O que é fascismo?

Um dos regimes totalitários mais famosos pós Primeira Guerra Mundial, o fascismo ainda gera incertezas quanto à real definição do termo.

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O fascismo foi um movimento político de regime antidemocrático e autoritário surgido na Itália em 1922, e ficando em vigor até o ano de 1943. O chamado “fascismo clássico” foi implantado em detrimento do cenário de crise econômica resultante da Primeira Guerra Mundial

Associado a isso, na mesma época pós-guerra, havia o medo do fortalecimento e crescimento das ideias socialistas no país.

O líder fascista e representante do ideais do movimento foi Benito Mussolini, comumente chamado por seu seguidores de Duce (líder). Por meio de atitudes opressoras, o regime tornou-se um dos símbolos do totalitarismo recorrente na Europa.

O termo resistiu ao tempo, sendo comumente utilizado nos dias de hoje em manifestações de caráter público, sobretudo nas redes sociais. Entretanto, geralmente, seu uso acontece de forma genérica e errônea. Assim, a expressão atualmente refere-se à pessoas que demonstrem personalidade violenta e autoritária.

Para se ter uma ideia da força que o termo adquiriu ao longo dos anos, George Orwell, escritor inglês e dono de uma coleção de obras distópicas invejável, já em 1944, criticava o uso da palavra em seu país, que em seu ponto de vista era incorreto. 

Para acabar de vez com as dúvidas, trouxemos uma explicação clara e direta sobre o que é fascismo na sua definição clássica, além de apresentar considerações importantes vindas de cientistas políticos atuais sobre o “neofascismo”. 

O que realmente é o fascismo?

Para chegar numa definição exata sobre o que é fascismo, seria preciso analisar todos os países que adotaram o regime e fazer uma comparação dos pontos em comum. 

Como citado, até mesmo o autor George Orwell disse em declaração que as medidas aplicadas em um Estado fascista não utilizava da mesma ideologia que em outro. 

O cientista político Chip Berlet, a respeito das dificuldades em trazer uma definição ampla e segura sobre o termo, já dizia que a corrente política fascista tinha caráter parasitológico e camaleônico, ou seja, buscava por meio da apropriação de ícones e símbolos históricos a força para sua mobilização.

Daí surge a dificuldade em analisar o conceito. Apesar dos problemas, há um consenso geral na academia de cientistas políticos e historiadores. Para eles, o fascismo defende doutrinas políticas radicais com base nos interesses da direita conservadora. Entretanto, não cabe aqui afirmar que toda prática desse grupo mais conservador seja, portanto, considerada atitude fascista.

Em geral, o discurso desse tipo de governo apresenta características populistas, que visam acabar com os problemas que ferem a nação, como corrupção, detrimento dos valores morais e etc.

Assim, os fatores crise econômica, política e social de uma nação servem como porta de entrada para a instauração do regime. Seus líderes, altamente carismáticos, apresentam soluções e respostas aos problemas vividos pelo povo. Após a alçada ao poder, a postura populacionista muda de contexto, dando lugar à atitudes mais violentas, hierárquicas, autoritárias e beneficiando as elites. 

Entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, período denominado “entre guerras”, a palavra fascismo representa as seguintes situações:

  • O chamado fascismo clássico, liderado por Benito Mussolini entre os anos de 1922 a 1943;
  • Em referência ao nazismo alemão comandado por Hitler e considerado uma forma mais extrema do fascismo;
  • Ideologicamente falando, o regime italiano inspirou outros movimentos totalitários pelo continente europeu, como o salazarismo (Portugal), franquismo (Espanha), dentre outros países como Lituânia, Croácia, Hungria e etc.
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Na imagem, Benito Mussolini em companhia do ditador alemão Adolf Hitler durante evento público

Conceito de neofascismo

Em períodos recentes da história, surge como conceito-chave para explicar a utilização do fascismo nos dias atuais, o termo “neofascismo”. A expressão tomou forma representativa de regimes e movimentos políticos que retomam as práticas do fascismo clássico.

