Teocracia

Teocracia é uma forma de governo que considera uma divindade religiosa ou filosofia como a fonte da qual toda a autoridade é derivada.

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O que é teocracia? O termo teocracia significa crença no governo por orientação divina, uma forma de regime em que a religião ou a fé desempenha o papel dominante. Denota-se, assim, uma unidade política governada por uma divindade ou por funcionários considerados divinamente guiados.

A palavra teocracia se origina do grego ‘theokratia’. Os componentes da palavra são theos, “deus”, e kratein, “para governar”, daí “governo de Deus”.

Conceito

O conceito de teocracia foi cunhado pela primeira vez pelo historiador judeu Flavius ​​Josephus (37 d.C – 100 d.C). Tentando explicar aos leitores gentios a organização e o sistema político da comunidade judaica de seu tempo, Josephus contrastou a teocracia com outras formas de governo, como monarquia, oligarquia e repúblicas.

A definição mais moderna define como um sistema de governo por ordem sacerdotal, que reivindica a ordem divina, um estado em que figuras religiosas exercem o poder político, ou, mais precisamente, um Estado governado por figuras religiosas.

Formas teocráticas de governo existiram ao longo da história. As teocracias eram populares entre os povos antigos, como no Egito e no Tibete, onde os reis representavam e até encarnavam a divindade.

No Egito faraônico, o rei era considerado uma figura divina ou semidivina que governava em grande parte por meio de sacerdotes. Esse também era o caso das primeiras civilizações americanas, como os maias, toltecas e astecas.

Exemplos

No Islã, a comunidade estabelecida pelo profeta Maomé em Medina foi uma teocracia na qual Maomé serviu como líder temporal e espiritual. As comunidades estabelecidas por seu sucessor, Abu Bakr, o primeiro califa, também foi baseada em um governo teocrático. As teocracias maiores e mais conhecidos na história foram o califado Umayyad (a primeira dinastia islâmica) e o califado de Abbasid (a segunda maior dinastia muçulmana)

No Império Bizantino, o imperador era a cabeça da igreja e os Estados Pontifícios durante a Idade Média, o papa era o governante tanto em um sentido civil quanto espiritual. No cristianismo durante o início do período moderno na Europa, a república de Florença sob o domínio de Girolamo Savonarola tornou-se uma teocracia na qual Deus era o único soberano e o Evangelho constituía a lei.

Depois da Reforma Protestante do século XVI, houve muitas tentativas de estabelecer a teocracia. O mais famoso é o regime teocrático que João Calvino com sede em Genebra. A vida civil baseava-se na total obediência a Deus, cuja ordem moral é declarada nas escrituras.

De acordo com Calvino, uma comunidade cristã bem ordenada resulta de uma síntese de regras, cooperação e ordem que emana das leis divinas de Deus. Essa comunidade é unificada, organizada e estruturada com base na idéia de promover a glória de Deus no mundo. A mesma opinião é evidenciada no governo teocrático que Ulrico Zwinglio criou em Zurique a partir de 1525.

Atualmente

No mundo contemporâneo, o regime que o aiatolá Ruholla Khomeini estabeleceu no Irã em 1979 é considerado uma teocracia porque o poder político e a autoridade são mantidos nas mãos dos imãs ou líderes religiosos. O propósito de tal regime fundamentalista é organizar a sociedade exclusivamente sob a lei religiosa islâmica.

O estado talibã no Afeganistão foi semelhante. Na primeira década do século XXI, vários grupos muçulmanos fundamentalistas se esforçaram para estabelecer formas teocráticas de governo na Argélia, Paquistão, Egito, Sudão e Turquia. Há também vários grupos cristãos fundamentalistas nos Estados Unidos, Canadá e na Austrália, que defendem aspectos do governo teocrático. Em Israel, várias facções ultra-ortodoxas advogam a restauração da teocracia dos tempos antigos.

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