Émile Durkheim

Conheça Émile Durkheim, o sociólogo francês que dentre diversas teorias definiu a Teoria do Fato Social e a Teoria do Suicídio. Além disso, veja sua biografia, principais ideias, livros e frases.

0

Quem foi Émile Durkheim? David Émile Durkheim foi um antropólogo, sociólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo francês. Por muitos, ele é considerado o fundador das Ciências Sociais e dedicou parte de sua vida a entender os comportamentos coletivos.

Uma de suas preocupações era explicar a capacidade de manter uma nova sociedade coesa. Esta que ia se ajustando após a Revolução Industrial e Revolução Francesa. O Fato Social foi o objeto central dessa investigação.

Durkheim tem uma ideologia vista como mais harmoniosa da sociedade e qualquer alteração de padrão seria considerado como anomalia. Para ele, com a organização das forças sociais, estas anomalias podem ser corrigidas.

Biografia de Émile Durkheim

Émile DurkheimDavid Émile Durkheim nasceu no dia 15 de abril de 1858, na cidade de Épinal, França. Sua família era tradicional, composta por rabinos. Ele estudou no Liceu Louis-Le-Grand e na Escola Normal Superior de Paris. Ambas, instituições tradicionais.

O sociólogo estudou as mais diversas áreas do saber, como Direito e Economia, que seria sua formação acadêmica original, Filosofia, disciplina a qual ministrou em liceus franceses, Ciências da Natureza, onde estudou o pensador Herbert Spencer e a Psicologia, através do Laboratório de Pesquisa Experimental Wilhelm Wundt.

Durkhein buscou forma de unir seus estudos biológicos e sociais para estabelecer um novo olhar para a Antropologia. Isso resultou na criação da Teoria dos Fatos Sociais, que explicaria os acontecimentos que marcam a sociedade, como as leis, por exemplo.

Uma de suas maiores ambições era criar um campo autônomo das Ciências Sociais e que esta não dependesse de outras ciências.

Com 29 anos de idade, Durkhein começou a dar aula na Universidade de Bordéus. Ele criou e foi o primeiro docente da área da Sociologia.

Esse foi, então, o início da Sociologia como uma disciplina autônoma. Desde então, todos os seus estudos foram voltados para a Sociologia e para os Fatos Sociais.

Durkhein faleceu no dia 15 de novembro de 1917, na cidade de Paris. Ele foi um grande apoiador intelectual, com apelos nacionalistas voltados à frança na Primeira Guerra Mundial.

Teorias de Émile Durkheim

O pensador formulou diversas teorias. As mais conhecidas são “A Teoria do Fato Social” e a “Teoria do Suicídio”. Conheça as teorias de Émile Durkhein:

  • A Teoria do Fato Social

Na Teoria do Fato Social, Durkhein afirma que os homens são como animais selvagens e a única coisa que os difere é a capacidade de socializar. Ele nomeou a capacidade de assimilar valores, hábitos e costumes como “socialização”.

Tudo aquilo que aprendemos com a vida em sociedade, é chamado de “Fatos Sociais”.

É importante lembrar que nem todas as ações humanas podem ser consideradas fatos sociais. O sociólogo aponta três características para considerar as ações como fatos sociais:

  1. Generalidade: Esse fato precisa existir para o coletivo social e não apenas para o indivíduo;
  2. Exteriores: Esses fatos devem ser independentes da consciência do indivíduo, assim como os padrões culturais serem exteriores ao indivíduo;
  3. Coercitividade: Se refere à força do fato. Logo, este deve ser cumprido.

Dessa forma, os fatos sociais se referem a tudo aquilo que não está presente apenas na consciência interior do indivíduo, mas sim nas normas externas de uma sociedade. Por isso, instituições como igrejas, escolas, polícias, etc, servem como uma base para a coletividade dessa consciência, que mantém a normas e morais de uma sociedade.

  • Teoria do Suicídio

Na Teoria do Suicídio, o sociólogo tenta provar que as estatísticas apresentadas para entender a frequência das taxas de suicídio é insuficiente. Nesta teoria, ele buscou se aprofundar também na religiosidade.

Conseguiu-se, então, observar que no protestantismo, as taxas de suicídio eram maiores do que entre os católicos.

