Antigo Regime

Antigo Regime é o termo que designa o sistema político e social predominante na França durante a Idade Moderna. É caracterizado pela centralização do poder do soberano, assim como pelos seus "poderes divinos".

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O Antigo Regime é o termo adotado para se referir ao sistema político e social da sociedade francesa no período compreendido por Idade Moderna.

No Antigo Regime, o rei era considerado um ser sagrado que possuía dons divinos. Ele ocupava o topo de uma sociedade que era composta por diferentes estados: clero, nobreza e burguesia.

Foi uma estrutura política que permaneceu vigente na França até a Revolução Francesa.

Características do Antigo Regime

Política do Antigo Regime

A política adotada pelo Antigo Regime foi o Absolutismo que considerava que o rei devia ter todo o poder político, social e econômico concentrados em suas mãos. A sua ação deveria ser independente de outro órgão.

Além da centralização do poder nas mãos do monarca, suas ações eram apoiadas de acordo com a Teoria do Direito Divino, criada pelo filósofo Jean Bodin.

Essa doutrina política e religiosa defendia que o poder do soberano era concedido por Deus. Com isso, todas as suas ações estavam pautadas por dons divinos e por isso, deviam ser respeitadas.

Acreditavam que o rei possuía, também, dons curativos. Bastaria um toque do monarca na enfermidade, que a pessoa estaria curada.

O último rei a comandar a sociedade francesa durante o período do Antigo Regime foi Luís XVI (1754 – 1793), da Dinastia Bourbon.

Ele foi o rei da França no período compreendido entre 1774 a 1792, ano em que foi deposto. Foi executado na guilhotina em 1793, durante a Revolução Francesa.

Economia do Antigo Regime

O mercantilismo foi adotado para controlar a economia durante o Antigo Regime.

Foi um conjunto de práticas econômicas desenvolvidas na Europa durante a Idade Moderna. É considerado como o estágio de transição do sistema feudalista para o sistema capitalista.

O mercantilismo se moldava de acordo com as necessidades das nações europeias. No entanto, de um modo geral, ele apresentou alguns elementos comuns entre as mesmas. Foram eles:

  • Intervenção estatal na economia: O Estado tinha o pleno controle dos assuntos econômicos de suas nações. O controle estatal da economia se tornou a base do mercantilismo;
  • Monopólio: As colônias só poderiam consumir os produtos fabricados pela metrópole. Do mesmo modo, os colonos só podiam vender seus produtos à metrópole;
  • Balança comercial favorável: Vender mais produtos do que comprar;
  • Metalismo: A riqueza de um país era medida de acordo com a quantidade de metais preciosos que ele possuísse;
  • Protecionismo: Proteção do mercado interno, taxando em altos valores os produtos importados.

Sociedade do Antigo Regime

A sociedade no Antigo Regime se dividia em estamentos, eram eles o clero, nobreza e burguesia. Os dois primeiros eram isentos de impostos que só eram pagos pelo terceiro estamento.

O rei governava pela Teoria do Direito Divino, em que ele possuía dons concedidos por Deus e por isso toda a sociedade devia obediência a ele. Além disso, a intenção era uniformizar a crença religiosa entre a população. O soberano sustentava um importante laço com seus súditos.

As três principais categorias que formavam a sociedade francesa eram:

Clero (Primeiro Estado)

Formado por bispos, padres, frades. Mesmo representando 1% da população francesa, possuíam força política e econômica.

Nobreza (Segundo Estado)

Era formado pelos membros da família real ou pelas pessoas que compravam os títulos. Consistia em 2% da população.

Burguesia (Terceiro Estado)

Esse estado era formado basicamente por pessoas comuns. Integravam essa camada os comerciantes, profissionais liberais, trabalhadores do campo e o restante da população. Essa era a única camada responsável pelo pagamento de impostos.

A sociedade francesa era desigual, com privilégios direcionados somente para os nobres e para o clero.

Primeiro Estado

O Primeiro Estado era formado pelo clero. A Igreja Católica tinha uma forte influência na sociedade francesa, ficando responsável pelos registros de nascimento e de óbito, pela educação, os hospitais e a vida religiosa.

Geralmente, os componentes do alto clero assumiam a função de conselheiros do rei.

