Gírias antigas de cada década e seus significados

Expressões e termos se adaptam com o passar das décadas. Conheça os significados das principais gírias dos anos 50 até 2000.


Com o passar do tempo, algumas expressões populares deixam de ser utilizadas, dando espaço a outras. Porém, ao buscar conhecer as gírias de uma época, podemos entender como nossos familiares se comunicavam.

Por isso, preparamos um histórico que mostra a cronologia das principais gírias antigas de cada década.

Gírias dos anos 50

Confira as principais gírias dos anos 50:

  • Barbeiro – pessoa que dirige mal;
  • Bafafá – confusão, bagunça;
  • Chá de cadeira – ficar esperando por muito tempo;
  • De lascar o cano – quando algo é muito ruim;
  • Marcar touca – perder uma oportunidade;
  • Na boca de espera – quando a pessoa está próxima de conseguir alguma coisa.

Curiosidade: a gíria “barbeiro” remete à época em que os barbeiros, além de cortar o cabelo das pessoas, também extraíam dentes, removiam calos, entre outros. No entanto, por não serem especializados, geralmente eles não prestavam um bom serviço.

Dessa forma, a expressão passou a ser usada para remeter a alguma atividade que fosse conduzida de forma ruim.

Gírias dos anos 60

Confira as principais gírias dos anos 60:

  • Boa pinta – semelhante a dizer que alguém é bonito;
  • Borogodó – charme, sensualidade;
  • Broto – garota bonita;
  • Bulhufas – significa o mesmo que nada, coisa nenhuma;
  • Cafona – algo fora de moda, brega;
  • Dar tábua – quando alguém se recusa a dançar;
  • Duvi-de-o-dó – usado quando alguém duvida veementemente de algo;
  • Fogo na roupa – pessoa ou situação complicada;
  • Lelé da cuca – usada para dizer que alguém é maluco, doido;
  • Pão – expressão usada para se referir a homens bonitos;
  • Papo furado – conversa fiada que não vai levar a nada;
  • Sebo nas canelas! – usada para falar que alguém tem que correr, se apressar.

Curiosidade: alguns anos atrás, muitas corridas de meninos eram realizadas no Ceará. Com o tempo, as pessoas descobriram que, ao passar sebo de carneiro nas pernas das crianças, elas corriam mais rápido.

Acontece que o material começava a esquentar e arder a pele dos meninos, mas se eles fossem mais velozes, o vento aliviava a dor. Por isso da gíria “Sebo nas canelas!”.

Gírias dos anos 70

Confira as principais gírias dos anos 70:

  • Arquibaldos – torcedores que assistem às partidas das arquibancadas;
  • Barra pesada – situação ou pessoa difícil de lidar. Também pode indicar perigo;
  • Bicho-grilo – pessoas hippies, que gostam de ficar na natureza;
  • Bidu – pessoa esperta;
  • Careta – usada para definir uma pessoa conservadora;
  • Chacrinha – conversa fiada;
  • Chato de galocha – expressão usada para definir uma pessoa extremamente chata;
  • Chuchu beleza – usado para dizer que está tudo certo;
  • Entrar pelo cano – se dar mal;
  • Grilado – com raiva ou desconfiado de algo;
  • Patota – turma de amigos;
  • Tutu – dinheiro.

Curiosidade: a expressão “chato de galocha” surgiu por conta das galochas de borracha que eram usadas por cima dos sapatos em dias chuvosos para evitar sujeira.

A gíria fazia uma referência àqueles que entravam na residência das pessoas sem retirar as galochas, deixando todo o caminho sujo de lama.

Gírias dos anos 80

Confira as principais gírias dos anos 80:

  • Bode – ficar de bode significa estar de mau humor;
  • Numa nice – quer dizer que alguém está relaxado, tranquilo;
  • Viajar na maionese – imaginar coisas absurdas;
  • Pentelho – pessoa chata, irritante;
  • Rachar o bico – rir muito.

Curiosidade: há muitas versões sobre a origem da gíria “viajar na maionese”. Alguns acreditam que ela surgiu por conta de uma viagem prometida por uma fábrica de maionese que nunca aconteceu.

Por outro lado, algumas pessoas falam que a expressão se explica, já que o termo “viajar” pode ser usado no sentido de “delirar”, e maionese é algo feito a partir de muitos ingredientes misturados.

Gírias dos anos 90

Confira as principais gírias dos anos 90:

  • Antenado – alguém que está por dentro das coisas;
  • Arco da velha – algo muito antigo;
  • Azarar – flertar;
  • Baranga – mulher feia;
  • Bolado – chateado, bravo;
  • Chavecar – paquerar;
  • De lei – algo que sempre acontece da mesma forma;
  • Descolar – arranjar alguma coisa;
  • Mauricinho – rapaz que anda bem arrumado e é todo certinho;
  • Patricinha – versão feminina de “mauricinho”, usada para meninas ricas;
  • Pagar mico – passar vergonha;
  • Pindaíba – estar sem dinheiro;
  • Queimar o filme – passar por algo vergonhoso que vai estragar a imagem;
  • Xilindró – prisão, cadeia;
  • Zoar – brincar ou debochar de alguém. Também usada referente à bagunça.

Curiosidade: a expressão “pagar mico” veio de um antigo baralho infantil chamado Jogo do Mico.

As cartas tinham imagens de animais e as pessoas precisavam encontrar os pares de macho e fêmea considerando cada espécie. No entanto, a carta de mico não tem par, então, quem termina com ela na mão acaba perdendo o jogo.

Gírias dos anos 2000

Confira as principais gírias dos anos 2000:

  • Abalar – o mesmo que arrasar, causar boa impressão;
  • Beca – roupa bonita;
  • Bombado – lugar animado, com muita gente;
  • Busão – ônibus;
  • Caôzeiro – mentiroso;
  • Passar o rodo – ficar com muita gente;
  • Tá dominado – é o mesmo que dizer que algo está sob controle;
  • Tá ligado? – é o mesmo que “entende?”;
  • X9 – informante, dedo duro.

Curiosidade: o termo “X9” veio do nome de um dos pavilhões do extinto Carandiru, presídio de São Paulo. O pavilhão recebia os prisioneiros que eram informantes da polícia, por isso, tinham delação premiada.

Veja também:

PUBLICIDADE

você pode gostar também

Os comentários estão fechados, mas trackbacks E pingbacks estão abertos.