Ditadura Militar no Chile – Tudo sobre o período

Resumo sobre a ditadura chilena, quem foi Augusto Pinochet, principais características, como era a economia e o golpe militar de 1973.

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Países da América Latina passaram, a partir da segunda metade do século XX, por governos ditatoriais instalados após golpes de estado. Alguns deles seguem sob esse tipo de regime mas, a maior parte conseguiu democratizar sua política, como Brasil e Chile.

Neste artigo, você vai saber um pouco mais sobre o período da Ditadura Militar no Chile, incluindo seu processo de início, principais características e quem foi Augusto Pinochet, seu principal líder.

Assim como o Brasil, o Chile passou por uma ditadura militar que provocou um grande retrocesso democrático no país. No Chile, a ditadura durou quase 17 anos (de setembro de 1973 a março de 1990). Neste período, o Chile foi governado pelo general Augusto Pinochet.

Contexto histórico da Ditadura Chilena

A ditadura no Chile perdurou por quase 17 anos, começando em setembro de 1973 e finalizando em março de 1990. Durante todo esse período, o país foi governado por Augusto Pinochet. Entenda como foi o início do regime a partir de seu contexto histórico.

Augusto Pinochet
Augusto Pinochet

A economia chilena, no início da década de 70, tinha forte dependência de investimentos internacionais, especialmente, as multinacionais. Mesmo diante do bom processo de industrialização, a maior parte da população padecia em situação de pobreza.

Na política, a instabilidade não era diferente perante a divisão do Chile entre capitalistas e socialistas em razão da Guerra Fria. Os primeiros defendiam reformas da ordem política em vigor e reformar moderadas alinhadas com os Estados Unidos.

Os socialistas, por sua vez, pretendiam implantar reformas radicais a partir de uma revolução que rompesse estruturas econômicas e levasse o país para este tipo de governo. Nesse cenário, o Salvador Allende, socialista, foi eleito presidente.

O apoio em sua campanha veio de partidos de esquerda que formavam a Unidade Popular. O intuito de Allende era combater a desigualdade social e alavancar a economia por meio de reformas socialistas.

Entre as medidas propostas pelo presidente eleito estavam a reforma agrária e a nacionalização de empresas e recursos minerais, como o cobre. Obviamente, as propostas contrariaram as Forças Armadas, a classe média, os empresários e os Estados Unidos.

Com forte influência sobre o Chile, a terra do Tio Sam não queriam que o país se alinhasse à União Soviética, sua adversá na Guerra Fria, através das medidas socialistas de Allende. Para piorar a situação, a crise econômica chilena se agravou em 1973.

A inflação bateu 300% e o PIB entrou em queda vertiginosa. A partir daí, houve altos índices de insatisfação com relação ao governo Allende, criando o ambiente propício para o Golpe Militar que aconteceria no mesmo ano.

Golpe Militar de 1973

O governo de Salvador Allende foi derrubado no dia 11 de setembro de 1973 por meio do Golpe de Estado promovido pelas Forças Armadas. A sede política, o Palácio de la Moneda, foi bombardeado pelo exército. Diante do quadro, Salvador Allende acabou suicidando-se.

Começava, então, a ditadura militar no Chile, período que durou por quase 17 anos nas mãos do General Augusto Pinochet. Seu lema era a reconstrução nacional mas, promoveu reformas neoliberais aconselhadas por economistas conhecidos como Chicago Boys.

Principais características da Ditadura Chilena

Assim como no Brasil, o regime ditatorial apresentou características totalitárias com perseguição ferrenha aos seus opositores. Na economia, a população sofreu com o aumento da desigualdade social.

O principal marco do governo Pinochet foi a violência. Estima-se que haja mais de 3 mil mortos ou desaparecidos, tortura extrema de prisioneiros e mais de 200 mil exilados à força. Confira os principais pontos desse período:

  • Política anticomunista
  • Governo autoritário
  • Tortura, repressão violenta, perseguição, prisão e execução de opositores (estudantes, líderes sindicais, políticos, artistas e outros)
  • Censura à imprensa e partidos políticos (com fechamento de alguns deles)
  • Liberdade de expressão restrita
  • Violações aos direitos humanos
  • Restrição à liberdade de expressão
  • Política neoliberal alinhada ao Capitalismo sob a influência dos Estados Unidos.
  • Abertura para multinacionais e privatização das estatais
  • Juros controlados pelo Banco Central e redução de gastos públicos
  • Aumento da desigualdade social

Como foi o fim da ditadura chilena?

O governo de Pinochet, a exemplo das ditaduras instaladas em todo o mundo, teve caráter totalitário e violento. Suas práticas geraram imagem negativa do país, provocando seu isolamento por meio de pressões contrárias de outros países e instituições internacionais.

Em 1980, Augusto Pinochet legalizou seu governo ditatorial por meio da promulgação de uma nova constituição. A consequência foi a mobilização de grupos organizados pelo governo, dentro e fora do país.

Nos final dos anos 80, diversas relações diplomáticas com o Chile foram rompidas em resposta ao governo truculento do general. Se a situação era mal vista externamente, o povo chileno já não suportava as desigualdades sociais, problemas e violência de Pinochet.

O Chile, então, passou por plebiscito nacional em 1988. O movimento era previsto pela Constituição e permitia que a população optasse pela permanência de Pinochet no poder (sim) ou novas eleições no ano seguinte (não).

No quadro vivido pelos chilenos, a grande maioria votou pela saída do general e, em 1989, foram realizadas eleições diretas. A Coalizão de Partidos pela Democracia elegeu Patricio Aylwin, tomando posse em 11 de março de 1990. Chegada ao fim a ditadura no Chile.

Após a ditadura

Durante o regime, foi criada a Direção de Inteligência Nacional (DINA), liderada por Manuel Contreras. O órgão tinha o poder de deter e confinar pessoas contrárias ao governo do General Pinochet. Com isso, praticavam atos de sequestro, tortura e assassinato.

Em 1993, três anos após o início do governo civil, Contreras foi processado pela justiça. Em 2008, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do General Prats e sua esposa em Buenos Aires, no ano de 1974.

Em 2009, a justiça chilena ordenou a prisão de 120 militares e ex-agentes do serviço secreto por atentados aos direitos humanos durante a ditadura. Augusto Pinochet, por sua vez, faleceu em 2006 depois de dezenas de processos judiciais.

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