Cleópatra

Força, beleza e inteligência. Descubra porque a figura emblemática da última rainha do Egito é envolta de mistérios e lendas.

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Quem foi Cleópatra? Cleópatra foi a última rainha do Egito entre os anos de 51 a 30 a.C e uma das figuras mais misteriosas e cativantes da história da humanidade.

De origem grega, nasceu na cidade de Alexandria em 69 a.C. A cidade foi fundada por Alexandre, o grande no delta do Nilo antes mesmo do nascimento de Cristo e era considerada metrópole cultural, econômica e artística do Mediterrâneo Oriental. Inspirada nas conquistas do maior líder militar que o mundo já conheceu, Cleópatra era determinada, ambiciosa e muito inteligente, visto que falava cerca de nove idiomas.

Apesar de ser considerada egípcia por nascimento, fazia parte de uma dinastia macedônica que se instaurou no antigo Egito no ano de 305 a.C.

Biografia de Cleópatra

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Apesar da romantização em torno da sua beleza, historiadores conseguiram reconstruir o que seria o rosto verdadeiro da antiga rainha do Egito.

Mesmo tendo existido ao todo sete Cleópatras na história do Egito Antigo, a mais famosa foi a última , Cleópatra VII (69 – 30 a.C). 

Era filha de Ptolomeu XII e foi educada em meio aos papiros da biblioteca de Alexandria. Na história, foi a única rainha grega que falava egípcio e que vivia sobre os preceitos religiosos faraônicos. Um fato curioso é que, durante os acontecimentos do incêndio da biblioteca, Cleópatra ficou profundamente magoada, o que demonstrava sua afeição por conhecimento. 

No ano de 51 a.C, aos 18 anos, tornou-se rainha do Egito, após a morte do seu pai. Ptolomeu em seu testamento, deixou o comando do reino nas mãos descendente masculino, seu filho Ptolomeu XIII, na época com 10 anos de idade. Segunda a tradição, estava previsto o casamento entre os irmãos para dar continuidade à nobre linhagem. Entretanto, esse período foi marcado pela intensa disputa de poder entre ambas as partes.

Aos 21 anos, declarou guerra civil contra os ministros do próprio irmão, além de enfrentar as intrigas palacianas arquitetadas pelos conselheiros reais, que a afastaram do trono.

Buscando auxílio em Roma, a jovem rainha pede ajuda a Júlio César na tentativa de construir um império tão suntuoso quanto o de Alexandre, o grande. 

Cleópatra e Júlio César: Romance em meio à desavença fraternal

Ditador vitalício de Roma, na época a maior potência mediterrânea, Júlio César matinha relação amigável com o reino do Egito e acompanhou de perto os problemas e desavenças entre os filhos de Ptolomeu XII.

Para impressionar o general romano, historiadores dizem que Cleópatra, escondida em um tapete, apareceu de forma inesperada para Júlio César. Desde então, após adiar sua volta à Roma, formou-se uma parceria tanto política quanto amorosa. 

Em visita ao cemitério de Sakara, o general teve seu primeiro contato com uma múmia. Impressionado com ideia de vida após a morte, oriundos dos preceitos religiosos do Egito, associada à sua admiração pela cultura e modelo de sociedade e cultivo, César começou a se interessar cada vez mais pelo modo de vida dos egípcios.

No ano de 47 a.C, com a morte de Ptolomeu XIII, Cleópatra e Júlio César puderam finalmente desfrutar do seu reinado em paz no que seria a união dos reinos do Egito e Roma. Entretanto, muitos acreditam que nesse período, o país africano sofria com a dominação romana.

Com a prisão e envio da sua irmã Arsinoe para a Itália, Cleópatra casou-se novamente com seu irmão Ptolomeu XIV, mas ainda continuava a usufruir da companhia de Júlio César. 

Da relação entre os dois, nasceu seu primeiro filho, Ptolomeu V César ou Cesário, como era chamado. Cleópatra enxergava no primogênito um grande imperador que comandaria tanto Roma quanto o Egito.

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Estátua do general Júlio César, exímio conquistador e amante de Cleópatra.

