Fim do Império Português na África

O fim do Império Português na África se insere em diversos contextos ocorridos no decorrer do século XX, como o pós-Segunda Guerra, Guerra Fria e a Revolução dos Cravos ocorrida em Portugal no ano de 1974.

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A colonização portuguesa na África se insere no contexto das grandes navegações que ocorreram no século XV.

Portugal foi o primeiro país europeu a se lançar em alto mar. Nesse movimento, ele conseguiu invadir e explorar diversas regiões no continente africano, colocando-as em uma posição inferior, de território colonizado.

Portugal foi o último país a reconhecer a independência de suas ex-colônias na África.

Resumo

A fundação da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, no contexto pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi extremamente significativa para a criação de um novo olhar sobre todos os povos do mundo.

A sociedade se encontrava em uma situação de fragilidade e comoção diante das atrocidades cometidas, principalmente pelo regime nazista.

Dessa maneira, a ONU começa a se esforçar em campanhas para conseguir garantir o fim da colonização praticada há tantos séculos pelos países europeus.

Insatisfeitos com a posição da organização, os países europeus apenas mudam o status de seus territórios. O Reino Unido, por exemplo, junta parte de suas antigas colônias na Commonwealth, que é uma organização que inclui países pobres e ricos para lutarem por democracia, paz e liberdade.

Já Portugal, Holanda e França os adotaram enquanto províncias ultramarinas.

Alguns territórios do continente africano não aceitaram nenhuma das duas posições (Commonwealth ou províncias de ultramar) e guerrearam para ter sua independência de fato. A Argélia e o Congo se encaixam nessa realidade.

A independência das ex-colônias portuguesas devem ser analisadas dentro do contexto da Guerra Fria (1947-1991).

Tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética se interessavam por essa questão, pois o objetivo era atrair países para as suas ideologias (capitalista ou socialista).

Com isso, a independência desses países ocorreu durante a Guerra Fria e graças aos efeitos da Revolução dos Cravos, que aconteceu em Portugal, em 1974.

Portugal

É importante compreender a realidade vivida por Portugal nesse período para entender os motivos que levaram às independências de suas ex-colônias na África.

Portugal vivia sob o regime ditatorial de Salazar (1933-1974). O país viveu por mais de 40 anos em um regime antidemocrático, autoritário e violento.

Como Salazar não estava disposto a abrir mão de suas possessões, iniciou-se uma violenta guerra colonial em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

Com isso, os territórios de língua portuguesa na África se uniram com o objetivo de combater Portugal, fundando em 1960, a Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colônias Portuguesas.

A organização incluía diversos movimentos populares de Moçambique, Cabo Verde, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

Em 1961, foi criada a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colônias Portuguesas, em substituição à anterior.

Essa organização reunia os líderes que lutavam pela independência dos territórios portugueses e coordenava formas para conquistarem a independência de maneira pacífica. Ao mesmo tempo, lutavam para que o mundo soubesse que esses territórios estavam em busca da sua liberdade.

Contudo, é só com a Revolução dos Cravos, que derrubou a ditadura Salazarista no país, que os territórios africanos começaram a vislumbrar a independência.

Os militares depuseram Marcelo Caetano (substituto de Antônio de Oliveira Salazar), e a presidência passa a ser assumida pelo general António de Spínola.

Ele reconhece a independência dos territórios africanos e coloca fim ao Império Português na África, no ano de 1975.

Agora veremos como cada país africano vivenciou o processo de independência de Portugal.

Angola

Em 1961, Portugal envia tropas à Angola com o objetivo de conter os revolucionários que lutavam pela independência.

Em 1963, Portugal cria o lema Angola é nossa, com canções e imagens reforçando a sua posse no território.

Surgiram alguns movimentos favoráveis à independência angolana. Foram eles:

  • Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA)
  • Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA)
  • União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA)

Com o fim da Revolução dos Cravos, iniciou-se o processo de independência de Angola, em 1975.

Contudo, esse movimento foi bastante turbulento, com interferência americana e soviética, que almejavam ter seus grupos simpatizantes no poder dos territórios africanos.

Essa fase foi chamada de Segunda Guerra de Libertação, que só teve seu fim em 1976.

José Eduardo dos Santos assume o poder em 1979 até 2017.

Moçambique

O movimento de emancipação moçambicano foi liderado pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), em 1962.

Essa guerrilha saiu derrotada em diversos conflitos com os portugueses. A sua independência só foi ser reconhecida em 1975.

Guiné-Bissau e Cabo Verde

Para Guiné-Bissau, o movimento de independência começou com a criação do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de tendência marxista.

Em 1961, guerrearam contra Portugal. Como consequência, conseguiram a emancipação de grande parte do território, em 1970.

Após a Revolução dos Cravos, Portugal reconhece a independência de Guiné-Bissau.

Porém, o país africano viveu uma longa fase de instabilidade, pois a população se encontrava dividida, uma parte apoiava os portugueses, a outra, os libertários.

Já Cabo Verde não vivenciou nenhuma guerra civil após a sua emancipação, ocorrida em 1975. Eles investiram na infraestrutura do país.

São Tomé e Príncipe

Pelo fato de o país ser pequeno, a sua independência foi organizada no Gabão, país vizinho.

Nele, foi criado o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), de tendência marxista-leninista.

A sua independência foi reconhecida no ano de 1975, e o seu primeiro governo foi de orientação socialista.

Percebe-se, então, que todas as antigas colônias africanas lutaram por sua independência antes que ela fosse concedida por Portugal.

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