O Período Joanino

Marcado pela chegada da família real portuguesa em 1808, o Período Joanino trouxe mudanças significativas no processo de construção e desenvolvimento do Brasil.

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O Período Joanino refere-se ao momento da história do Brasil que, ainda colônia de Portugal, tornou-se sede oficial da coroa portuguesa durante o reinado de D. João VI. Esse processo teve início com a chegada da família real em 1808

Após desembarcarem na Bahia, onde é hoje a cidade de Salvador, D. João VI e pessoas da corte portuguesa, embarcaram em um navio rumo à cidade do Rio de Janeiro. 

Já no Rio de Janeiro, durante os anos que se seguiram, D. João VI governou Portugal e o Brasil até 1821, quando decidiu retornar à Europa, dando fim ao Período Joanino.

Antecedentes da vinda da família real para o Brasil

Os acontecimentos do Período Napoleônico são os responsáveis pela mudança da família real portuguesa para o Brasil. 

Um desses motivos deu-se pelo Bloqueio Continental, decreto feito por Napoleão Bonaparte que proibia as nações europeias de comercializarem com a Inglaterra.

Dentre as medidas do decreto, uma delas dizia que os países que não aderissem ao bloqueio teriam seus territórios invadidos pelo poderio militar das tropas francesas.

Como imagina-se, Portugal sob o comando de D. João VI, optou por continuar suas relações econômicas com os ingleses, pois estes eram seus maiores aliados políticos e econômicos. Com o descumprimento do decreto, Napoleão ordenou a invasão da Península Ibérica, formada por Portugal e Espanha, no ano de 1807.

Os desdobramentos das invasões napoleônicas foram:

  • Destituição do rei espanhol pelo irmão de Napoleão, José Bonaparte;
  • Fuga do rei de Portugal, D. João VI acompanhado de um contingente considerável de pessoas da corte portuguesa.

Composta por aproximadamente 46 embarcações, a frota de navios portugueses foi escoltada pela marinha inglesa até o destino final, a costa brasileira. Cerca de 10 a 15 mil pessoas partiram com destino ao novo e recém-descoberto continente. 

Registros históricos mostram que a viagem foi tortuosa e repleta de problemas. Além das questões climáticas, como as tempestades marítimas, por ter sido realizada às pressas e sem planejamento, houve também a falta de comida. Soma-se a isso um surto de piolhos que obrigou homens e mulheres a rasparem os cabelos.

Em janeiro de 1808, D. João VI e parte da corte portuguesa chega na região de Salvador. Já no mês seguinte, o rei português parte para a cidade do Rio de Janeiro, chegando lá em março. A partir daí, D. João VI deu início ao seu novo reinado no continente americano recém-descoberto, período que estendeu-se por 13 anos, até 1821.

Principais mudanças decorrentes do Período Joanino

Instalado em terras tupiniquins, a primeira medida relevante tomada por D. João VI consistiu na abertura dos portos brasileiros às nações amigas. O motivo dessa decisão estava diretamente relacionado com a ainda ocupação francesa em Portugal, que dificultava qualquer tipo de comercialização.

Com o decreto, a Inglaterra tornou-se então o principal parceiro econômico da coroa portuguesa, visto sua força no comércio marítimo.

Além disso, a medida trouxe o fim do monopólio comercial praticado por Portugal sobre a colônia, permitindo que grandes proprietários e comerciantes brasileiros pudessem negociar diretamente com compradores de outros países.

Dentre outras medidas do governo português em terras brasileiras, havia:

  • Incentivo e instalação de manufaturas com o objetivo de produzir mercadorias manufaturadas nacionais que competissem com os produtos ingleses; 
  • Criação de faculdades (medicina e direito) em Salvador e Rio de Janeiro;
  • Construção de bibliotecas, museus, teatros e etc.

Isso de certa forma contribuiu muito para o desenvolvimento do intelectualismo no Brasil e crescimento da circulação de ideias sobre os mais diversos temas da sociedade. 

Artistas e intelectuais estrangeiros, incentivados por esse crescimento educacional, começaram a chegar no Brasil. Dentre os mais notáveis podemos destacar o botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o pintor Debret. Ambos acompanhados pela chamada Missão Artística Francesa. 

Esse período trouxe também como resultado o aumento populacional da cidade do Rio de Janeiro, indo de 50 mil habitantes em 1808 para 100 mil no ano de 1822.

Entretanto, pode-se dizer que a medida mais importante feita por D. João VI veio a seguir. Após sofrer pressão das nações integrantes do Congresso de Viena, que diziam ser inaceitável que um rei europeu governasse em uma colônia e não em um reinado, o rei português em resposta decide elevar o Brasil à condição de reino.

Da decisão, surgiu então o Reino de Portugal, Brasil e Algarves. Assim, a colônia era agora uma extensão do reino de Portugal. 

João VI e a política externa durante o Período Joanino

Em meio às medidas que aconteciam em território nacional, o reinado de D. João VI no Brasil envolveu também questões com países vizinhos que eram dominados por nações estrangeiras. 

Dentre elas , podemos citar:

  • Invasão da Guiana Francesa em 1809, em represália às invasões em Portugal decorrentes do Bloqueio Continental;
  • Conflito pela Cisplatina, onde por ordem de D. João VI, o território de onde hoje é o Uruguai foi invadido e anexado ao Brasil em 1811.

A volta da família real para Portugal e o fim do Período Joanino

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D. João VI, rei de Portugal que fugiu para o Brasil em 1808 em meio as invasões napoleônicas.

O retorno de parte da família real portuguesa para Portugal aconteceu principalmente em razão da pressão da classe burguesa. Dentre as demandas, era exigido:

  • Revolução Liberal do Porto; medida que buscava a volta da autonomia econômica brasileira, livre das imposições de Portugal; 
  • Retorno do reinado português no Brasil para o modelo de colônia;
  • Regresso imediato de D. João VI para Portugal.

Esses fatores foram cruciais para o retorno da coroa portuguesa ao seu país de origem com parte da nobreza. No entanto, como forma de ainda exercer seu poder em terras brasileiras, D. João VI deixa seu filho mais velho, Dom Pedro, no cargo de príncipe-regente.

Com a atitude, o laço entre Brasil e Portugal seria mantido até os acontecimentos que levariam à independência. 

Veja também: Independência do Brasil

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