Operação Condor

A Operação Condor foi uma aliança firmada entre os governos ditatoriais de seis países da América Latina que assegurava a manutenção das ditaduras militares nesses territórios.

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A Operação Condor foi uma aliança estabelecida entre as ditaduras militares que ocorreram em alguns países da América Latina no século XX. São eles: Uruguai, Paraguai, Chile, Brasil, Bolívia e Argentina.

Foi uma ação conjunta que visava repreender os opositores das ditaduras por meio das assistências de cooperações dos serviços de inteligência dos países citados. Era uma ação clandestina que não demandava autorização judicial.

Os Estados Unidos foram os principais apoiadores desse sistema.

O que foi a Operação Condor?

A Operação Condor foi um sistema que visava reunir os seis países da América Latina que estavam vivendo sob regimes ditatoriais. Foi uma articulação político-militar internacional que agia de forma clandestina.

O principal objetivo das ditaduras militares que ocorreram na América Latina era acabar com o comunismo. Qualquer oposição ao regime era considerada de esquerda. Dessa maneira, tais regimes agiam de forma violenta, sequestrando, torturando e assassinando seus opositores.

Firmada a partir da segunda metade da década de 1970, a Operação já possuía a colaboração de serviços de inteligência de diversos países do continente.

Nas embaixadas e consulados foram criadas vias paralelas de comunicação para que os agentes ligados à Operação Condor não passassem pelos canais oficiais.

Os Estados Unidos e a Operação Condor

Os Estados Unidos foram os principais impulsionadores dos regimes ditatoriais dos países latino-americanos. O mundo vivia o período da Guerra Fria (1947-1991), momento em que os países eram classificados de acordo com a sua orientação ideológica, socialismo (URSS) ou capitalismo (EUA).

Dessa maneira, os Estados Unidos temiam perder a influência que possuíam entre os países da América Latina para a União Soviética, por isso contribuíram ativamente na Operação Condor com conhecimentos e logística.

Os militares se comunicavam de maneira clandestina, com um instrumento chamado de condortel. O manuseio do aparelho foi ensinado pelo exército norte-americano. Foi o principal meio de comunicação da Operação Condor. Vale ressaltar que ela orientou que diversos militares torturassem os prisioneiros.

A contribuição dos norte-americanos durou até o Jimmy Carter ocupar o cargo de presidente dos EUA em 1977.

O Brasil e a Operação Condor

O Brasil foi um dos principais criadores da Operação Condor, auxiliando os regimes militares dos países vizinhos na captura de opositores. Do mesmo modo, militares brasileiros se empenhavam na função de reconhecimento dos “inimigos estrangeiros” que circulavam no Brasil.

Vivendo sob um regime ditatorial desde 1964, o país era o mais experiente do grupo. O Serviço Nacional de Informação (SNI), responsável por vigiar os opositores, era o maior da América Latina.

Os seis países que integravam a Operação Condor agiam de forma conjunta em prol da manutenção das ditaduras militares em seus países.

Revelação da Operação Condor

A revelação da Operação Condor ocorreu após uma denúncia anônima realizada no Paraguai. Descobriu-se o Arquivo do Terror, que registravam as ações comandadas pelos seis países.

Durante o governo de Bill Clinton (1993-2001), os EUA divulgaram diversos documentos referentes às ditaduras militares da Argentina e do Chile.

Ao assumir a presidência da Argentina, Néstor Kirchner (2003-2007) anulou todos os perdões aos militares que agiram pró-governo. Dessa maneira, iniciou-se a investigação da Operação Condor no país.

Fim da Operação Condor

O fim da Operação Condor se deu a partir da derrocada das ditaduras militares nos países latino-americanos. Entretanto, a volta da democracia não induziu à investigação de nenhum dos desaparecidos, devido as leis de anistia dos países.

O século XXI está mudando essa postura. A Argentina começou a julgar a Operação Condor em 2011, com as primeiras sentenças saindo em 2016. O Chile e a Bolívia vêm averiguando diversas denúncias e se comprometendo a abrir os arquivos para investigação.

Já no Brasil, em 2011 foi fundada a Comissão Nacional de Verdade e Justiça, que tem como principal intuito investigar as violações de direitos humanos ocorridas no país entre setembro de 1946 a outubro de 1988.

Graças a essa comissão, vários filmes, documentários e livros foram lançados com o intuito de evidenciar este terrível momento da história do Brasil.

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