Com isso, surgiu uma possível teoria que via a igreja com pouco controle sobre os fiéis. Segundo ele, o controle social também poderia ser papel da igreja e da religião. Por isso, o sociólogo tenta provar que as causas do suicídio também podem ser sociais.

Na Teoria do Suicídio o autor destaca as causas entre os três tipos:

Egoísta: A causa egoísta se destaca que a taxa de suicídios varia de acordo com o nível de integração do indivíduo com a sociedade, tanto religiosa quanto políticas e domésticas. Quando acontece uma desintegração desse meio, o homem já não se importa com o fim de sua vida, pois este já não vive em sociedade.

Altruísta: Na causa altruísta, o autor explica que existe uma falta de individualização. O suicídio pode até ser uma forma de respeitar as diretrizes da sociedade a qual vive e ser visto como heroísmo. Durkheim cita como exemplo os militares, que em razão de sua pátria busca esse ato heroico.

Anômico: A causa anômica é diferente das anteriores, já que este não encontra uma razão para existência, nem mesmo em sociedade. Este nome é dado por acontecer somente em períodos que são fora do comum, como fortes crises individuais ou sociais.

Durkheim destaca como exemplo o alto índice de suicídios em períodos de grandes crises econômicas. Ele conclui ainda que existe esse aumento pelas pertubações na ordem social e não necessariamente por consequências, como pobreza ou fome.

Principais ideias de Émile Durkheim

O sociólogo Émile Durkheim possui três principais ideias, que são:

  • A Visão Sociológica do Indivíduo para o Coletivo

A metodologia da indução é uma das bases metodológicas principais das ideias de Émile Durkheim. Segundo ele, para entender uma sociedade seria necessário observar todas as atitudes de uma pessoa.

Para os grandes filósofos gregos,isso seria totalmente o contrário, pois estes observavam a natureza humana para entender a sociedade. Para Durkheim este método seria errado por não se basear em observações.

Porém, apenas trata-se de um caminho diferente. Os antigos gregos e filósofos estudavam a realidade para entender as certezas da metafísica. Sendo assim, a filosofia grega não seria menos lógica. Durkheim não aceitava a metafísica, pois entendia que suas respostas viriam através da observação dos sentidos.

  • A Natureza Humana

Para Durkheim, a natureza humana não vinha do interior, mas sim do exterior do ser humano. A sociedade influenciaria no comportamento humano. Para ele, a sociedade é um agrupamento que causa diferentes fenômenos na consciência do indivíduo.

Para ele, deveria existir uma separação entre a sociologia e a psicologia, pois a sociologia estudaria o ser em sociedade e a psicologia o ser em individual.

  • A Consciência Humana é Criada pela Pressão Social

Ao contrário do que os filósofos pensavam, Durkheim acreditava que o indivíduo tinha sua consciência formada pela pressão social, principalmente a partir da educação. Principalmente por ser nas escolas que as pessoas aprendem sobre regras, moral e religião.

Por isso, o indivíduo é resultado da sociedade e não o contrário, como os filósofos afirmavam. Para Durkheim, se as pessoas mudarem, a sociedade também muda. Ele acreditava que as coisas eram imposições sociais e que quando aprendidas, podem ser aceitas ou não.

Livros de Émile Durkheim

  • O Suicídio (1897)
  • Da Divisão do Trabalho Social (1893)
  • As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912);
  • As Regras do Método Sociológico (1895).

Frases de Émile Durkheim

É preciso sentir a necessidade da experiência, da observação, ou seja, a necessidade de sair de nós próprios para aceder à escola das coisas, se as queremos conhecer e compreender.

Nosso egoísmo é, em grande parte, produto da sociedade.

Perseguir um objetivo que por definição é inatingível, é condenar-se a um estado de infelicidade perpétua

Uma pessoa só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto do qual faz parte, a saber quais são suas origens e as condições de que depende.

“Constantemente, explicamos por paixões generosas ou considerações elevadas procedimentos que nos foram inspirados por sentimentos mesquinhos ou por cega irreflexão.”

Veja também: Edgar Morin – Biografia, Obras e Teoria da Complexidade

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.