áreas mais remotas do país.

Após o Golpe Militar de 1964, Teixeira, que era reitor da UNB na época, deixou o país, retornando em 1966. O pioneiro no ensino público no Brasil faleceu em 1971.

Frases de Anísio Teixeira

  • Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.
  • Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.
  • Choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras.
  • Revolta-me saber que dos cinco milhões que estão na escola, apenas 450.000 conseguem chegar a 4ª. série, todos os demais ficando frustrados mentalmente e incapacitados para se integrarem em uma civilização industrial e alcançarem um padrão de vida de simples decência humana.
  • Somos condicionados pela propaganda para desejar o supérfluo, para atender necessidades inventadas, antes de haver atendido às nossas reais necessidades.

Obras de Anísio Teixeira

  • Aspectos americanos de educação
  • A educação e a crise brasileira
  • Educação é um direito
  • Educação e o mundo
  • Educação e universidade
  • Educação no Brasil
  • Educação não é privilégio
  • Educação para a democracia: introdução à administração educacional
  • Educação progressiva: uma introdução à filosofia da educação
  • Em marcha para a democracia: à margem dos Estados Unidos
  • Ensino superior no Brasil: análise e interpretação de sua evolução até 1969
  • Pequena introdução à filosofia da educação: a escola progressiva ou a transformação da escola

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