Martinho Lutero

Martinho Lutero foi um monge agostiniano que deu início à Reforma Protestante, rompendo com o catolicismo.

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Martinho Lutero foi um monge agostiniano, conhecido por ser o propulsor da Reforma Protestante, que deu origem ao protestantismo.

Por meio das 95 teses, contestou a Igreja Católica e fundou a Igreja Luterana, revolucionando a forma de se pensar o Cristianismo.

Lutero criticou a venda de indulgências pela Igreja Católica, defendeu a salvação pela fé e negou o culto aos santos católicos.

Biografia

Martinho Lutero nasceu no dia 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Filho de Hans Luther e Margarethe Lindemann, pertencia à pequena burguesia.

Segundo as biografias publicadas de Lutero, o monge teve uma criação muito rigorosa, estudando em Mansfeld, Magdeburg e Eisenach. Aos 17 anos, ingressou na Universidade de Erfurt, onde tocava alaúde e recebeu o apelido de O Filósofo.

Graduou-se bacharel em direito e concluiu o mestrado três anos depois. Nesse mesmo ano, 1505, abandonou a carreira e iniciou na vida eclesiástica. Os relatos dizem que tomou a decisão após um raio cair próximo de onde estava passando, e, aterrorizado, gritou: “Ajuda-me, Santa Ana! Eu me tornarei um monge!”.

Sobreviveu ao raio, deixou a faculdade, vendeu todos os seus livros e entrou para a ordem dos Agostinianos, de Frankfurt. No mosteiro, dedicou-se intensamente à meditação, autoflagelações, muitas horas de oração diárias, peregrinações e confissão.

Dois anos depois, foi ordenado sacerdote e começou a lecionar Teologia na Universidade de Wittenberg. Lutero recebeu seu bacharelado em Estudos Bíblicos e, posteriormente, graduou-se Doutor em Teologia. No mesmo ano, foi recebido no Senado da Faculdade Teológica sob o título de “Doutor em Bíblia”. Em 1515, foi nomeado vigário de sua ordem tendo sob sua autoridade onze monastérios.

Foi durante suas pregações na Igreja do Castelo de Wittenberg que começou a se incomodar com algumas questões da Igreja Católica, como a cobrança de indulgências. Em 31 de outubro de 1517, fixou as 95 Teses na porta da Igreja, com um convite aberto a um debate teológico sobre o significado das indulgências.

As teses foram traduzidas para o alemão, copiadas, impressas e, em dois meses, já haviam se espalhado por toda a Europa. Em 1521, Lutero foi chamado a renunciar ou confirmar seus ditos e foram realizadas diversas conferências privadas para determinar o destino do monge. Antes que a decisão fosse tomada, Lutero abandonou Worms, retornou a Wittenberg e desapareceu.

O Imperador Carlos V redigiu o Édito de Worms, em 25 de maio de 1521, declarando Martinho Lutero como fugitivo e herege, e proscrevendo suas obras.

Perseguido pela Igreja e pelo Império, Lutero exilou-se por um ano no Castelo de Wartburg. Após um ano, regressou em segredo a Wittenberg e pregou alguns sermões, conhecidos como os Sermões de Invocavit.

Em 1525, casou-se com a freira Catarina Von Bora, com quem teve seis filhos. O casamento de Lutero com a ex-freira incentivou o casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Esse acontecimento foi considerado como o rompimento definitivo com a Igreja Romana.

Martinho Lutero morreu no dia 18 de fevereiro de 1546, aos 62 anos, por razões desconhecidas.

95 teses de Lutero

Em 1517, indignado com algumas práticas da Igreja Católica, como a venda de indulgências, Lutero postulou 95 teses e, segundo algumas biografias, as fixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg.

Também enviou uma carta ao Arcebispo de Mainz, Alberto de Mainz, autoridade sob a qual as indulgências estavam sendo vendidas. Nela, Lutero se dirige ao arcebispo alertando-o dos problemas pastorais criados pelos sermões de indulgência, tendo como ideia inicial não se separar da Igreja, mas apenas reformá-la.

Nas Teses, escreveu que o arrependimento requerido por Cristo para que os pecados sejam perdoados envolve o arrependimento espiritual interior e não meramente uma confissão sacramental externa.

Além disso, atacou a cobrança de indulgências pela Igreja, dizendo que o ato não levava os cristãos ao verdadeiro arrependimento, e defendeu a salvação unicamente pela graça, mediante a fé, não por obras, como pregava a Igreja Católica.

As Teses, escritas em latim foram impressas em um panfleto de quatro páginas em formato de cartaz. O documento foi rapidamente reimpresso, traduzido e distribuído por toda a Alemanha e Europa.

Este foi o primeiro episódio da História em que a imprensa teve papel fundamental, visto que facilitou a distribuição simples e ampla do documento em um curto período.

Essa ação desencadeou uma disputa religiosa intensa no interior da Igreja Católica e resultou na excomunhão de Lutero em janeiro de 1521, após anos de debates entre as autoridades da Igreja e o monge agostiniano.

A controvérsia sobre as indulgências desencadeada pelas Teses marcou o início da Reforma Protestante.

