Conheça o Judaísmo, a religião monoteísta mais antiga do mundo

Atualmente, estima-se que o Judaísmo tenha entre 12 e 15 milhões de fiéis em todo o mundo, a maioria vivendo em Israel ou nos Estados Unidos.

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Com mais de três mil anos de existência, o Judaísmo é tido como a primeira religião monoteísta do mundo. Portanto, sua crença principal é em um único Deus, responsável pela criação de todas as coisas.

Junto com o Islamismo e o Cristianismo, é uma das maiores religiões abraâmicas, ou seja, sua origem está ligada a Abraão e em tradições identificadas a ele. Além disso, é considerada como a religião dos descendentes de Jacó, o terceiro patriarca da bíblia.

A religião é praticada em diversos locais do mundo. Boa parte dos fiéis vivem na Europa, onde, no século XX, mais de 6 milhões de judeus perderam a vida por conta do holocausto promovido pelo regime nazista.

Hoje, a maior população judaica europeia está na França. Estados Unidos e Israel são outros países que abrigam um grande número de praticantes da religião. Atualmente, estima-se que o número de fiéis no mundo esteja entre 12 e 15 milhões de pessoas.

História do Judaísmo e do povo judeu

Judaísmo é uma palavra de origem grega (Iudaïsmós), e faz referência ao topônimo Judá. Para compreendê-lo a fundo é necessário retomar o Antigo Testamento. Nele, de acordo com a tradição religiosa, Deus realizou um pacto com os hebreus, tornando-os o povo eleito e, portanto, aptos a desfrutar da terra prometida.

O pacto foi firmado com Abraão e com toda a sua descendência, por volta de 1800 a.C. Com isso, ele abandonou a religião politeísta para viver na terra prometida, chamada de Canaã, atual Palestina.

Isaque, filho de Abraão teve um filho chamado Jacó. Em certa ocasião, durante uma luta com um anjo de Deus, ele teve o nome mudado para Israel. Jacó teve doze descendentes, originando as doze tribos que formaram o povo judeu.

Porém, em 1700 a.C eles tiveram que migrar para o Egito, onde tornaram-se cativos dos faraós por aproximadamente 400 anos. Em meados de 1300 a.C, Moisés, depois de receber as tábuas com o Dez Mandamentos no monte Sinai, conduziu seu povo na fuga do Egito.

Durante mais de 40 anos o povo judeu pelo deserto, até que Deus enviou um sinal para que eles retornassem para a terra prometida.

O grande responsável por transformar Jerusalém em um centro religioso foi o rei Davi. Ao término do reinado de Salomão, filho de Davi, as doze tribos se dividiram em dois reinos, o de Israel e o de Judá. Foi nessa bifurcação que surgiu a crença de que reintegração seria feita por um messias que ia reunir o povo de Israel e restabelecer o poder de Deus sobre o mundo.

A primeira dissipação do povo judeu aconteceu por volta de 771 a.C, quando aconteceu a invasão babilônica. Além de invadir, o imperador da Babilônia ordenou que o templo de Jerusalém fosse completamente destruído, exilando boa parte da população judaica.

No século I, a Palestina foi invadida pelos romanos, e o templo de Jerusalém foi novamente destruído. A segunda diáspora, ou seja “viver longe de Israel” dos judeus aconteceu por volta do século II, quando a cidade de Jerusalém foi totalmente destruída.

Esses acontecimentos foram cruciais para que os judeus se espalhassem por todo o mundo, embora tenham mantido sua cultura e religião. O caráter de unidade do povo judeu só foi retomado após a Segunda Guerra Mundial, quando, em 1948, o estado de Israel foi criado.

Símbolos, práticas e costumes dos judeus

De acordo com a fé dos judeus existe um único Deus, criador do universo e de todas as coisas que nele existem. A relação especial do todo-poderoso está sempre viva, graças à memória do pacto feito entre ele e Abraão.

