O que é o Budismo, a doutrina que orienta rumo ao caminho da libertação

Conheça a doutrina fundada por Sidarta Gautama que traz os caminhos para a libertação através da consciência e práticas espirituais, como o yoga.

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Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo

Pode parecer clichê, mas o pensamento reina nossas ações e coordena os rumos de nossa vida. Uma mente povoada por inquietações e sentimentos negativos rumam o indivíduo para caminhos mais difíceis, enquanto pensamentos positivos geram resultados muito mais proveitosos. Sabemos disso, mas como é difícil praticar, não é verdade?

Pois, uma doutrina milenar nascida na Índia, o Budismo, tem como missão auxiliar o homem no caminho da libertação. Identificando o desprendimento do que é transitório como peça chave para a felicidade plena, esse conjunto de tradições encontra na reencarnação um dos motores para a evolução espiritual.

O que é o budismo?

O Budismo é um dos fenômenos mais antigos do mundo, o quarto após Cristianismo, Judaísmo e Hinduísmo. Sua criação é devida à Sidarta Gautama, príncipe de família aristocrata cuja vida resume-se em nascimento, maturidade, renúncia, busca, despertar, libertação, ensino e morte.

Descrente ao perceber a situação de seu país, viu-se evoluindo diante dos males do mundo, desprendendo-se de seus trajes suntuosos, raspando a cabeça e lançando ao mundo em busca de explicações. Mediante sob a sombra de uma figueira, passou pelo tão desejado despertar espiritual.

Ao identificar-se como portador de novo entendimento sobre a vida, rumou para a cidade de Benares, às margens do Ganges, com a ideia de transmitir tudo o que lhe tinha acontecido. Durante 45 anos, pregou sua doutrina pela Índia, mencionando sempre as Quatro Verdades e as Oito Trilhas.

O Budismo pode ser conceituado como o conjunto de doutrinas filosóficas, religiosas e espirituais cujo principal fundamento encontra-se na liberdade frente às aflições mentais originadas pela insatisfação. Outro preceito fundamental do Budismo é a reencarnação como forma de nos prender aos sofrimentos do mundo material.

Ao contrário do que muitos interpretam, o budismo não é exatamente uma religião, mas a filosofia centrada no homem, na sua libertação da dor e sofrimento. É como uma forma de comportamento perante o mundo. O budismo busca o desenvolvimento de uma atitude de compaixão, amor, comunidade com os seres vivos em geral, sem ofensas ou depreciações.

Ademais, orienta seus seguidores ao desprendimento do que é transitório representando, assim, uma auto suficiência espiritual. O “Caminho do Meio”, a prática do não-extremismo, é o pilar do Budismo. Os primeiros ensinamentos do Budismo foram registrados de forma oral e compilados em textos, mais precisamente 200 anos após a morte do Buda.

Existem uma infinidade de livros sagrados que reuniram os ensinamentos de Buda. As versões mais antigas são chamadas de “cânone Páli”. Porém, há vários outros traduzidos para todas as línguas do continente asiático. Apenas 5% dos textos do cânone tibetano, por exemplo, foi traduzido para o idiomas ocidentais.

Quem é Buda?

Buda significa “desperto”, isto é, o ser que acordou para a natureza das coisas. Quando mencionamos Buda, sempre nos referimos a Sidarta Gautama, o príncipe criador do Budismo. A partir de sua iluminação, Sidarta passou a ser chamado de Buda Sakyamuni, o “desperto do clã dos Sakyas”.

Estátua de Buda
Estátua de Buda

E o que é Sakya? É o reino onde Sidarta nasceu correspondente à fronteira do Nepal e Índia. Porém, não existe apenas um Buda, pois o conceito se relaciona ao potencial dos seres humanos em desenvolver suas qualidades e eliminar os obstáculos. Em suma, o Buda é a natureza livre e verdadeira do ser humano.

Ao longo de 42 anos, contados desde sua iluminação até sua morte, Sidarta pregou seus ensinamentos e respondeu às dúvidas para pessoas que viviam contextos diferentes. Parte desses ensinamentos foram registrados em escrita e os primeiros estruturaram os demais configurando, então, as Quatro Nobres Verdades:

todas as experiências condicionadas são insatisfatórias, ou seja, tudo tem início e fim. Uma boa experiência nunca dura para sempre e, ao mesmo tempo, nunca estamos livres de que uma má experiência, a insatisfatoriedade surge de não reconhecermos as experiências condicionadas como são, tentando conseguir delas aquilo que nunca vamos receber parar de atribuir expectativas errôneas às coisas e descansar na perfeição do que já é trariam a felicidade condicionada caminho do Nobre Caminho Óctuplo, formas de aplicar as três verdades anteriores para atingir a liberdade perante o costume de procurar a felicidade onde ela não está.

