Anita Malfatti
Uma das artistas plásticas mais reconhecidas do Brasil, a modernista teve um papel preponderante na Semana de Arte Moderna de 1922.
Quem foi anita malfatti? Anita Malfatti (1889-1964) foi uma pintora, ilustradora e desenhista brasileira. É considerada como uma das mais importantes artistas plásticas da primeira fase do modernismo brasileiro.
Extremamente relevante para a arte nacional, em 1922 Anita participou da Semana de Arte Moderna. Junto com Oswald de Andrade,Tarsila do Amaral, Menotti De Picchia e Mário de Andrade integrou o Clube dos Cinco.
Biografia
Anita Catarina Malfatti nasceu na cidade de São Paulo em 2 de dezembro de 1889. Seus pais foram um engenheiro de origem italiana chamado Samuel Malfatti e uma norte-americana de origem alemã chamada Betty Krug.
Anita nasceu com o braço e a mão direita atrofiados, necessitando de constante acompanhamento de uma governanta. Ainda que os pais a tenham levado até a Itália em busca de tratamento, os resultados não foram satisfatórios.
Aprendendo a conviver com a deficiência, a menina contou com o auxílio da governanta para desenvolver as habilidades do braço esquerdo.
Anita Malfatti foi alfabetizada no colégio São José, passou pela Escola Americana e depois foi estudar no Colégio Mackenzie, onde se formou professora aos 19 anos.
Aos 13 anos, sem saber quais rumos tomar na vida, a jovem decidiu dar cabo de sua vida deitando-se nos trilhos do trem nas proximidades da estação Barra Funda, próxima à sua residência. Essa situação foi crucial para o início da carreira de pintora, conforme relato da própria Anita:
“Foi uma coisa horrível, indescritível. O barulho ensurdecedor, a deslocação de ar, a temperatura asfixiante deram-me uma impressão de delírio e de loucura. E eu via cores, cores e cores riscando o espaço, cores que eu desejaria fixar para sempre na retina assombrada. Foi a revelação: voltei decidida a me dedicar à pintura.”
Anita aprendeu a pintar com a mãe que, após a morte do marido, começou a dar aulas de pintura e de línguas para sustentar a família.
Alguns anos depois, financiada por um tio, partiu rumo à Europa para estudar artes e pintura. Entre 1910 e 1914 viveu em Berlim, Alemanha, onde passou pelo ateliê dos impressionistas Lovis Corinth e Fritz Burger e posteriormente estudou na Academia Imperial de Belas Artes.
Foi na Alemanha que Malfatti iniciou os estudos da pintura expressionista, cujas principais características são a distorção das formas, uso de cores pouco reais e, sobretudo, a expressão do emocional.
Quando retornou ao Brasil, em 1914, a pintora exibiu as obras fruto dos estudos expressionistas em uma exposição na Casa Mappim.
Entre 1915 e 1916 morou nos Estados Unidos, novamente financiada pelo tio. Na cidade de Nova York, aprofundou seus conhecimentos na “Arts Students League of New York” e na “Independent School of Art”.
Seu mentor foi Homer Boss, artista plástico que já dominava as técnicas do expressionismo. Até aquele momento, o movimento era pouco conhecido, principalmente fora da Europa.
Anita pode trabalhar livremente, sem limitações. Foi nessa época que pintou algumas obras mais reconhecidas, entre elas O Farol (1915), A Boba (1915-1916) e o Japonês (1915).
A pintora voltou ao Brasil em 1917 e, por insistência de seus amigos, fez uma exposição solo com 53 obras, entre pinturas, gravuras e aquarelas. De imediato o trabalho de Anita repercutiu negativamente na imprensa.
Um dos principais críticos foi Monteiro Lobato, que na época era crítico de arte do jornal O Estado de São Paulo. Com o artigo “Paranoia ou Mistificação?” ele criticou não só a obra de Malfatti, como toda a pintura moderna. As críticas foram o estopim para a o início do Movimento Modernista no Brasil.
As obras, diferente do que as pessoas da época estavam acostumadas, usava os princípios da arte moderna, travando uma dinâmica tensa entre figura e fundo da tela. As pinceladas livres que buscavam valorizar os detalhes, tons fortes e a técnica de luz que fugia do claro e escuro caracterizam as telas vanguardistas.
Semana de Arte Moderna
Depois de ficar um ano afastada da pintura, Anita Malfatti voltou a ter aulas, passando a estudar técnicas de natureza-morta. Foi nessa época que ela conheceu a também pintora, Tarsila do Amaral. Foi o início de uma grande amizade.
Foi por conta do incentivo dos amigos que, em 1922 ela decidiu participar da Semana de Arte Moderna de 1922. Entre os dias 13 e 18 de fevereiro daquele ano, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Harberg Brecheret, Vicente do Rego Monteiro e outros tiveram suas obras expostas no saguão do Teatro Municipal de São Paulo.
Reconhecimento
Em 1923 Anita mudou-se para a Paris. Ela viveu na capital francesa até 1928, quando voltou para São Paulo. Durante este período realizou exposições individuais em Berlim, Paris e Nova York.
De volta ao Brasil, passou a dar aulas de desenho na Universidade Mackenzie, onde permaneceu até 1933. Em 1942 foi nomeada presidente Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo.
Ainda durante a década de 40 perdeu sua mãe e o grande amigo, Mário de Andrade. A partir daí passou a viver reclusa em uma chácara no município de Diadema.
Faleceu em São Paulo, no dia 06 de novembro de 1964.
Principais obras de Anita Malfatti
- Burrinho Correndo (1909)
- O Farol (1915)
- A Estudante Russa (1915)
- O Homem de Sete Cores (1916)
- Nu Cubista Nº 1 (1915-1916)
- A Boba (1915-1916)
- A Mulher de Cabelos Verdes (1916)
- O homem Amarelo (1917)
- A Ventania (1917)
- A Onda (1917)
- As Margaridas de Mário (1922)
- Porto de Mônaco (1925)
- Samba (1943-1945)
- Cambuquira (1945)
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