Revolução Industrial no Brasil

Com um atraso de cem anos em relação a pioneira Inglaterra, a Revolução Industrial no Brasil sucede a Crise do Café, marcando o fim das oligarquias cafeeiras da região Sudeste.

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Conhece-se por Revolução Industrial o grande período de desenvolvimento sócio-econômico, surgido na Inglaterra do século XVIII.

Nessa época, os trabalhos manufaturados foram substituídos por máquinas a vapor, reinventando as dinâmicas de produção e as relações entre os trabalhadores.

O capitalismo ganhava força e se tornava o modelo econômico vigente no mundo. 

A produção têxtil era a principal atividade desenvolvida no começo da era industrial, seguida pela construção das locomotivas e estradas de ferro. 

Revolução Industrial no Brasil: resumo e contexto histórico

A Revolução Industrial no Brasil aconteceu de forma atrasada e pouco desenvolvida.

Durante esse período de grandes mudanças no cenário mundial, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os efeitos da exploração da metrópole em terras brasileiras sob o regime do Pacto Colonial.

Assim, ficava proibido a abertura de indústrias no país, cabendo aos colonos comercializar produtos manufaturados de Portugal.

Com isso, as transformações da Revolução Industrial só foram chegar ao Brasil no final do século XIX e início do século XX.

Os principais impulsionadores deste movimento foram os cafeicultores do Estado de São Paulo que, visto o aumento da produção e exportação de café, decidiram investir em maquinário e, consequentemente, no crescimento do setor industrial.

Nesse espaço de tempo da era industrial brasileira, as atividades de maior destaque eram as de processamento de alimentos e produção de tecidos, exercida por indústrias de médio e pequeno porte comandadas pela classe burguesa em ascensão.  

Nomes como o do Barão de Mauá reforçaram o incentivo industrial brasileiro, por meio da construção da primeira ferrovia, estaleiro e fundição de ferro do país.

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Momento da inauguração da primeira ferrovia brasileira, construída por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá.

Desenvolvimento industrial dos anos de 1930 a 1940

Com o final da República das Oligarquias, compostas por proprietários de terras muito ricos da região sudeste do país, o Brasil começava de fato sua Revolução Industrial. 

Esse avanço aconteceu durante o período do governo de Getúlio Vargas, a partir da década de 30, com incentivos de desenvolvimento nas áreas industriais do país.

O processo de industrialização no Brasil ganhou força durante o período em razão da derrocada da produção e comércio cafeeiro, que passou por um declínio de rendimento considerável na chamada Crise do Café.

As atividades econômicas ganhavam destaque nos centros urbanos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, sob o pretexto de incentivar as produções de bens de consumo no país e diminuir as caras importações.

O setor industrial brasileiro recebeu fortes estímulos do governo administrativo federal, sobretudo durante os mandatos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

Vale mencionar que durante o período da Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento industrial brasileiro passou por uma desaceleração, visto a queda e interrompimento no número de importações dos maquinários.

Governo Vargas e Kubitschek: a era do incentivo industrial

A era Vargas foi marcada pela nacionalização da economia caracterizada pela troca das importações em razão do incentivo para criação das chamadas “indústrias de base”. 

A centralização do país era regida sob os preceitos do chamado Estado Novo, com a justificativa de conter o movimento comunista em ascensão, além de garantir maior autarquia política sobre os poderes Legislativo e Judiciário.

Foi durante seu governo que Getúlio Vargas criou a Companhia Siderúrgica Nacional, principal responsável pela produção de aço, a Petrobras no setor de produção de energia, além da Companhia Vale do Rio Doce, responsável pela extração dos recursos minerais.

Além disso, outro feito notório do presidente foi a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) na intenção de estruturar e organizar o setor industrial trabalhista.

Ao contrário do presidente anterior, Juscelino Kubitschek optou pela internacionalização da economia

Sua ideia era abrir a nação para possíveis capitais e investidores estrangeiros, sobretudo os ligados à indústria automobilística. 

O período foi marcado pelo chamado tripé da economia, com incentivos do capital privado nacional na produção de bens de consumo não duráveis, investimentos em energia e transportes, aplicação de capital nas áreas da comunicação e os aplicação de capital privado para a expansão das indústrias de bens de consumo duráveis.

O slogan “50 anos em 5” definiu as principais intenções o governo de Kubitschek, marcado pelo crescimento da economia ao mesmo tempo que aumentavam-se as dívidas externas.

Principais consequências da Revolução Industrial no Brasil

A Revolução Industrial Brasileira resultou no crescimento e desenvolvimento econômico do país.

Positivamente, a mudança na estrutura do governo trouxe os seguintes benefícios:

  • Contração do volume de exportações de produtos manufaturados estrangeiros;
  • Crescimento da produção de produtos nacionais associada à queda de preço;
  • Geração de milhares empregos no setor da indústria;
  • Desenvolvimento das relações de trabalho nas áreas da indústrias, com a criação dos sindicatos na intenção de defesa dos direitos dos trabalhadores;
  • Ascensão dos setores de comunicação, transporte e desenvolvimento urbano.

Em relação aos pontos negativos, podemos citar:

  • Aumento da poluição com o lançamento de rejeitos químicos no ar e rios, além da prática de crimes ambientais;
  • Utilização de mão de obra infantil;
  • Crescimento desregrado dos centros urbanos por meio do êxodo rural e da imigração, incapaz de acomodar o grande fluxo de pessoas.

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