Carmen Miranda

Carmen Miranda foi uma artista luso-brasileira que encantou ao mundo, tanto na música como no cinema. Saiba mais sobre a artista.

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Quem foi Carmen Miranda? Carmen Miranda, extraordinária cantora e atriz brasileira do século XX, foi um grande símbolo artístico da América Latina, conquistando mundo a fora e fazendo diversos filmes em Hollywood.

Biografia

Maria do Carmo Miranda da Cunha, conhecida como Carmen Miranda, nasceu dia 9 de fevereiro de 1909, em Marco de Canaveses, no Distrito de Porto, Portugal. Era filha do barbeiro José Maria Pinto Cunha e de Maria Emília Miranda.

Quando tinha apenas 1 ano de idade, se mudou para a casa de seu pai, que já estava no Rio de Janeiro, junto com sua mãe e irmã, Olinda (1907-1931). A família se estabeleceu na cidade, onde outros 4 filhos do casal nasceram, Amaro (1911), Cecília (1913-2011), Aurora (1915-2005) e Óscar (1916).

Assim, Carmen Miranda foi criada no Brasil, estudando em uma escola de freiras. Aos 15 anos parou de estudar e foi trabalhar em uma confecção de chapéus chamada La Femme Chic, localizada no Bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro.

Foi nessa confecção que a pequena Carmen aprendeu a costurar e muito sobre moda, quando pegou gosto por esse mundo. Além disso, foi nesse momento que Carmen Miranda se aproximou mais da música, vivendo entre artistas que amavam o samba, sendo influenciada e trazendo referências para sua estética futura.

Já dentro desse contexto musical e artístico, Carmen cantava e dançava em pequenas festas, quando em 1929 ela foi apresentada ao compositor José de Barros, que se encantou com sua personalidade e potencial artístico, inserindo-a no universo da música, teatros e clubes.

José de Barros trabalhava na emissora “Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto” e a apresentou ao diretor da gravadora Brunswich, onde gravou, em 1929, sua primeira música sob autoria de José com o título “Não Vá Sim’bora”. A partir disso, ela foi gravando outras músicas,como “Dona Balbina”, “Triste Jandaia”, “Baracuntum” e “Iaiá Ioiô”.

Em 1930, após seu primeiro disco ser lançado, sua música de mais sucesso foi “Pra você gostar de mim”, composta por Joubert de Carvalho, que ficou conhecida também como título de “Tai” e vendeu mais de 35 mil cópias no ano de lançamento.

A partir desse momento, seu sucesso foi crescendo e ela fez sua primeira turnê para a Argentina, país ao qual ela voltou muitas outras vezes. Além disso, em 1933, Carmen Miranda se tornou a primeira mulher a assinar contrato com uma rádio brasileira, assinando com a Rádio Mayrink Veiga.

Início da carreira no cinema

Carmen Miranda se tornou a maior cantora do brasil ainda na década de 1930. Além disso, sua carreira esteve intrinsecamente interligada com o cinema, fazendo parte de diversos filmes musicais durante sua carreira. A maioria dos filmes esteve ligado às tradições carnavalescas e celebrações com estilos musicais locais. A cantora fez 14 filmes nos Estados Unidos e seis filmes no Brasil.

Em 1936, a cantora participou do filme “Alô Alô, Carnaval”, no qual pode fazer um dueto com sua irmã Aurora Miranda, em uma cena conhecida como “Cantoras do Rádio”.

Além disso, no anos seguintes ela lançou outros disco e se transformou na maior estrela do Cassino da Urca do Rio de Janeiro. Essa participação no Cassino lhe era muito importante pois funcionava como um passaporte para o cinema.

Fantasia de baiana

Em 1939, Carmen Miranda participou da comédia musical “Banana da Terra”, quando se vestiu de Baiana para seu personagem e a partir desse momento ela incorporou essa caracterização até o fim de sua vida. Nesse musical ela cantou “O que é que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi, que virou um sucesso clássico da cantora.

A fantasia sofreu alterações ao longo de sua carreira, mas sempre cheia de brincos, adereços, roupas com babados, sapatos com plataforma e o clássico turbante, cheio de frutas e flores.

Carmen Miranda nos Estados Unidos

Carmen Miranda na Broadway

Em 1939, em uma de suas apresentações no Cassino da Urca, ela encantou Lee Shubert, produtor norte americano que comandava metade dos teatros da Broadway, com seu talento. Com isso, Lee Shubert a contratou para fazer parte de uma de suas atrações no show “The Street of Paris”.

Apesar de essa ser uma pequena participação, ela recebeu bastante atenção, boas críticas e consequentemente se tornou uma sensação na mídia.

Foi dessa maneira que ela foi apresentada aos Estados Unidos. Além disso, em 1940, a Twentieth Century-Fox, também surpresa e encantada com Carmen Miranda, começou a produzir um filme para ter participação da cantora. O filme se chamava “Serenata Tropical” e mesmo a cantora não ser a principal, sua participação gerou muitos elogios.

