Filosofia de Sócrates: O conhecimento de si mesmo e a busca pela verdade

Mesmo sem deixar nada escrito, Sócrates, além de um dos filósofos mais importantes da história, ficou conhecido como o pai racionalismo ocidental.

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O aforismo “Conhece-te a ti mesmo” é uma das máximas de Delfos, que foi escrita no pátio do Templo de Apolo. Mas foi por conta do conceito de verdade de um filósofo da Antiguidade que o sentido passou a ser discutido na Filosofia. Seu intuito era que, por meio do autoconhecimento, as pessoas fossem levadas à prática do bem e à sabedoria.

Sócrates, ao romper com as explicações filosóficas baseadas na observação da natureza, provocou uma verdadeira reviravolta. Por isso, é tido como um dos responsáveis pela fundação da filosofia ocidental. Para ele, as verdades são universais, ou seja, válidas para toda a humanidade, em qualquer tempo e espaço.

Esse pensamento foi fundamental para a civilização ocidental, a partir do momento que foi usado para definir que a ciência, para ser válida, necessita estar pautada nas verdades universais. Foi com base nesses mesmos conceitos que os ocidentais passaram a dar valor a razão, a verdade e ao conceito.

Curiosamente, não deixou nenhum legado escrito, uma vez que sua principal preocupação estava em suscitar questões e propor diálogos. Tudo o que podemos conhecer de sua obra é através do que foi escrito por seu discípulo, Platão. Em alguns momentos, inclusive, fica difícil distinguir o que cada um deles pensava, tamanha a compatibilidade de ideias.

A busca pela verdade

Ao contrário dos primeiros filósofos, os pré-socráticos, que encontravam suas questões na natureza, a filosofia de Sócrates encara os problemas morais. Essa fase da filosofia ficou conhecida como socrática ou antropológica. Ela marca a preocupação com a organização da humanidade e com os problemas dos indivíduos.

No contexto do reconhecimento das verdades universais, para ele, antes de ir em busca de qualquer verdade os homens necessitam de uma autoanálise – “Conhece-te a ti mesmo” – a fim de reconhecer sua própria ignorância.

Habituado a caminhar em vias públicas, Sócrates parava os seus interlocutores, e começava a indagá-los. As perguntas estavam baseadas em diversos temas, como por exemplo, “O que é justiça?”, “O que é a verdade?” e “O que é o bem?”. A partir dos questionamentos, era iniciada uma discussão acerca do tema.

Essa é a primeira fase de seu método dialético, que ficou conhecida como ironia ou refutação. O objetivo não era constranger o interlocutor, mas sim, purificar o seu pensamento, desfazendo as ilusões.

A segunda fase de seu método dialético ficou conhecida como maiêutica, que é a técnica de trazer à luz, também chamada de “parir as ideias”. Por meio dela, o filósofo sempre solicitava vários exemplos específicos do que estava sendo discutido.

Nesse momento o conceito era reconstruído, e o próprio interlocutor era capaz de ir dando forma às ideias para chegar ao conceito verdadeiro, através de aproximações sucessivas.

A maiêutica presume uma convicção de Sócrates, que admite que a verdade está no próprio homem, mas que ele jamais pode atingi-la, porque além de estar desprovido de métodos adequados, está envolvido por ideias falaciosas e preconceitos.

Somente colocando fim a esses empecilhos é possível chegar ao conhecimento verdadeiro. Sócrates o identifica como virtude, que é o oposto do vício, que está diretamente ligado à ignorância. Ou seja, ele afirma que ninguém erra voluntariamente ou faz o mal porque tem vontade, e sim por estar envolto à ignorância.

Seguindo essa linha de raciocínio, todo homem que faz o bem é virtuoso. Para ele, ser virtuoso é conhecer as causas e a finalidade das ações, possibilitando uma vida moral e virtuosa rumo a ideia de bem.

Em função disso, defendia que a melhor forma de viver é buscando o desenvolvimento próprio, ao invés de ir em busca de bens materiais e prazeres. Durante suas caminhadas persuadia homens de toda as idades a não se preocuparem tanto com a perfeição do corpo, priorizando a perfeição da alma.

Quem foi Sócrates

Sócrates foi um filósofo grego, nascido no ano de 470 a.C., na cidade de Atenas. É considerado um dos fundadores da filosofia ocidental. Filho de um escultor e pedreiro e de uma parteira, chegou a participar das batalhas contra Esparta (Guerra do Peloponeso), em 432 a.C., e contra Tebas, em 424 a.C..

Encarado como um homem inteligente, o filósofo chamava atenção, também, pelos seus costumes peculiares. Não era um adepto ao banho e sua aparência física era pouco atrativa, já que, além de corpulento, seu olhos eram saltados.

Frequentemente era visto caminhando pelas ruas de Atenas descalço e vestindo roupas gastas. Tinha como hábitos a meditação solitária e o diálogo com seus discípulos, sempre instigando-os na busca pela verdade.

Justamente por conta de seus questionamentos, encontrou muitos inimigos. Foi acusado de corromper os jovens de Atenas e de questionar os deuses da cidade. Condenado, ele teve que suicidar-se tomando um veneno chamado de cicuta.

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