Cecília Meireles

A poetisa carioca Cecília Meireles é vista como a primeira voz feminina de grande expressão na literatura brasileira. Aos 18 anos publicou Espectros.

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Quem foi Cecília Meireles? Cecília Meireles é considerada uma das mais notórias poetisas do Brasil.

Escritora, jornalista, pintora e professora, com o seu teor intimista influencia, também, na psicanálise.

No auge dos seus 18 anos de idade estreou no mundo da literatura com a obra Espectros. No entanto, embora tenha ficado popular por ser poetisa, deixou um legado em forma de contos, crônicas, narrativas folclóricas e da literatura infantil.

Cecília Meireles é a primeira voz feminina com extrema expressão na literatura brasileira, tendo mais de 50 obras publicadas.

Biografia de Cecília Meireles

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no Rio de Janeiro, em 7 de novembro de 1901.

Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles e Matilde Benevides, os perdeu ainda muito nova, o pai antes de seu nascimento e a mãe aos três anos de idade. Assim, a carioca teve que ser criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides.

Ainda jovem, em 1922, casou-se com o artista plástico Fernando Correia Dias, e foi com ele que teve as suas três filhas. Porém, pouco mais de uma década depois, em 1935, Dias suicidou. Cinco anos depois, a viúva se casou de novo com um professor e engenheiro agrônomo, o Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

Cecília, vítima de câncer, faleceu na sua cidade natal, em 9 de novembro de 1964, aos 63 anos de idade. O velório ocorreu no Ministério da Educação e Cultura.

Após pouco mais de duas décadas, em 1989, a poetisa foi homenageada pelo Banco Central com a sua imagem na cédula de cem cruzados novos.

Carreira

Ainda criança, Cecília recebeu uma educação religiosa e apresentou gosto pela literatura. Isso tudo foi transcrito para suas poesias, escritas desde os nove anos de idade. E com apenas 18 anos, publicou a sua primeira obra intitulada Espectros.

Na Escola Estácio de Sá finalizou o primário com distinção e louvor, em 1910. Logo, conclui o Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro e passou a ser professora.

Contudo, suas atividades no campo da educação não se restringiram ao ambiente da sala de aula, já que entre 1930 e 1931 atuou como jornalista no Diário de Notícias, escrevendo pautas sobre a área.

Ademais, Cecília Meireles promoveu conferências e palestras que versam sobre educação, folclore, literatura brasileira e teoria literária.

Prêmios

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Cecília Meireles conquistou o reconhecimento por todo o mundo, tendo as suas obras traduzidas para inúmeras línguas.

Por conta do excelente trabalho desempenhado na literatura, recebeu inúmeros prêmios, os quais se destacam: Prêmio de Poesia Olavo Bilac, Prêmio Jabuti e Prêmio Machado de Assis.

Obras de Cecília Meireles

  • Espectros (1919)
  • Criança, meu amor (1923)
  • Nunca mais… e Poemas dos Poemas (1923)
  • Criança meu amor… (1924)
  • Baladas para El-Rei (1925)
  • O Espírito Vitorioso (1929)
  • Saudação à menina de Portugal (1930)
  • Batuque, Samba e Macumba (1935)
  • A Festa das Letras (1937)
  • Viagem (1939)
  • Vaga Música (1942)
  • Mar Absoluto (1945)
  • Rute e Alberto (1945)
  • O jardim (1947)
  • Evocação Lírica de Lisboa (1948)
  • Retrato Natural (1949)
  • Problemas de Literatura Infantil (1950)
  • Amor em Leonoreta (1952)
  • Doze Noturnos de Holanda (1952)
  • Romanceiro da Inconfidência (1953)
  • Batuque (1953)
  • Pequeno Oratório de Santa Clara (1955)
  • Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro (1955)
  • Panorama Folclórico de Açores (1955)
  • Canções (1956)
  • Giroflê, Giroflá (1956)
  • Romance de Santa Cecília (1957)
  • A Bíblia na Literatura Brasileira (1957)
  • A Rosa (1957)
  • Obra Poética (1958)
  • Eternidade em Israel (1959)
  • Metal Rosicler (1960)
  • Poemas Escritos na Índia (1961)
  • Antologia Poética (1963)
  • Poemas de Israel (1963)
  • Solombra (1963)
  • Ou Isto ou Aquilo (1964)
  • Escolha o Seu Sonho (1964)

Poemas de Cecília Meireles

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Canção

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas…
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto.

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

Algumas frases de Cecília Meireles

Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.

Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.

Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

Tenho fases, como a Lua; fases de ser sozinha, fases de ser só sua.

Entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação de meus desejos afligidos.

Curiosidades

  • Cecília Meireles fundou a primeira Biblioteca Infantil do Brasil no ano de 1934, em Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro.
  • No ano de 1953, Cecília Meireles recebeu da Universidade de Déli, na Índia, a honraria de Doutora Honoris Causa.
  • Em 1964, foi inaugurado a Biblioteca Cecília Meireles, na província de Valparaíso, no Chile.

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