Porém, nesse período houve muitas críticas por parte dos brasileiros porque ela passava uma imagem muito estereotipada do Brasil.

No ano de seguinte ela fez uma apresentação na Casa Branca para o Presidente Franklin Roosevelt, em comemoração ao seu sétimo ano na presidência dos EUA. Nos anos seguintes, ela estava com o contrato assinado com a FOX.

Entre os anos de guerra ela estrelou oito de seus catorze filmes, sempre “roubando a cena” e se abrilhantando. Em 24 de março de 1941, ela se tornou a primeira latino-americana a ser convidada a colocar suas mão e pegadas no cimento do “Pátio das estrelas” no Grauman’s Chinese Theatre.

Política da boa vizinhança

Carmen Miranda estava em ascensão nos Estados Unidos e o governo norte-americano se aproveitava desse momento, disponibilizando financiamentos industriais e na arte para ganhar a simpatia do povo brasileiro e das autoridades. Essa foi a forma como os EUA aproveitaram para se aproximar do Brasil, como o objetivo de evitar que o país latino se aliasse às tropas alemãs.

Assim, Carmen teve sua fama intensificada nesse período e tornou-se um dos elos de ligação do Brasil e dos Estados Unidos e, assim, teve sua imagem diretamente ligada a política da boa vizinhança, fato que gerou certa desconfiança nos brasileiros.

Casamento

Em 1947, Carmen Miranda se casou com o norte-americano David Sebastian, que era produtor de cinema e se tornou seu empresário após o casamento. Porém, ele era alcoólatra e não consegui tomar conta dos negócios e biógrafos apontam que ele a influenciou a beber em excesso, somado ao fato que ela tomava remédios para insonia, tornando também um vício.

Além disso, seu casamento estava em crise e todos esses vícios se intensificaram, dessa forma a cantora entra em depressão.

Com tantos problemas e um longo período sem vir para o Brasil, em 1952, Carmen volta para cá e passar por um processo de quatro meses de desintoxicação. No ano seguinte, ela volta para os Estados Unidos depois de melhoras, porém não se libertou totalmente do vício.

No dia 4 agosto de 1955, ela faz sua última apresentação em uma gravação do programa do “The Jimmy Durante Show”. No dia seguinte, dia 5 de agosto de 1955, aos 46 anos, Carmen Miranda morre durante a madrugada, vítima de um ataque cardíaco em sua casa em Beverlly Hills, em Los Angeles.

A cantora foi velada na Califórnia, Estados Unidos, e depois foi transportada para o Rio de Janeiro, sendo enterrada no cemitério de São João Batista.

Homenagem

Foi feita uma homenagem, em 1960, para a cantora com uma escultura sua, exposta no Largo do Carioca, no Rio de Janeiro. Atualmente a obra está na Ilha do Governador, na rua que leva seu nome.

Filmes

  • O Carnaval cantado de 1932 (1932)
  • A voz do Carnaval (1933)
  • Alô, alô, Brasil (1935)
  • Estudantes (1935)
  • Alô, alô, Carnaval (1936)
  • Banana da Terra (1939)
  • Laranja da China (1940)
  • Serenata tropical (1940)
  • Uma noite no Rio (1941)
  • Aconteceu em Havana (1941)
  • Minha secretária brasileira (1942)
  • Entre a loira e a morena (1943)
  • Quatro moças num jipe (1944)
  • Serenata boêmia (1944)
  • Alegria, rapazes! (1944)
  • Sonhos de estrela (1945)
  • Se eu fosse feliz (1946)
  • Copacabana (1947)
  • O príncipe encantado (1948)
  • Romance carioca (1950)
  • Morrendo de medo (1953)

Músicas

  • Pra você gostar de mim (Taí) (Joubert de Carvalho)
  • Balancê (Braguinha/Alberto Ribeiro)
  • O que é que a baiana tem (Dorival Caymmi)
  • Mamãe eu quero (Vicente Paiva e Jararaca)
  • Camisa listrada (Assis Valente)
  • Tico-tico no fubá (Miguel Lima/Zequinha de Abreu)
  • No tabuleiro da baiana (Ary Barroso)
  • Adeus batucada (Synval Silva)
  • O tic-tac do meu coração (Alcyr Pires Vermelho/Walfrido Silva)
  • Cachorro vira-lata (Alberto Ribeiro)
  • Touradas em Madrid (Braguinha/Alberto Ribeiro)
  • E o mundo não se acabou (Assis Valente)
  • Como vaes você (Ary Barroso)
  • Quando eu penso na Bahia (Ary Barroso)
  • Chica chica boom chic (Gordon Mack e Warren Harry) – música do filme Uma noite no Rio

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