Cercada de muito luxo e ao lado de um grande estrategista, dentre os planos da rainha estava incluso transformar o Oriente em um império dos Ptolomeus, sendo sua capital Alexandria.

Bem articulada e em visita à Roma, conseguiu fazer nome e construir uma imagem de mulher decidida, forte, independente, capaz de todo e qualquer tipo de negociação.

No ano de 44 a.C, o general Júlio César foi morto por um grupo de senadores que diziam que César estaria transformando a República Romana em monarquia. Desse episódio nasceu a expressão “Até tu Brutus”, em referência ao algoz responsável por matar o comandante.

Com a morte de César, Cleópatra retorna ao Egito com seu filho e decide dar continuidade aos seus planos de conquistas. Para surpresa geral, na leitura do testamento, o general morto designou como seu único herdeiro seu sobrinho Otávio, ao invés do seu filho Cesário.

Cleópatra e o romance com Marco Antônio

Decidido a vencer seu principal inimigo, Otávio de Roma, Marco Antônio solicitou um encontro com Cleópatra em Tarsus, que também estava decidia a destituir o sobrinho de Júlio César do poder e colocar seu próprio filho, Cesário. 

Após seu retorno de Alexandria, a rainha egípcia já havia se tornado amante de Marco Antônio, além de também estar grávida de gêmeos. 

O general, obrigado a partir para uma batalha, acabou abandonando Cleópatra. 

Com 29 anos, mãe do pequeno Cesário e grávida, a rainha mais uma vez foi obrigada a adiar os planos ao trono para seu filho.

Tempos depois, ainda obcecado em derrotar Otávio, Marco Antônio pede novamente ajuda para Cleópatra que, mesmo estando ressentida, cedeu parte das riquezas do Egito ao general por meio de um acordo nupcial. Nesse acordo, os territórios das regiões da Arnúbia, Sinai, Chipre, Armênia, Fenícia e parte do Norte da África ficariam sob posse egípcia. Todos eles conquistados com o derramamento de sangue romano. 

Isso gerou ainda mais revolta por parte da população de Roma que, juntamente com tropas aliadas do governo de Otávio, dizimaram de vez o exército de Marco Antônio.

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Na cena, os atores Elizabeth Taylor e Richard Burton em representação ao romance entre Cleópatra e Marco Antônio, no filme Cleópatra (1963)

Fugindo por meio da nau capitânia do general romano, Cleópatra seguiu para Alexandria, com planos de uma viagem até a Índia na esperança de fundar um novo império utilizando suas riquezas. Marco Antônio, no entanto, após se perder da amada, acredita ter sido abandonado e comete suicídio pela espada. 

Em Petra, ao descobrir que suas embarcações foram incendiadas, confinada em Roma, e separada de Marco Antônio, Cleópatra decide dar fim à vida no que seria um dos maiores mistérios da história da humanidade.

A morte de Cleópatra

A morte da rainha Cleópatra ainda é envolta de muitos mistérios. As teorias iniciais afirmam que ela se matou com uma mordida de cobra na região do peito. Se isso for de fato verdade, acredita-se que uma naja tenha sido a causa de sua morte, visto que sua picada é letal e não deixa rastros notáveis no corpo.

Confinada em um dos quartos do palácio de Otávio, em Roma, tudo que lhe era levado passava por inspeção junto aos guardas, em razão do provável desejo da rainha egípcia em se matar. 

Não se sabe como, mas foi entregue em meio à uma cesta de frutas uma compota que continha a cobra. Quando se deram conta, os soldados romanos encontraram Cleópatra já morta em seus trajes reais. 

Otávio matou Cesário, dando fim à qualquer esperança de tomada do reino. Já os gêmeos se perderam na história. Alexandria tornou-se uma simples província romana no Egito, deixando de ser um lugar ligado ao saber e conhecimento. 

Até hoje, Cleópatra é símbolo de força e audácia, espiritualidade, determinação e inteligência, tornando-a uma das mulheres mais famosas e notáveis do mundo.

“A Morte de Cleópatra”, por Jean André Rixens (1874)

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