Dentro da própria religião há algumas variações. Veja a seguir a síntese de algumas vertentes.

  • Ortodoxos – acreditam na Torá como uma fonte permanente do saber divino. Contudo, não seguem as leis à risca
  • Ultra-ortodoxos – suas tradições seguem exatamente as escrituras sagradas
  • Conservadores – de caráter reformista, possuem atitudes e interpretações moderadas

Diferente do cristianismo, o Judaísmo é uma religião não missionária, ou seja, não busca a conversão de novos fiéis. Pelo contrário, possui caráter familiar, sendo este o principal núcleo onde ela se preserva e se propaga. Além disso, tradicionalmente é uma região não messiânica.

Os cultos religiosos judeus são realizados em um templo que recebe o nome de sinagoga. O líder religioso da comunidade é chamado de rabino, que ao contrário de outras religiões, não é tido como sacerdote e nem possui um status religioso especial.

Para os judeus ortodoxos tradicionais, sábado, ou sabat, é o dia sagrado da semana. Desde o pôr do sol da sexta-feira até o pôr do sol do sábado eles não podem fazer nada que seja considerado trabalho, incluindo cozinhar ou dirigir.

O símbolo sagrado do Judaísmo recebe o nome de Menorá. Ele é um candelabro com sete braços, representando a luz da Torá.

Símbolo do Judaísmo
Representação de um Menorá, símbolo sagrado do Judaísmo

Outro símbolo importante é o “Magen David”, chamado de estrela de Davi. Presente em diversas manifestações religiosas e culturais, sua origem está ligada aos primórdios da religião, quando guerreiros israelitas usavam o símbolo em escudos durante batalhas.

Alguns dos sacramentos mais importantes do Judaísmo são a circuncisão, feitas nos meninos recém-nascidos no oitavo dia de vida, a passagem para a maioridade, chamada de Bat Mitzvah, o casamento e o luto.

Os homens judeus usam uma pequena touca que recebe o nome de Kipá, que é um símbolo de respeito a Deus.

Livro sagrado dos judeus

Para o povo judeu, as revelações feitas diretamente por Deus estão reunidas na escritura sagrada escrita por Moisés. O livro divino recebe o nome de Torá ou Pentateuco e é composto por Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Em todas as sinagogas há pelo menos um pergaminho com uma cópia em hebraico da Torá.

A liturgia judaica é escrita em hebraico, sempre evocando o Javé ou Jeová, um ser onipresente, onipotente e onisciente.

Geralmente, dentro das sinagogas há um arca que simboliza a ligação entre Deus e o povo judeu. Dentro da arca há um pergaminho com uma cópia da Torá, escrita em hebraico.

Outro livro muito importante é Telmund, que reúne diversas tradições orais. Nele, além das leis, foi feito um compilado de interpretações da Torá, aplicadas em situações contemporâneas. Ele é composto por quatro capítulos: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários.

Festas judaicas

As principais festas dos judeus ocorrem em datas móveis, já que elas são orientadas pelo calendário lunissolar, ou seja, baseado nos movimentos da lua e do sol. Conheça algumas, entre as principais festas judaicas.

  • Simchat Torá – comemora a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.
  • Shavuot – a data relembra a revelação da Torá aos israelenses, que aconteceu em meados de 1300 a.C.
  • Pessach ou Páscoa – celebra a libertação do povo hebreu no Egito, também acontecida por volta de 1300 a.C.
  • Rosh Hashaná – é o Ano Novo judaico.
  • Purim – data em que é celebrada a salvação de um massacre tramado pelo rei persa Assucro.
  • Yom Kipur – é o dia do perdão, quando os judeus jejuam por 25 horas seguidas em busca da purificação do espírito.
  • Chanucá, Hanukkah ou Festival das Luzes – marca o fim do domínio assírio e a restauração do templo de Jerusalém.
  • Sucot – relembra a peregrinação de 40 anos pelo deserto, depois que o escravos hebreus fugiram do Egito.

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