Fundamentalismo religioso – Origem, Características e Críticas

Quase todos os sistemas religiosos no mundo têm crentes que usam sua fé para guiar suas vidas sendo que, às vezes, resulta-se no fundamentalismo religioso.

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O fundamentalismo refere-se a qualquer seita ou movimento dentro de uma religião que enfatize uma adesão rígida ao que concebe como princípios fundamentais de sua fé, geralmente resultando em uma denúncia de práticas e interpretações alternativas.

Existem seitas fundamentalistas em quase todas as principais religiões do mundo, incluindo cristianismo, islamismo, hinduísmo e judaísmo. Transculturalmente, o fundamentalismo é caracterizado por um conjunto de atributos comuns, incluindo uma interpretação literal das escrituras, um senso de alienação da cultura secular, uma desconfiança das elites liberais e a crença na exatidão histórica e inerrância da cultura.

Além disso, os fundamentalistas religiosos são, frequentemente, politicamente ativos e podem sentir que o Estado deve ser subserviente a Deus. Historicamente, o termo “fundamentalismo” foi usado pela primeira vez no início de 1900 entre os cristãos protestantes americanos que se esforçavam para retornar aos “fundamentos” da fé bíblica, e que enfatizavam a Bíblia literalmente interpretada como fundamental para a vida e o ensino cristãos.

O fundamentalismo apela aos crentes religiosos que se sentem ameaçados pela invasão de valores liberais em esferas tradicionalmente religiosas. Eles se sentem assediados pela cultura secular que consideram imoral e sem Deus.

O exclusivismo estreito do fundamentalismo, no entanto, é contrário ao espírito de tolerância encontrado em todas as religiões. No entanto, esforços dentro das religiões do mundo para superar o fundamentalismo têm sido amplamente ineficazes. Por um lado, os liberais religiosos podem simplesmente rejeitar os fundamentalistas em vez de procurar fazer relacionamentos positivos com eles.

Isso apenas reforça seu senso de alienação e parece validar seus pontos de vista. Além disso, como o fundamentalismo é uma reação ao secularismo, e é improvável que esses movimentos diminuam, a menos que os líderes religiosos moderados encontrem os meios para superar os efeitos corrosivos da cultura secular.

Origem

O conceito de “fundamentalismo” surgiu em 1909 a partir do título de uma obra de quatro volumes chamada de ‘Os Fundamentos‘. Estes livros foram publicados pelo Instituto Bíblico de Los Angeles, entre 1909 e 1920. Eles foram chamados assim porque apelaram aos cristãos para afirmar doutrinas fundamentais específicas, como o nascimento virginal e ressurreição corporal de Jesus.

Esta série de ensaios passou a ser representativa da “controvérsia fundamentalista-modernista”, que surgiu no final do século XIX, dentro das igrejas protestantes dos Estados Unidos, e continuou a ser tema nos anos 1920.

Com o tempo, o termo passou a ser associado a um segmento particular do protestantismo evangélico, que se distinguia por sua abordagem separatista em relação à modernidade e a outros cristãos que não concordavam com seus pontos de vista.

Originalmente membros das várias denominações protestantes que subscreveram os “fundamentos” foram chamados de “fundamentalistas” e não formaram uma denominação independente.

Características

A maioria das formas de fundamentalismo religioso tem características semelhantes. Fundamentalistas religiosos tipicamente enxergam suas escrituras sagradas (Bíblia, Alcorão, entre outros) como a palavra autêntica e literal de Deus. Como as escrituras são consideradas inerrantes, os fundamentalistas acreditam que nenhuma pessoa tem o direito de mudá-la ou discordar dela.

Eles acreditam que Deus articulou sua vontade precisamente para seus seguidores, e que eles têm um registro confiável e perfeito dessa revelação. Como resultado, as pessoas são “obrigadas” a obedecer à palavra de Deus.

Críticas

Uma crítica geral é que os fundamentalistas são seletivos no que acreditam e praticam. Por exemplo, o Livro do Êxodo dita que, quando o irmão de um homem morre, ele deve se casar com sua cunhada viúva. No entanto, os cristãos fundamentalistas não aderem a essa doutrina, apesar do fato não ser contradito no Novo Testamento.

No entanto, os defensores do fundamentalismo argumentam que, de acordo com o Novo Testamento, essas não são normativas para os cristãos modernos. Outros fundamentalistas argumentam que apenas certas partes da Lei Mosaica – partes que se baseiam em princípios morais universais – são normativas.

Os críticos afirmam que os fundamentalistas não reconhecem que seres humanos falíveis são aqueles que transmitem uma tradição religiosa. Como resultado, é impossível seguir a palavra indiscutível de Deus, só se pode alcançar uma compreensão humana da vontade de Deus.

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