Além do alto clero, composto por bispos, arcebispos e cardeais, havia o baixo clero, que desempenhava sua função nas zonas rurais e pequenas cidades. O baixo clero não possuíam bens.

A Igreja não pagava impostos e possuía muitas terras e imóveis em seu nome, por isso, ela conseguiu acumular muitas riquezas.

Ela mantinha uma relação saudável com os reis, que utilizavam os rituais religiosos nas igrejas para assegurar seu poder e sua relação divina com Deus.

Segundo Estado

O Segundo Estado era composto pela nobreza, que era constituída pelos membros da família real ou por pessoas que compravam os títulos. Geralmente ocupavam cargos importantes no governo.

Possuíam terras e sustentavam um alto padrão de vida. Assim como o clero, os membros dessa camada, não pagavam impostos.

Terceiro Estado

O Terceiro Estado era constituído pelas pessoas comuns, correspondendo a 95% da população francesa. Composta por burgueses, comerciantes ricos e pobres, profissionais liberais, camponeses, entre outras figuras.

Além de comportar a alta burguesia, essa camada era formada por pessoas que enfrentavam profundas dificuldades financeiras.

Era o único estado que pagava impostos. As tributações recolhidas no Terceiro Estado eram responsáveis por arcar com as despesas públicas e por manter o alto padrão de vida dos membros dos outros estados.

O Iluminismo e o Antigo Regime

O Iluminismo foi um movimento intelectual europeu, surgido na França, entre os séculos XVII e XVIII. Também conhecido como Século das Luzes, foi o período em que diversas práticas vigentes na sociedade europeia foram questionadas.

Foi um movimento que criticou o período compreendido pela Idade Média, denominando-a de Idade das Trevas. Alegavam que nada de produtivo teria ocorrido nos séculos que compreendem essa fase histórica.

O iluminismo inspirou profundamente o pensamento revolucionário da época, com a utilização de uma nova visão a respeito da vida. O uso da razão foi privilegiado em relação ao pensamento cristão.

Os pensadores iluministas buscavam a renovação das práticas e das instituições vigentes em todo o continente europeu.

Defendiam que a humanidade deveria priorizar aspectos referentes ao conhecimento, a liberdade, felicidade, justiça e igualdade.

Com isso, começaram a atacar a dominação religiosa, o Estado Absolutista e os privilégios.

Para os pensadores iluministas, o Estado Absolutista deveria ser substituído por instituições políticas comprometidas com a liberdade do indivíduo, em que os poderes fossem divididos e o papel do soberano, limitado.

Assim, o iluminismo foi o grande motivador das revoluções burguesas que desencadearam no fim do Antigo Regime.

Crise no Antigo Regime

As ideias iluministas surgiram questionando a organização política e social da França.

O Estado era mantido através da exploração do Terceiro Estado, o único responsável por pagar impostos.

Além das colheitas ruins na década de 1780, o apoio francês às colônias na Guerra de Independência dos EUA, desequilibrou profundamente a economia francesa.

Mesmo com o fracasso das colheitas, a cobrança de impostos ao Terceiro Estado aumenta. A sociedade se revolta e começa a exigir melhores condições de vida e reformas no governo.

O então rei, Luís XVI, convocou a Assembleia dos Estados Gerais, com o intuito de solucionar a crise financeira enfrentada pela França.

Porém, tanto o clero quanto a nobreza não se mostraram dispostas a abdicar de seus privilégios e pagar impostos.

Pouco tempo depois ocorreria a Queda da Bastilha, que marcou o início da Revolução Francesa (organizada pela burguesia) e do processo que acabaria com o Antigo Regime.

A Revolução Francesa e o fim do Antigo Regime

A Revolução Francesa foi responsável pelo fim do Antigo Regime na França e posteriormente, pelo fim do Absolutismo na Europa.

A burguesia se revoltava com os privilégios concedidos aos outros estados, sentindo-se desprivilegiada e excluída das decisões políticas.

Alguns fatores que contribuíram para o declínio do governo francês foram o aumento da população, a falta de alimentos e o excesso de impostos.

Foi nesse cenário que as ideias iluministas se difundiram, utilizando a razão para compreender, problematizar e solucionar os problemas da sociedade. Ao mesmo tempo, a Teoria do Direito Divino parou de fazer sentido para a população.

Foi no contexto de descontentamento social e revoltas populares que o Antigo Regime teve o seu fim.

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