Partilha da África

A partilha da África foi a divisão do continente africano feita pelos países europeus no século XIX. O objetivo era que cada potência europeia tivesse um território na África para explorá-lo.


O que foi a partilha da África? A Partilha da África foi desencadeada por um conjunto de acordos entre as principais potências imperialistas da Europa, no século XIX, sobre a posse de territórios no continente africano.

O crescimento econômico dessas potências fez com que elas quisessem avançar rumo a África em busca de matérias-primas para a fabricação de produtos em suas indústrias.

O continente africano foi o que mais sofreu alterações com a industrialização europeia.

Como ocorreu a partilha da África?

Portugal já explorava o continente africano desde o século XVI. Utilizavam africanos como mão de obra escrava para serem explorados em suas colônias recém descobertas na América.

A ideia vendida pelos europeus à sociedade era a de que o continente africano precisava ser civilizado, por isso a expansão europeia era tão importante.

Além de existir a crença da superioridade de raças e civilizações, pois na hierarquia civilizacional os europeus ocupavam o topo. Por isso, eles tinham a missão de civilizar todos os povos considerados inferiores a eles.

O darwinismo social é a crença da existência de sociedades superiores às outras, teoria que reforçava a prática europeia.

A civilização se daria no emprego da mão de obra escrava que contribuía para o lucro do comércio.

Vários países participaram desse negócio, tais como a Inglaterra, França, Espanha e Portugal.

As expedições ao continente africano tinham várias finalidades:

  • Econômicas: Fornecimento de matérias-primas e a possibilidade de exploração da área;
  • Religiosas: Estabelecer o cristianismo como a crença oficial, acabando com a antropofagia e o politeísmo;
  • Científicas: Explorar o terreno e descobrir as diversas etnias que ali habitavam.

Essas foram algumas das justificativas dos europeus para a posse do território africano. Na realidade, eles almejavam apenas o lucro.

O enriquecimento se deu às custas de muita exploração de mão de obra e violência contra a população local.

A ideia de salvar o povo africano da selvageria e do atraso era apenas uma desculpa para justificar a crueldade de suas ações.

Resumo – Partilha da África

Os territórios africanos foram invadidos por diversas potências europeias gradativamente:

Portugal

Após a independência da sua colônia, o Brasil, Portugal conseguiu conservar seus territórios africanos como Cabo Verde (1975), Moçambique (1975), Angola (1975) e Guiné (1973).

Portugal teve problemas com alguns países europeus que queriam expandir seus territórios e invadir suas possessões.

Espanha

A Ilhas Canárias, Saara Ocidental, Melila e Ceuta, ficaram com a Espanha. Posteriormente, em 1778, o país invadiu a Guiné Equatorial.

França

A França ocupou, em 1624, o território do Senegal, com o objetivo de abastecer suas colônias no Caribe com trabalho de pessoas escravizadas vindas da África.

No decorrer do século XVIII, os franceses ocuparam várias ilhas no entorno do Oceano Índico.

Entre outros locais, no decorrer do século XIX (1819 a 1890) a França ocupou a Costa do Marfim (1960), Tunísia (1956), Argélia (1962), Togo (1960), Mali (1960), Níger (1960), Benin (1960), Marrocos (1956).

O franceses enfrentaram guerras tanto contra os próprios habitantes dos territórios invadidos, assim como contra os alemães, que se interessavam pelas regiões pertencentes à França.

Holanda

Já em 1652, os holandeses tinham um posto de abastecimento na Cidade do Cabo, África do Sul. Foi neste local que os holandeses permaneceram por mais tempo.

Contudo, sua ocupação começou no país conhecido hoje como Gana. Ficaram por ali até 1871, momento em que venderam o território aos ingleses.

Por volta de 1857, exploraram o Congo.

Mesmo perdendo a atual Cidade do Cabo para os ingleses (1805), a Holanda permaneceu na África do Sul. Os dois países conflitaram continuamente durante o século XIX e início do século XX.

Inglaterra

Com a Revolução Industrial, o Reino Unido se tornou a maior potência econômica, do século XIX. Dessa maneira, cada vez mais, ele precisava de matérias-primas para a sua produção industrial.

A Inglaterra se envolve em conflitos com quase todos os países europeus, visando aumentar seus territórios no continente africano.

Ela ocupou os atuais países conhecidos como Nigéria, África do Sul, Egito, Quênia, Zimbábue e Sudão.

Itália

O país ocupou os territórios da Líbia, parte da Somália e Eritreia.

Invade a Etiópia na década de 1930, sob o comando de Benito Mussolini e mantem seu domínio até 1941.

Bélgica

O então rei da Bélgica criou, em 1876, a Associação Internacional da África, que inicialmente tinha o objetivo de praticar ações humanitárias no continente, mas o intuito real era investigar o território do Congo, que seria mais tarde sua propriedade pessoal.

A Bélgica ocupa também o território correspondente a Ruanda. Essa região possuía uma divisão étnica, que desencadeou no genocídio de Ruanda, em 1994.

Alemanha

A Tanzânia, Namíbia e Camarões foram os territórios ocupados pelos alemães.

Após a Unificação Alemã, o Império Alemão se tornou muito poderoso. Por isso, Otto von Bismarck (primeiro-ministro alemão), convida as grandes potências europeias para discutir sobre a divisão territorial africana. Tal evento ficou conhecido como Conferência de Berlim.

Grande parte dos países africanos só foram conseguir sua independência dos países europeus por volta da década de 1950 e 1970.

Conferência de Berlim

Realizada em Berlim nos anos de 1884 e 1885, a Conferência de Berlim tinha o objetivo de reunir as maiores potências do século XIX para discutir a respeito da ocupação do continente africano, reconhecendo as fronteiras já ocupadas e estabelecendo regras sobre as futuras ocupações.

O objetivo era que as divisões das regiões africanas fossem feitas da forma mais organizada possível. A intenção era que nenhum país entrasse em conflito por causa desses territórios.

Consequências da partilha da África

O continente africano se dividia entre as fronteiras naturais criadas pelos diferentes grupos étnicos. Após a Partilha da África, suas fronteiras foram redesenhadas de acordo com a vontade do colonizador europeu.

Grupos étnicos rivais há séculos tiveram que conviver lado a lado, o que gerou graves conflitos e muitas mortes.

Além disso, nações africanas foram massacradas ao longo do século XX por resistirem à invasão europeia.

Por causa da violência, guerras sangrentas e ambição desmedida dos europeus, a África se tornou o continente mais pobre do mundo.

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