Reforma Protestante

O dia em que Lutero enviou a carta com suas teses a Alberto, 31 de outubro de 1517, foi comemorado o início da Reforma Protestante, momento em que Lutero e seus amigos brindaram com um copo de cerveja para comemorar o “pisoteio das indulgências”.

A publicação das Teses foi estabelecida na historiografia da Reforma como o início do movimento por Filipe Melâncton na obra História de vida e ações de Lutero de 1548. Durante o Jubileu da Reforma de 1617, o centenário de 31 de outubro foi comemorado com uma procissão até a Igreja de Wittenberg, onde Lutero teria afixado as teses.

Uma gravura foi feita representando Lutero escrevendo as Teses na porta da igreja com uma gigantesca pena, a qual penetra na cabeça de um leão que simboliza o Papa Leão X.

Em 1668, o dia 31 de outubro foi oficializado como o Dia da Reforma Protestante, um festival anual no Eleitorado da Saxônia e que, posteriormente, se espalhou por outras terras luteranas.

Reforma Protestante
Impressão feita para o Jubileu da Reforma de 1617, exibindo Lutero escrevendo as Teses na igreja de Wittenberg com uma pena gigante.

O resultado da Reforma Protestante foi a divisão da chamada Igreja do Ocidente entre os católicos romanos e os reformadores protestantes, originando o protestantismo.

Iniciada por questões religiosas, a Reforma também teve suas questões políticas e sociais, tais como:

  • Os constantes conflitos políticos entre autoridades da Igreja Romana e governantes das monarquias europeias, que levava os governantes a desejarem para si o poder espiritual e ideológico da Igreja Católica e do Papa.
  • Práticas burguesas, como a usura, eram condenadas pelo catolicismo e a necessidade burguesa de altos lucros econômicos foi atendida pela ética protestante.
  • A nobreza queria se apossar das riquezas da igreja romana e ver-se livre da tributação papal.

Protestantismo

O protestantismo, iniciado com a divulgação das teses, atualmente é uma das três principais divisões do cristianismo — com o catolicismo e a ortodoxia —, sendo a segunda com o maior número de adeptos e a última a ser criada.

Em alguns países, principalmente no Brasil, o termo protestante foi substituído por evangélico.

Além da venda de indulgências condenada por Lutero, o rompimento com a Igreja Católica também se deu por divergência em relação a outros princípios católicos, como a adoração de imagens, o celibato, as missas em latim, a autoridade do papa, entre outros.

Com sua excomunhão da Igreja Católica, Lutero exilou-se por um ano no Castelo de Wartburg, onde seguiu com seu trabalho e estudos teológicos e formulou o princípio das Cinco Solas, base do protestantismo, sendo elas: 

  • Sola fide (Somente a Fé).
  • Sola scriptura (Somente a Escritura).
  • Solus Christus (Somente Cristo).
  • Sola gratia (Somente a Graça).
  • Soli Deo gloria (Glória Somente a Deus).

No Brasil, essa vertente cristã foi trazida pelos holandeses, entre 1624 e 1625, e propagada principalmente entre os índios. O reformismo pregado por Lutero abriu espaço para diversas outras correntes religiosas, como:

Presbiterianismo

Criado pelo teólogo francês João Calvino (1509–1564), pregava que só os escolhidos por Deus se salvariam. Sendo criado depois, pelo teólogo holandês James Arminius, outra ramificação chamada: arminianismo.

Anabatismo

O movimento anabatista surgiu durante a Reforma Protestante e fundou a sua primeira igreja em 1 de janeiro de 1525.

Metodismo

Foi criado no século XVIII, na Inglaterra, e tinha a intenção de reformular a igreja anglicana. No entanto, o objetivo dos metodistas não tiveram êxito, dando início a uma nova corrente protestante.

Anglicanismo

Foi criado, em 1534, pelo rei da Inglaterra Henrique VIII, que tinha o objetivo de anular o seu casamento para casar-se com Ana Bolena. No entanto, a separação não foi aceita pelo papa Clemente VII, o que levou o monarca a romper com a Igreja Católica e formar a sua própria religião.

Pentecostalismo

No século XX surge uma vertente do metodismo, sendo fundada em 1910, a Congregação Cristã do Brasil, na sequência, a Assembleia de Deus, e, em 1962, a Deus é Amor. Os pentecostais creem na cura pela fé.

Neopentecostalismo

São formados pelas igrejas: Universal do Reino de Deus e a Igreja Renascer em Cristo. Os neopentecostais têm a prática de realizar grandes cultos e também de fazer exorcismos.

Frases de Lutero

A medicina cria pessoas doentes, a matemática, pessoas tristes, e a teologia, pecadores.

Até aos quarenta anos o homem permanece louco; quando então começa a reconhecer a sua loucura, a vida já passou.

Uma masmorra com Cristo é um trono, e um trono sem Cristo é um inferno.

Os que amam profundamente, jamais envelhecem; podem morrer de velhice, mas morrem jovens.

O cristão vive não em si mesmo, mas em Cristo e no próximo. De outro modo, ele não será um cristão.

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