Os ensinamentos do budismo

Uma curiosidade interessante é que, no Oriente, onde nasceu esse conjunto de tradições, não existe um termo específico que possa ser traduzido por Budismo. Por lá, ele é conhecimento como Dharma do Buda ou método do Buda. Por se tratar de uma prática, existem diferentes escolas que descrevem suas atitudes e ensinamentos.

O fato é que cada escola pode atender a um tipo específico de necessidade e, por vezes, alguns podem considerar seus ensinamentos contraditórios. No entanto, existem quatro aspectos, chamados de “selos”, que são aceitos por todas as escolas budistas. Saiba quais são:

  • sofrimento: o sofrimento e o desejo de livrar-se dele é o que move o esforço por um novo caminho espiritual. O sofrimento, aqui, inclui obstáculos cotidianos, doenças, velhice, angústias quanto à morte ou existenciais.
  • impermanência: o Budismo carrega a ideia de que todas as coisas são mutáveis e livres de características próprias, ou seja, impermanentes. O sofrimento seria o resultado do apego às ilusões, assim chamadas as percepções sólidas de existências individuais internas ou externas.
  • cessação: outro ensinamento que diz respeito à mutabilidade das coisas. O sofrimento é impermanente, assim como tudo o que existe não surge como elementos separados e perecíveis.
  • aflições mentais: o desconhecimento da realidade e o fechamento perante os outros são as causas das aflições mentais. Como resultado, surgem hábitos e emoções que impedem que a mente se aquiete.

Os ensinamentos do Budismo representam o caminho para chegar à sabedoria da moderação e igualdade. Conhecendo e praticando as Quatro Verdades Nobres, o homem será capaz de seguir pela Senda das Oito Trilhas. A partir daí, serão exigidos fé, vontade, ação, linguagem, vida, aplicação meditação e memória.

As principais características do budismo

  • Carma

O carma é o ensinamento fundamental da doutrina budista. Em sânscrito, o termo significa ato ou ação indicando. Então, qualquer ação, seja ela física ou mental, pode ser indicada como carma, assim como seus resultados e reações. Em suma, a ideia do carma nos induz a perceber que as ações trarão consequências nas próximas reencarnações.

  • Gênese Condicionada

A Gênese Condicionada é a verdade imutável do universo e da vida. Desse conceito, surge aquele relacionado ao Princípio de Causa e Condição. A partir deles, entendemos que tudo surge como resultado de causas e condições, assim como terminam.

  • Shunyata

O conceito de shunyata seja, talvez, o mais incompreendido do budismo. Sabemos que os dharmas surgem pela combinação de causas e condições, assim como findam pela conseqüência da desintegração das mesmas causas e condições. Sendo assim, entendemos que a natureza de todos os dharmas é o vazio.

  • Três Selos do Dharma (Três Características da Existência)

São os indicadores dos ensinamentos budistas e funcionam como uma espécie de “carimbo oficial”.

  • O Nirvana como a paz perfeita

O estado de nirvana é o da verdade, paz e igualdade. Trata-se do extermínio do apego e da individualidade. O Budismo prega que, por maior que seja o caos, tudo acabará em um estado de paz absoluta. O resultado é o extermínio das aflições e sofrimentos, alcance da felicidade eterna e a realização da sabedoria perfeita.

  • Samsara

O Samsara é o ciclo vicioso regido pelas leis do Carma que remete à ideia do renascimento como forma de romper com o sofrimento, buscando a ascensão às moradias mais puras.

Escolas Budistas

Podemos definir como quatro as escolas budistas mais conhecidas pelos apreciadores da doutrina. Em todas elas, prevalece o caminho de libertação pelas Três Jóias, ou seja, o Buda como guia, o Darma como lei fundamental e o Sangha como a comunidade budista. Configuram como escolas budistas:

  • Gelupa
  • Sakya
  • Kagyu
  • Nyingma

É importante mencionar que, após a morte de Buda, houve uma expansão da doutrina pela Índia, chegando a ter mais adeptos que o hinduísmo, a religião oficial do país. Atravessou o Oriente em virtude da rota comercial da seda, passando a adaptar-se às necessidades espirituais das pessoas mais simples.

No Tibet, fundiu-se com a religião bon-po derivando para o landaísmo. No Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia e Birmânia, seguiu com seu caráter ortodoxo. A partir de 1875, o Budismo expandiu-se mundo afora, especialmente com a criação da Sociedade Teosófica. Hoje, existem templos budistas em diversas partes do planeta, incluindo o Brasil.

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