Entretanto, há um impasse no momento de traçar uma relação direta entre os dois termos: a latente adaptabilidade do conceito ideológico regime nas diversas sociedades e tipos de culturas. 

Pode-se mencionar algumas atribuições atreladas ao neofascismo, sobretudo quando atinge questões:

  • Patriotismo exacerbado por meio do uso de conduta violenta, autoritária e xenófoba;
  • Uso de discurso retórico agressivo e a “suposta” necessidade de se combater “inimigos internos” da nação;
  • Negligência aos ideais característicos de democracias liberais, e repulsa à liberdade individual.

Principais características do fascismo

Com o intuito de ampliar a compreensão do leitor sobre o fascismo e de como ele deve ser entendido, sobretudo pelo ponto de vista dos historiadores, veja algumas características atenuantes que explicam o sistema político italiano:

  • Adoção do unipartidarismo, com destaque para o fascismo como sendo a única força política em vigor;
  • Controle das funções do Estado relativas à política, economia, cultura, sociedade e etc.
  • Veneração ao líder, considerando-o como o único e possível salvador dos problemas do país;
  • Uso de discurso que exalta os valores tradicionais, em oposição à princípios modernos de comportamento;
  • Controle das massas por meio de ideias populistas;
  • Desconsideração por outras formas de governo, sobretudo as que têm como base valores socialistas e comunistas;
  • Condenação das práticas da política tradicional, alegando sua inutilidade em resolver as questões essenciais emergentes de uma nação.
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Em discurso emblemático em Roma, é possível perceber a força dos ideais fascistas na Itália pós Primeira Guerra Mundial

Fascismo italiano por Mussolini: Resumo

Criado pelo líder fascista Benito Mussolini, a etimologia do termo faz menção à um símbolo do Império Romano. A palavra “fasci”, durante esse período, representava um feixe de hastes de hastes de madeira, terminado com um macho no centro. 

Uma das ideias defendidas pelo ditador, era inclusive tornar Roma uma cidade ainda mais gloriosa e imperial, em referência aos tempos antigos.

Em breve biografia, Mussolini deu início à carreira política de forma polêmica. Atuando como membro de um núcleo socialista italiano, foi expulso do movimento em 1914 após publicar um artigo defendendo a Itália e seus feitos durante a Primeira Guerra Mundial. Vale ressaltar que os adeptos ao socialismo na época eram totalmente contra a presença italiana na guerra.

A partir daí, ao adotar um discurso vigorosamente nacionalista, o futuro ditador passou a ganhar seguidores, que apoiavam seus ideais de forma uníssona. Com apoio também de proprietários de terra e da elite, o fascismo ganhou impulso e se consolidou entre os anos de 1919 e 1920.

Surgiu então o Partido Nacional Fascista com o objetivo de tomar o poder da nação italiana por meio legal, contudo, em opressão violenta à opositores; leia-se socialistas.

A propulsão de Mussolini nas diversas áreas da sociedade, associado ao forte apoio de grupos influentes, fez com que o Duce fosse nomeado primeiro-ministro italiano. A histórica Marcha sobre Roma, de 28 de outubro de 1922, constituída por apoiadores do líder e do movimento fascista, pressionaram o rei Vitor Emanuell III a designar o cargo a Mussolini.

Com o poder em mãos e total aceitação entre a classe conservadora e monarquista, o Duce passou a controlar o Estado italiano rigidamente e de maneira totalitária. Além disso, serviu de inspiração para outros países também adotarem a forma de governo que se crescia. 

A queda do regime aconteceu apenas durante os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, quando as forças internas em conjunto com os as nações opositoras à Itália conseguiram derrubar Mussolini e a ideologia do seu movimento.

Veja também: Idade Contemporânea –  Resumo, características e linha do tempo

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