Canibalismo dos tupinambás

O canibalismo praticado pelos tupinambás ocorria através de cerimônias com elementos ritualísticos.


Os tupinambás são uma etnia que habita o Brasil desde antes da chegada dos europeus. Durante a colonização do território que atualmente se chama Brasil, eles ficaram muito conhecidos devido a uma característica bastante particular: a antropofagia.

Também conhecida como canibalismo, a antropofagia é o ato de comer carne humana. Certamente eles não eram os únicos povos a praticar tal costume, mas o contato dos viajantes europeus com os tupinambás durante os rituais de canibalismo fez com que essa fama alcançasse várias regiões do mundo.

O canibalismo pelo olhar dos indígenas

Este é um ato analisado pelos pesquisadores de várias formas. Primeiramente, deve-se ter em mente que o canibalismo dos tupinambás é definido como exocanibalismo. Isto significava que eles não comiam os membros de sua própria etnia, somente os indígenas de etnias rivais.

Geralmente, as pessoas que viravam alimentos eram guerreiros aprisionados em batalhas. Para devorar o prisioneiro, os tupinambás organizavam grandes rituais regados a danças e outros elementos ritualísticos.

O canibalismo ocorria a partir de uma justificativa mítica. Eles acreditavam que o sacrifício de outras pessoas poderia representar o fim de algum problema que os cercasse.

Sendo assim, a antropofagia ultrapassava a função biológica do alimento, ela se relacionava com práticas ritualísticas que ocorriam após uma guerra entre diferentes povos.

Quando ingeriam a carne do inimigo, os indígenas acreditavam que estavam vingando seus antepassados que morreram da mesma maneira.

O indivíduo responsável por executar o prisioneiro não poderia se alimentar de sua carne. Os pedaços mais duros eram consumidos pelos homens e as partes mais moles, pelas mulheres e crianças.

A colonização destas terras, aliada à conversão religiosa comandada pelos jesuítas, fez com que a prática do canibalismo fosse extinta por essa etnia. Sendo assim, tal aspecto da identidade deste povo ficou presente somente em seu passado.

No entanto, é importante salientar que o ritual tupinambá que envolvia a antropofagia estava longe de animalizar o homem. Tais rituais demonstravam o quanto a relação destes povos com as guerras, a vida e a morte, era complexa e única.

Por isso, sem compreender a complexidade das ações dos indígenas, os europeus construíram uma imagem desse povo como “seres selvagens” que deveriam ser civilizados.

O canibalismo pelo olhar dos europeus

A primeira pessoa a narrar o canibalismo dos tupinambás foi o alemão Hans Staden (1525-1579) em sua obra Duas Viagens para o Brasil (1557).

Seu relato alcançou os ambientes letrados europeus por vários anos, contribuindo para a construção do imaginário “exótico” do Novo Mundo.

Michel de Montaigne (1533-1592) foi outro pensador europeu que escreveu sobre o canibalismo dos indígenas nas novas terras.

Autor do livro Dos Canibais (1580), ele buscou comparar o modo de vida dos tupinambás com a organização da civilização europeia.

Durante o século 16, alguns indígenas foram capturados e transportados para a Europa com o objetivo de serem expostos em uma “mostra exótica” à nobreza.

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