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Socialismo

Concebido como alternativa ao capitalismo e solução para os sofrimentos do proletariado, o socialismo teve várias faces. Seja ele utópico, científico ou real, o objetivo era mais igualdade, mas as maneiras de se obtê-la eram diferentes.

Sistema socialista

A partir da Revolução Industrial, que trouxe grandes prejuízos e exploração aos trabalhadores, sentiu-se a necessidade de se repensar o capitalismo. Uma das alternativas ao sistema sócio-político-econômico foi o socialismo.

A primeira pessoa a usar o termo socialismo foi Henri de Saint Simon, um filósofo francês. Sua sugestão foi permitir a existência de empresas capitalistas, contanto que elas assumissem responsabilidades sociais com os trabalhadores. Outros teóricos pioneiros, como Charles Fourier e Robert Owen, sugeriram a criação de cooperativas como substitutas das empresas capitalistas.

Socialismo utópico e socialismo científico

Estes primeiros socialistas – Saint Simon, Fourier e Owen – são chamados de socialistas utópicos. Eles pensaram em maneiras de criar uma sociedade mais justa, mas suas ideias tinham poucas aplicações práticas – fosse por questões culturais ou filosóficas, era impossível que as ideias dos socialistas utópicos dessem certo.

Enquanto o socialismo utópico acreditava que a igualdade social poderia ser alcançada, o socialismo científico percebeu que apenas através da luta de classes os proletários conseguiriam melhores condições de vida. A igualdade para eles era impossível, pois na luta de classes sempre haveria vencedores e perdedores.

Os principais representantes do socialismo científico foram Karl Marx e Friedrich Engels, que estudaram o sistema capitalista, apontaram suas falhas e sugeriram mudanças através do Manifesto Comunista, publicado em 1848.

Conceitos

Marx e Engels, num primeiro momento, listaram as principais características do capitalismo. Uma das principais é a luta de classes: de um lado estava a burguesia, detentora dos meios de produção, e do outro o proletariado, que pela burguesia era explorado.

Outro conceito usado por eles era o da mais-valia: a diferença entre o valor produzido pelo trabalhador e o valor do seu salário – afinal, um trabalhador que produz um carro numa fábrica não recebe como salário o valor de um carro. A mais-valia é a base da exploração no sistema capitalista.

Segundo Marx e Engels, assim como outros regimes socioeconômicos, o capitalismo teve seu começo e também teria um fim. Entretanto, em seu clímax, haveria o apogeu de concentração monopolista e o consequente momento de maior exploração do proletariado.

A partir de tais conceitos, Marx e Engels declararam que a mudança ocorreria apenas de maneira ativa, com a reação do proletariado contra a burguesia opressora. Com a revolução do proletariado, seria possível colocar o socialismo em prática e, após algumas gerações, substituí-lo pelo comunismo – uma etapa mais avançada, na qual não existiriam classes sociais nem Estado.

Socialismo real

O socialismo foi teorizado em 1848, mas apenas a partir de 1917, com a Revolução Russa, ele foi posto em prática como regime político, social e econômico em um país: a União Soviética. Nas décadas seguintes, outros países, como China, Coreia do Norte, Cuba e Vietnã também adotaram o regime socialista.

O socialismo real foi muito diferente do socialismo científico. Marx e Engels não previram diversas situações que ocorreram quando o socialismo foi implantado de fato, como a rápida evolução tecnológica que gerou um abismo entre os países capitalistas e os socialistas.

Da mesma forma, eles não previram os debates que sucederam a implantação do capitalismo, como o grande debate da sucessão de Lênin, que teve de um lado Trotsky, que defendia a expansão do socialismo para outros países, e de outro Stalin, que queria que a União Soviética se concentrasse em desenvolver o socialismo internamente.

Com Stalin no poder, o socialismo ganhou ares autoritários e tornou-se impossível que um dia houvesse a dissolução total do Estado, como previa o comunismo, pois no socialismo real o Estado ficou mais forte e centralizado que nunca.

Por causa disso, alguns estudiosos insistem que o socialismo científico, proposto por Marx, jamais foi implantado, e o regime que se convencionou chamar de socialista na verdade é outra coisa, que se baseia apenas em alguns conceitos de Marx.

Letícia Magalhães Pereira
Graduada em História
Pós-graduada em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais